Segundo pastor morto em uma semana na Colômbia

Criminosos veem a igreja como um inimigo a ser erradicado, devido à ação e pregação corajosa de pastores e líderes. Foto: Ilustrativa/Reprodução

As circunstâncias da morte em zona rural ainda são desconhecidas, mas pastor era líder social ativo

Perseguição – No dia 15 de fevereiro, o pastor Tomas Francisco Estrada* foi morto em estranhas circunstâncias nas redondezas da cidade litorânea de Buenaventura, na Colômbia.

Com cerca de 11 anos de serviço ministerial, o pastor Estrada era reconhecido por toda a comunidade como um líder dedicado ao serviço de sua congregação e como um ativo líder social, que encabeçava o processo em favor de justiça e restauração dos direitos da comunidade.

O pastor deixa esposa e dois filhos pequenos. Sua esposa, Luisa Montes*, teve um choque nervoso ao saber da morte do marido e sua saúde está em estado crítico. O pastor também deixa uma congregação de cerca de 80 pessoas.

A situação

A Colômbia passa por um crescente aumento do número de mortes, ameaças e ataques a cristãos. Segundo relatórios da ONG Indepaz, somente este ano já foram registradas 19 mortes de líderes sociais em diferentes partes do país.

De 2016 a 2019, foram 556 assassinatos de cristãos. Atualmente no país, muitos pastores e líderes cristãos atuam como líderes sociais como um meio de defender, acompanhar e assistir vítimas cristãs no caminho pela restauração de seus direitos.

Dois casos em uma semana

Com a morte do pastor Estrada, foram dois pastores mortos em uma semana na Colômbia. Na noite do dia 9 de fevereiro, o pastor Leider Molina, de 24 anos, foi atingido por cinco tiros que o levaram à morte. Ele saía da igreja, após pregar, no município de Caucasia, uma região rural no estado de Antioquia, na Colômbia.

Molina era solteiro e conhecido na comunidade como uma pessoa apaixonada por pregar a palavra de Deus, ativamente envolvido no trabalho em sua igreja e cidade.

O pastor Molina exercia seu ministério na mesma região em que o pastor Galarza também foi morto, em setembro de 2018, na frente da sua família. A igreja cristã da região está abalada, a ponto de alguns cristãos fugirem com suas famílias, enquanto outros decidiram ficar e esperar a intervenção do governo. No entanto, os pastores e líderes cristãos da região continuam seu trabalho evangelístico, apesar de todas as ameaças de morte.

Igreja em meio ao fogo cruzado

A região de Caucasia tem enfrentado uma escalada na violência nos últimos quatro meses devido à presença de grupos armados que disputam o controle das rotas de tráfico de drogas e a propriedade de colheitas ilícitas.

A Igreja Perseguida da Colômbia enfrenta perseguição e violência há muitos anos por parte de grupos armados, como guerrilheiros, grupos paramilitares, gangues criminosas e cartéis de droga. Esses grupos veem a igreja como um inimigo a ser erradicado, pois, devido à ação e pregação corajosa de pastores e líderes, muitos jovens têm saído do conflito armado e da ilegalidade.

Sabe-se também que em lugares onde a igreja tem uma forte influência, os moradores são menos inclinados a ser parte da dinâmica do crime. Ao pregar a palavra de Deus, a igreja se estabelece como uma direta oposição aos propósitos dos grupos armados.

Em resposta, esses grupos atacam líderes cristãos, em um claro exercício de perseguição religiosa. A morte do pastor Molina é um reflexo dessa situação. A igreja prega a mensagem de Cristo em meio ao fogo cruzado, em um país onde a guerra tomou novo fôlego e não parece ter uma solução a curto prazo.

*Nomes alterados por segurança. Com informações da Missão Portas Abertas.


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