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quinta-feira, 7 julho 2022

Moro: a esperança da moral e da justiça

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Foto: Rebekah Fontes/ Fato Amazônico

Liderança evangélica Brasileira comenta a saída de Sérgio Moro do governo Bolsonaro: “Era a reserva moral desse governo”, declara pastor Evaldo dos Santos

Por Priscilla Cerqueira

A saída de Sérgio Moro do ministério da justiça trouxe preocupações no meio evangélico. Várias lideranças religiosas usaram suas redes sociais para se manifestar. Como se não bastasse uma crise sanitária e econômica que vive o país, também uma crise política. “Era a reserva moral desse governo”, declarou o pastor Evaldo dos Santos.

O agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, fez um breve discurso nesta sexta (24), em Brasília, em despedida ao cargo que ocupou por 1 ano e três meses. Em sua fala, Moro acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.
“O presidente me quer fora do cargo”, disse Moro, ao deixar claro que a saída foi motivada por decisão do presidente.

Repercussão

Os comentários foram unânimes sobre sua saída do governo. Muitos pastores lamentaram. “Não tenho dúvidas de que a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça é o pior momento deste governo”, declarou o pastor José Ernesto Conti, articulista de Comunhão.

“É uma das maiores perdas desse governo. Lamento profundamente tudo isso, pois ele tinha muito a contribuir com o nosso país”, acrescentou pastor Evaldo.

Para muitos, Moro era um especialista na lei, um porto seguro na área da justiça e da segurança, em um país onde a corrupção é escancarada.

“A saída dele nos traz preocupação, pois o Moro demonstrou desde o início ser uma pessoa que tem uma conduta exemplar, com caráter excepcional, uma pessoa séria. Ele sempre foi muito correto, positivo naquilo que fala, além de ter muita seriedade e, seu trabalho”, completou.

Agora, o que resta à igreja evangélica brasileira é orar. “Temos que orar para Deus ter misericórdia do nosso país. E pedir que o Senhor oriente o presidente na escolha do próximo ministro nesse momento tão grave que vivemos”, conclamou pastor Evaldo.

Conduta

Conhecido pela ética e bom trabalho que desenvolveu quando foi juiz da polícia federal, cargo que exerceu antes de tomar posse como ministro, Moro era visto pelos brasileiros como a esperança de boa conduta e que poderia contribuir com a anti corrupção. Ganhou projeção nacional por sua atuação na Operação Lava jato, em que levou para a cadeia vários políticos do país, envolvidos em corrupção.

“Moro representava tudo aquilo que a maioria de nós, povo brasileiro, que escolhemos o governo, gostaríamos de ver no governo. Era alguém técnico, que pensasse no país e não na interferência política para voltar à época das impunidades. Bolsonaro jogou a água da bacia fora, com a criança!”, afirma pastor Conti.

O jornalista e pastor Antônio Carlos Costa usou a expressão “moralmente inaceitável” em suas redes sociais, ao se referir da conduta de Bolsonaro sobre Moro, durante seu discursso de saída do cargo. “Lamentamos o fato e nos solidarizamos com o Dr Sérgio Moro”, acrescentou Conti. Antônio Carlos foi ainda mais enfático.

De tudo o que ouvimos hoje pela boca do Moro referente aos motivos que o levaram a pedir demissão, o mais grave é a acusação de o presidente da República desejar intervir em inquéritos no STF (fake news e financiadores das manifestações antidemocráticas). Daí o interesse do Bolsonaro de ter um diretor-geral da Polícia Federal que servisse ao próprio Bolsonaro em vez de servir à República”.

E foi mais longe. Pediu que os evangélicos não apoiassem mais o governo Bolsonaro. “Moro põe a última pá de cal no governo Bolsonaro. Então, esse é o momento de os evangélicos largarem em bloco esse governo, por amor a tudo o que dizem crer. E “vestidos de pano de saco e cinzas”, concluiu.

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