Plataforma é acusada de permitir a circulação de conteúdos ofensivos a religiões de matriz africana e anuncia revisão de políticas internas
Por Flávia Fernandes
O Spotify está sob pressão para rever seus mecanismos de moderação após uma denúncia de racismo religioso envolvendo conteúdos contra religiões de matriz africana. O caso veio à tona após a ativista e comunicadora Winnie Bueno relatar, em suas redes sociais, a presença de playlists e conteúdos ofensivos, marcados por expressões de intolerância religiosa. A denúncia rapidamente ganhou repercussão e mobilizou entidades que atuam na defesa da liberdade religiosa.
A ativista afirmou ter identificado dezenas de playlists com nomes e descrições pejorativas, que associam as religiões afro-brasileiras a práticas demoníacas. Segundo ela, ao reportar os conteúdos, recebeu respostas automáticas que não reconheciam o teor ofensivo das postagens.
O caso evidencia um problema mais amplo relacionado à atuação das plataformas digitais diante de discursos de ódio e práticas discriminatórias que ferem os princípios constitucionais de liberdade de crença.
Diante da repercussão, o Spotify afirmou que está investigando os casos reportados e que tomará medidas para evitar que conteúdos do tipo permaneçam ativos. Em nota enviada à imprensa, a empresa declarou que “tem políticas claras contra discursos de ódio” e que essas diretrizes se aplicam a todos os conteúdos disponibilizados na plataforma. A empresa também sinalizou que pretende aprimorar os filtros e os processos de denúncia.
A denúncia reabre um debate essencial no Brasil, país de maioria cristã, mas com rica diversidade religiosa, que inclui tradições como o candomblé e a umbanda. Para líderes religiosos e especialistas em direitos humanos, episódios como este revelam o desafio de garantir o respeito às diferentes expressões de fé no ambiente digital.
A liberdade religiosa é um direito garantido pela Constituição e sua proteção exige compromisso não apenas das instituições, como também das grandes empresas de tecnologia.
Sindicato aciona Ministério Público contra falas de Malafaia - Para a entidade, as declarações foram para desmoralizar professores e estimular confronto ideológico dentro das escolas
Congressos e Festivais: tradição religiosa marca o Carnaval - Cidade recebe a 61ª edição do COMEPE e a 54ª da UMADA, além do Vida Nova Fest 
