Um quinto dos adolescentes já teve contato com conteúdos sexuais na internet. Pesquisa revela a necessidade dos pais em monitorem e criarem filtros para os filhos usarem as redes sociais
Por Cristiano Stefenoni
Cada vez mais os adolescentes têm sido bombardeados com conteúdos adultos nas redes sociais. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 divulgados nessa quarta-feira (22) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) revelam que 20% dos que têm entre 11 e 17 anos tiveram contato com conteúdos sexuais online. Desse total, 12% foram meninos e 9% das meninas.
Entre os conteúdos recebidos, a maioria era de cunho sexual publicado por terceiros, além de terem sido solicitados a enviar fotos, vídeos ou conversar sobre sexo. Por outro lado, 85% disseram saber excluir pessoas da lista de contatos ou amigos e 79% sabem identificar quais informações devem ou não compartilhar na internet. E ainda 64% desses adolescentes afirmaram ter bloqueado alguém com quem não queriam conversar.
Outro ponto importante da pesquisa é que menos da metade dos pais ou responsáveis (44%) conversam com os filhos sobre o que fazem online, e 56% dos menores afirmaram que seus responsáveis “sempre ou quase sempre” compartilham conteúdos encontrados na internet, como notícias, vídeos e memes.
O levantamento entrevistou 2.370 pessoas de 9 a 17 anos e o mesmo número de pais ou responsáveis, entre março e setembro deste ano. O objetivo foi entender como os adolescentes utilizam a internet e de que forma lidam com os riscos e oportunidades do ambiente digital.
“Para prevenir esses problemas dentro de casa, os pais devem acompanhar o uso da tecnologia, estabelecer limites e promover não só o diálogo, mas também jogos e brincadeiras que estimulem a criatividade. A ciência mostra que o exemplo familiar é essencial para formar hábitos saudáveis. A Bíblia reforça essa responsabilidade, ensinando que os pais devem instruir os filhos no caminho certo (Provérbios 22:6)”, explica o professor e pastor Luciano Estevam, assessor da Rede Batista de Educação.
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Parlamento europeu reconhece o termo “Cristianofobia” - Parlamento Europeu reconhece a cristianofobia e busca proteger direitos dos cristãos na Europa e no mundo. Já a psicóloga, psicopedagoga e mestre em Educação, Alzira Luciana Ferraz de Souza, diretora de Educação na Rede Adventista, é a família a principal responsável em monitorar aquilo que é visualizado pelos adolescentes nas redes sociais.
“Temos visto um aumento significativo de crianças e adolescentes sem concentração, dispersos e sem conexão com o que está sendo ensinado nas escolas, crescimento do índice de ansiedade e alterações no comportamento. Na minha opinião a principal responsabilidade é da família. Ela deve orientar, estabelecer limites e acompanhar o uso”, afirma Souza.
7 dicas para ajudar os pais a lideram com os filhos e o uso da internet
1. Comece pela conversa, não pelo bloqueio
Explique os riscos e benefícios da internet de forma aberta. As crianças precisam entender por que certos limites existem, e não apenas obedecer por medo de punição.
2. Defina horários e locais de uso
Crie uma rotina digital: por exemplo, nada de telas durante as refeições ou depois de certo horário à noite. Deixe os aparelhos fora do quarto na hora de dormir.
3. Use ferramentas de controle parental
Existem aplicativos que ajudam a monitorar e limitar o tempo de uso (como Family Link, Qustodio e Norton Family). Eles não substituem o diálogo, mas ajudam a colocar regras em prática.
4. Acompanhe o conteúdo consumido
Peça para ver o que eles assistem, os jogos que jogam e as pessoas com quem conversam. Demonstre interesse genuíno — isso gera confiança e reduz segredos.
5. Ensine responsabilidade digital
Fale sobre respeito, privacidade, fake news e o perigo de compartilhar informações pessoais. O ideal é ensinar autocontrole, não apenas impor controle.
6. Dê o exemplo
Nada mais poderoso que o modelo dos pais. Se os adultos estão sempre no celular, a criança aprende que isso é normal. Pratique o “tempo offline” em família.
7. Crie momentos sem tela
Promova brincadeiras, esportes, passeios, leitura ou tempo de oração em família. Assim, a internet deixa de ser a única fonte de diversão.

