Simone Soares: Do abuso sexual para os púlpitos

Simone Soares é pastora do Ministério Tabernáculo do Avivamento,, em Porto Seguro (BA). Foto: Facebook

Pastora Simone Soares, que foi uma das vítimas do médium João de Deus, conta que foi molestada quando tinha 13 anos de idade. Hoje, no ministério pastoral, ela constrói abrigo para mulheres abusadas

A história de vida de Simone Soares cruzou com a do médium João de Deus, preso desde 16 de dezembro de 2018, acusado de ter cometido vários abusos sexuais contra mulheres que iam lhe procurar no centro espírita onde atuava como curandeiro. Na época ela tinha 13 anos.

“Quando chegamos lá, João falou para minha tia que eu e minhas irmãs éramos médiuns e passei a realizar atividades na casa, como segurar materiais usados na enfermaria. Ele abriu a calça, tirou minha blusa e tocou em mim. Não houve estupro, mas ele fez o que quis. Me senti mal, mas tinha medo de denunciar”, lembra.

Um ano depois, Simone e sua tia foram morar em Goiânia. “Eu estava deprimida, não saía da cama. Mas, cinco anos depois, acabei voltando para Abadiânia. Era como se algo me puxasse para aquele local. Aos 17, resolvi reencontrar o João para conversar com ele e tentar impedir que ele abusasse de outras vítimas. Mas ele veio para cima de mim, e o empurrei. Minutos depois, veio um segurança dele, apontou uma arma para mim e me mandou sair de lá”, contou.

Traumas

Mas os traumas de Simone não iniciaram só no encontro com o médium. Ela teve a sua mãe assassinada pelo próprio pai quando ainda era bebê. Alcoólatra, o homem matou a esposa por ciúmes.

“Meu pai era policial e matou minha mãe num Natal, quando ela tinha 23 anos. Aconteceu na casa onde morávamos, em Vitória da Conquista (BA)”, relatou. O pai de Simone chegou a ser preso na época, mas conseguiu responder ao processo em liberdade.

Conversão

Após esse episódio, Simone conta que foi a uma igreja evangélica e se converteu. “Aos 21, parei de ter medo e comecei a falar com mulheres sobre os abusos. Também procurei a delegacia para denunciar tudo o que sofri com João de Deus, mas a delegada disse que o crime havia prescrito. Mandou deixar pra lá, não mexer com ele”, revelou.

Abrigo para vítimas de violência

Hoje Simone reconstrói a vida ao lado de um namorado da adolescência que reencontrou após duas décadas. Morando em Porto Seguro (BA), a pastora do Ministério Tabernáculo do Avivamento, 41 anos, recolhe doações para construir um abrigo para mulheres vítimas de violência.

“O objetivo é acolher vítimas de violência. Muitas me procuram para falar sobre isso, fazer denúncias, então senti que precisava ter esse espaço. Preciso de parceria com empresas e psicólogas para atendê-las. Já tenho o terreno e muito material foi doado. Começamos a construir, mas não temos previsão de inauguração

“Trabalho ainda com marketing digital e dou aula de capelania, e preparo as pessoas para fazer trabalhos sociais em presídios e hospitais. Também dou palestras em igrejas ou outros espaços que me convidam, e falo sobre violência doméstica para outras mulheres”, diz.

*Com informações de Uol


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