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terça-feira, 21 setembro 2021

Se perguntam: Quem é Deus? (Parte 01)

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Em princípio, não podemos definir Deus. Seria um reducionismo, e isso equivaleria a negá-Lo

Por Clovis Rosa Nery

Quem é Deus, cujas decisões desafiam a nossa lógica? Quando Ele decidiu providenciar um povo para chamar de Seu, e dele gerar o Messias, optou por Abrão, um mesopotâmico natural da pagã cidade de Ur.

Quando todos esperavam que o nosso Redentor fosse viver como um nobre, Ele nasce num paupérrimo lar, e passa parte de sua infância como “refugiado” no Egito. Depois, surge como um simples carpinteiro na marginalizada Nazaré, a ponto de um dos seus futuros discípulos questionar se poderia vir alguma coisa boa daquela cidade. Nem seus irmãos creram n’Ele. Aqueles que sonhavam com um Reino de Deus instalado da terra com poderosa força bélica escandalizaram-se com a cruz.

Quem é esse Deus? Não há sincronia entre a nossa lógica e Seus desígnios. Para andar com Ele, é preciso despojar-se do ego, e segui-Lo como uma criancinha segue seus pais. Com Ele, só conseguimos caminhar pela fé; não por nossas instáveis emoções. Com Ele, o vencedor é quem crê; não é quem sente. A voz do silêncio, oriunda de um coração quebrantado e contrito, sempre será ouvida por Ele  (Salmos 51:17).

Afinal, quem é esse Deus? A Bíblia responde: Deus é quem, no princípio, criou os Céus e a terra (Gênesis 1:1). Deus é o Ehyeh-Asher-Ehyeh (Êxodo 3:14), o  “EU SOU”. Ele sempre foi, é e sempre será, independentemente, das circunstâncias temporais ou atemporais o Javé (ou Yahweh) ─ O Senhor Eterno e incriado. Ele é o Único (Deuteronômio 6:4). É “o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus 13:8). Ele, desde o princípio, é “o Verbo” (João 1:1). Deus é o “Espírito Eterno” (Hebreus 9:14), um “Fogo consumidor” (Hebreus 12.29). Deus “é amor” (I João 4:8 e 16).

Esse é o nosso Deus que, ao longo da História, Se revelou aos homens de diversas e extraordinárias formas, conforme Seus próprios desígnios, respeitando a particularidade de cada um. A Moisés, numa chama de fogo no meio de uma sarça, conversando normalmente (Êxodo 3). A Paulo, num evento impactante (Atos 9). Ele Se revelou, inclusive, por meio de teofanias, profecias e, finalmente, a nós, em  Jesus Cristo.

Deus é o “mysterium tremendum”, muito mais e maior do que aquilo que Ele Se permite revelar. No sentido imanente, habita em nós nos limites de Sua revelação ao homem. No sentido transcendente, não podemos conceber que o Criador esteja completamente e totalmente dentro de nós, porque Ele possui atributos incomunicáveis ao homem. Seria uma heresia extrema que, obviamente, pretenderia transformar toda ação humana em ação Divina.

Barth (1956), com sua teologia dialética, dizia que “Deus é o totalmente outro”. Buber (2006), na obra Eu e Tu, esclareceu que “sem dúvida Deus é o ‘totalmente Outro’”, porque na relação com o tu individual podemos perceber o “Tu Eterno”, desde que, ao menos, um dos dois esteja em sintonia com o Criador. Em outras palavras, a residência de Deus é na minha vida, e na de meu próximo, desde que eu e ele estejamos transformados pelo poder do Espírito. Assim, “se Deus estiver fora do coração, há algo errado nesse coração”.

Deus é o Criador do Universo, inclusive do homem desobediente que segue sua jornada, contaminado pelo pecado. Somos limitados, frágeis e rebeldes. Carregamos o pecado em nosso DNA, e carecemos da Graça, do perdão e do amor de Deus para não sermos consumidos pelo próprio veneno.

Esse é o nosso Único Deus. Em seus braços movemos e existimos. Sem Ele, morreríamos. Contudo, é mais fácil falar com Ele, do que falar d’Ele.

Clovis Rosa Nery é psicólogo e Administrador de Empresas com formação em Gestalt-terapia, RH e Auditoria. Autor de vários livros.

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