Disciplina espiritual, humildade e graça sustentam o processo contínuo de regeneração do novo homem em Cristo
Por Clovis Rosa Nery
Noutro texto, vimos que a conversão envolve arrependimento, fé e regeneração. Também foi enfatizado que aprendemos com a repetição. Ações continuadas transformam-se em hábitos. Hábitos forjam caráteres e selam destinos. Aqui, apresento uma síntese do processo da regeneração que, talvez, não seja completado nesta existência, porque o seu objetivo não é melhorar o ser, mas produzir um novo (II Coríntios 5: 17).
O cientista William James sustentava que a reação emocional é estimulada por uma ação volitiva premeditada. Assim, se o organismo inibir esta despotencializará aquela.
Esse pragmatismo, à época, enfrentou alguma controversa, mas ficou provado que nossos sistemas orgânicos (cognitivo, afetivo e motor) são integrados, e tudo afeta tudo.
O apóstolo Paulo já orientava a direcionar o pensamento para o que é verdadeiro, honesto, justo e puro (Filipenses 4:8) e que, embora tudo seja lícito, nem tudo convém.
Comportamentos embasados nessas orientações, de alguma forma, refletem Cristo. Em certo sentido, pode ser entendido como falicitador de um bom contato.
Portanto, o êxito no processo de regeneração requer disciplina quanto a palavras, pensamentos e ações. Vigiar e orar fazem parte das medidas contra as possíveis tentações.
A palavra é importante, porque se ela for degenerada degenera vidas; e, se a vida for degenerada gera falácias comprometedoras.
Conscientizando-nos disso percebemos nossa condição, como diz o profeta: “Ai de mim! Pois estou perdido; […] e vivo no meio de um povo de impuros lábios” (Isaias 6: 5).
Isso implica, literalmente, num “cair em si” que nos motiva seguir em outra direção. A parábola do Filho Pródigo retrata muito bem essa questão (Lucas 15: 11 a 32).
Aquele jovem que estava fora de si “caiu em si” e, ato contínuo, teve um diálogo sincero consigo mesmo, tomando o caminho de volta ao lar paterno.
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O Reflexo do Ajudador: submissão e cuidado sob a ótica de Deus - Submissão em Cristo não é opressão, mas um chamado ao amor sacrificial, à honra e ao propósito no casamento cristão O fato básico “cair em si” tem a ver com o reconhecimento de onde e como estamos. Não há como seguir um novo destino sem partir de onde se encontra.
Mas o homem natural, por si mesmo, não dispõe de recursos suficientes para processar a mudança. É o Espírito Santo que o convence e ajuda.
Por tudo isso, sem humildade nada é viabilizado. Os humildes são bem-aventurados, e herdarão o Céu (Mateus 5: 3), pois deixando Deus dirigir a vida serão abençoados.
A regeneração envolve um quebrantamento, porque é indispensável tratar o orgulho. Somente dessa forma o coração de pedra cede lugar para o coração de carne.
Observe a expressão “tratar o orgulho”. Além do arrependimento e da fé a pessoa precisa querer e se submeter humildemente ao processo de terapia Celestial.
Quando eu quero Deus assume o comando. A partir daí nada mais é feito por ação humana senão com a atuação do Espírito Santo que orienta e realiza a obra.
Contudo, há um grande paradoxo aqui. Precisamos experimentar uma regeneração completa, mas o pecado é um entrave nesse sentido. Então, só a Graça é libertadora.
Finalizando, reiteramos que a regeneração tem a ver com nova vida, pois a velha morre e, em Cristo, renasce um novo ser. O amor de Deus permite que o Espírito Santo oriente o processo que paulatinamente ganha forma e se estabelece.
Quando a obra ficará totalmente pronta não sabemos, mas a cada dia ela avançará, porque o Senhor estará preparando o lugar da Sua habitação, o coração do novo ser convertido a Ele.
Clovis Rosa Nery é graduado em psicologia, pós-graduado em Gestalt, pesquisador e escritor

