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sábado, 20 DE julho DE 2024

Ser um cristão rico: é bom ou ruim?

A cupidez é espiritualmente nula (Marcos 8: 36), porque ser rico na eternidade não conta como o que você tem; sua riqueza é o que você é

Por Clovis Rosa Nery

Com estas recomendações o apóstolo Paulo faz-nos vislumbrar, por analogia, como paradigma, algumas das instruções das leis sociais do Pentateuco, especialmente a da colheita (Levítico 19): 

“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos; que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que sejam liberais e generosos, entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a verdadeira vida” (I Timóteo 6: 17 a 19).

Em linguagem Behaviorista, poderíamos inferir que há no texto acima dois reforços negativos e um positivo. Primeiro, não serem “altivos”. Segundo, não confiarem nas “riquezas”. Terceiro, sejamliberais e generosos”. 

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Na Bíblia aprendemos que o amor deve ser direcionado a Deus e ao próximo, e não às coisas (Mateus 22: 37 a 30 e Marcos 12: 30 e 31). Quem opta por amar coisas, invertendo os valores, envereda pelas encruzilhadas perigosas da ganância e do egoísmo, porque “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” ( I Timóteo 6: 10).

No trato com o metal, o básico não é amá-lo, nem confiar nele; mas procurar viver com altruísmo, probidade e desprendimento. Para quem já está seduzido por seu brio é difícil. 

Pastor Swindoll, na obra “Firme seus Valores”, registra que Jesus deixou claro ao mostrar que: a sedução da riqueza mata a Palavra (Marcos 4: 19); a vida é muito mais do que posses (Lucas 12: 15), e não há como amar a Deus e às coisas (Mateus 6: 24) (p. 86).  

Ser rico ─ e não ser um soberbo “autossuficiente” ─ e sempre disposto a praticar a magnanimidade é um privilégio de poucos. Para alcançar esse estágio, aquele pastor, lembra-nos que é prudente ouvir o que diz o nobre profeta (p. 83): 

“Ouvi-me vós, os que seguis a justiça, os que buscais ao Senhor; olhai para a rocha da qual fostes cortados, e para a pedreira de onde fostes cavados” (Isaías 51: 1).

À luz desse texto, se há uma “chave” comportamental para a realização proposta consiste na fé em Deus, na obediência às Suas orientações e na gratidão a Ele pelo resgate transformador da vida proporcionado pelo Sangue de Cristo.

A cupidez é espiritualmente nula (Marcos 8: 36), porque na eternidade o que conta não é o que você tem; é o que você é. Depois do último suspiro, quando o chão se tornar o nosso teto, não importará o que retemos, mas o que repartimos, com amor, em vida.

A Bíblia não censura nem a riqueza, nem a pobreza; mas a avareza e a inveja (Lucas 12: 15 e Tiago 3: 14 a 16). Portanto, o rico deve guardar-se daquela, e o pobre, abster-se desta. 

Conquanto, quando uma pessoa, por meio de trabalho honesto se vê agraciada materialmente e opta por seguir as instruções Sagradas, certamente, ela poderá torna-se uma bênção no Reino de Deus.

Não fosse essa uma realidade histórica, talvez muitas organizações missionárias teriam sucumbido. Ao redor do mundo são tantas que sobrevivem às turbulentas crises financeiras, graças a ajudas oriundas de pessoas abastadas, servas do Altíssimo, que têm colocado seus tesouros onde está o coração. 

Finalizando, se é bom ou ruim ser um cristão rico, a resposta é: depende, porque o que adjetiva a riqueza é o comportamento de quem a possui.

Clovis Rosa Nery é psicólogo, pesquisador e escritor.

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