Você está em um grupo de WhatsApp e alguém faz um comentário negativo sobre você. Qual deveria ser sua atitude?
Não é incomum que pais ocupados demais ou sem paciência logo coloquem celulares nas mãos de filhos, até bebês, para que fiquem se distraindo nas redes sociais. Isto estaria correto?
Seria saudável?
As estatísticas já apontam que o Brasil tem se destacado em acesso às redes sociais, com muita gente deslizando o dedo sobre a tela de um celular.
Por diversas ocasiões tenho sido consultado para opinar sobre temas como esses.
Em primeiro lugar, por ser tangível a “vida analógica” comum e não tangível a vida virtual, podemos pensar que são terrenos separados e precisam de princípios éticos específicos.
Mas posso garantir que não existe uma abordagem ética separada para a vida pessoal e outra para a vida digital, pois somos uma só pessoa. Não há como separar o ambiente privado-pessoal do ambiente público-digital – isso seria como que um tipo de “esquizofrenia digital”. Aliás, especialmente desde o Iluminismo tentou-se separar a vida pública da privada; não é assim com a visão cristã da vida.
O mesmo eu poderia dizer em relação à vida profissional, ainda que alguém possa querer defender que negócios são negócios. Tem crescido o movimento “Business As Mission” (negócio como missão), em que se busca demonstrar que, depois da nossa conversão, o nosso projeto de vida tem agora ligação direta com a missão de Deus (missĭo Dei) em restaurar todas as coisas e nossa vida é instrumento dEle em tempo integral para essa missão (Lc 9.23 – “dia a dia”).
Em segundo lugar, podemos desenhar alguns princípios bíblicos gerais que temos o desafio de adotar em nossa vida, seja analógica ou digital: Tudo me é lícito, mas nem tudo convém (1Co 6.12). Ainda que tenhamos liberdade para escolher o que desejamos, será necessário considerar que nem tudo convém, isto é, os valores e virtudes bíblicas não deverão ficar de lado: ser paciente, pacificador, amoroso, ter palavra agradável e temperada, evitar contendas, que são referências às bem-aventuranças, sermos sal e luz (Mt 5.3-16), o fruto do Espírito (Gl 5.22,23).
Tudo me é lícito, mas não me deixarei dominar por nenhuma coisa (1Co 12.14). O princípio é que Deus esteja em primeiro lugar em nossa vida. Quando alguém não tem mais controle sobre a sua vida digital e já se torna um vício, que já tem sido diagnosticado como “nomofobia” (no mobile fobia) e não consegue ficar sem acessar seu celular, deve pensar em ingressar em tratamento, aconselhamento.
Aproveitar bem o tempo (Ef. 5.16); somos gestores de nossa vida e do tempo que Deus nos dá. Isso implica também em gerir bem até nosso entretenimento.
Assim como temos o compromisso de falar sempre a verdade, temos o compromisso de não espalhar “fake-news” e mesmo informações sem saber se são verdade.
Enfim, os princípios bíblicos são muitos sobre a nobreza de comportamento, deixo para você concluir essa lista e assumir o compromisso de manter em dia sua vida analógica e a digital.
Lourenço Stelio Rega é eticista e Especialista em Bioética pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (Hospital Albert Einstein)


