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domingo, 31 maio, 2020

Rosana Alves: A ciência em perfeita sintonia com Deus

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Referência mundial em neurociências, Rosana Alves garante que ciência e fé estão cada vez mais unidas: “Se Deus criou a fé e a ciência, as duas precisam conversar”.

Por Priscilla Cerqueira

Já ouviu dizer que fé e ciência não se relacionam? Ainda são muitos os que alegam essa incompatibilidade, mas também há um grande grupo de cientistas que defendem a perfeita relação entre Deus e essa área do conhecimento, como a neurocientista cristã Rosana Alves.

Aos 41 anos, mais de 20 deles dedicados à profissão, ela garante que é sim possível um diálogo mais coerente entre esses campos, “afinal, todas as coisas foram criadas por Deus”.

Diretora Acadêmica do Neurogenesis Institute (EUA), com três pós-doutorados em Neurociências (Unifesp, USP e Marshall University/EUA), orientadora de mais de 300 projetos acadêmicos e autora de mais de 70 artigos científicos, tendo recebido prêmio de melhor trabalho de neuroquímica pelas Sociedades Científicas Brasileiras, ela é uma sumidade numa área em que, até pouco tempo, era desconhecida.

Rosana Alves faz questão de frisar em suas palestras e entrevistas ao redor do mundo que a ciência tem contribuído cada vez mais para a certeza da existência de Deus. “Se Deus criou a fé e a ciência, as duas precisam conversar”, argumenta.

Nesta entrevista exclusiva à Comunhão, a especialista conta sobre o início de sua carreira e sobre as dificuldades de comprovar o cuidado do Criador na existência humana pela ciência. Confira!

Como teve início sua trajetória nesse universo?

Sou filha de pedreiro e doméstica, crescemos com uma condição financeira muito desfavorável. Meus pais não tiveram chance de estudar e, por isso, sempre nos incentivaram a não perder as oportunidades acadêmicas que tivéssemos. Assim, sempre me esforcei para ter boas notas. Fiz Psicologia pela Universidade Estadual Paulista (melhor faculdade de Psicologia da América Latina na época), concluí o curso com notas acima de 9,1. Fiz mestrado, doutorado e dois pós-doutorados em Neurociências, ganhando um prêmio nacional pelo melhor trabalho de neuroquímica de 2004. Em 2013, fui convidada para trabalhar na University of Toledo, com suporte científico do NIH, realizando meu terceiro pós-doutorado. Em 2016, o governo dos EUA me concedeu a residência permanente, baseado nas minhas habilidades extraordinárias como neurocientista. Fundamos o Neurogenesis Institute, que oferece cursos e treinamentos e desenvolve pesquisas para diferentes profissionais, com base nas neurociências.

Por que escolheu as neurociências quando esse campo ainda era tão desconhecido?

Sempre fui apaixonada pelo fantástico corpo humano e, desde a infância, buscava por respostas para o funcionamento do organismo. Mas fiquei particularmente interessada quando, em 1998, no segundo ano da graduação em Psicologia, tive uma disciplina que abordava as neurociências. Considerando as pesquisas incríveis, procurei a professora responsável pela disciplina e já comecei a trabalhar no laboratório dela. Ela então me convidou para trabalhar no projeto do mapeamento cerebral da ansiedade. Desde então, são mais de 20 anos desenvolvendo pesquisas em neurociências, e ainda sou apaixonada por essa área.

“Se qualquer coisa que eu fosse fazer fosse ferir os meus princípios e a minha fé, eu não faria. Ser honesta com aquilo que eu acredito estava acima de qualquer benefício profissional que eu pudesse ter”

Em relação à sua fé, que dificuldades enfrentou no universo científico?

Desafios são inerentes à nossa condição humana, estão aí para serem enfrentados. Todos, de alguma forma, teremos que encarar barreiras e superá-las. Tive o privilégio de iniciar nas neurociências sendo orientada por uma professora que também é cristã. O posicionamento público dela, em defesa de sua fé, levou-me a admirá-la no mesmo instante que a conheci e a procurá-la para pedir uma oportunidade de trabalho no laboratório dela. Assim, iniciei minha trajetória científica ao lado de alguém que acredita em Deus, o que trouxe segurança e amparo. Muitas vezes fui desafiada e rechaçada publicamente por acreditar na Bíblia. Já tive que escolher entre me manter firme em minhas convicções ou ceder à pressão. Certa vez um professor me disse em meio a uma aula: “Se você acredita que vai longe com a sua fé, está enganada”. E outro professor perguntou na sala: “Não tem ninguém aqui que acredita em Deus não, né?” Levantei minha mão e falei para ele diante de todo mundo por que eu acredito. Mas para mim sempre foi algo tranquilo e prazeroso, pois defender minha crença era uma forma de testemunhar o Seu amor e Sua existência. Claro que ser exposta não é agradável, mas sempre existiu algo muito maior que me conduziu, que é a minha fé. Só é difícil quando não temos claro, para nós mesmos, o que de fato queremos. Qualquer coisa que fosse ferir os meus princípios e a minha fé, eu não faria. Ser honesta com aquilo que acredito está acima de qualquer benefício profissional que eu pudesse ter.

Diante de tantos embates entre ciência e religião, qual seu principal objetivo como cientista?

Os embates são comuns em todos os campos de atuação: política, futebol, gastronomia, cultura. Cada um defende o seu ponto de vista. Diferentemente do que se imagina, existem muitos cientistas cristãos, que conseguem encontrar congruência entre a profissão e a fé. Então, não estou sozinha nesse meio. Meu objetivo nas neurociências é possibilitar que o público tenha acesso às informações dessa área tão fantástica e que a partir desse conhecimento possa melhorar a sua vida com o que já temos de descobertas, de ciências nas mãos. Cada artigo que escrevo e cada trabalho que oriento são permeados pela pergunta básica: como as pessoas podem ser beneficiadas com isso? Minha intenção é melhorar a vida das pessoas. E isso é um desafio bom!

“Meu objetivo nas neurociências é possibilitar que o público tenha acesso às informações dessa área tão fantástica e que, a partir desse conhecimento, possa melhorar as suas vidas com o que já temos de descobertas, de ciências nas mãos”

Nas suas palestras em igrejas e eventos, você sempre defende a necessidade de o cristão entender neurociência para se aproximar ainda mais de Deus. Por quê?

Entendo de forma ampla o versículo bíblico que diz: “E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (João 8:32). Tem muita gente que anda triste e não sabe que está com depressão. No entanto, é só fazer um tratamento que se recupera. Outros acreditam que o que comem não tem influência sobre o organismo e a mente, mas tem. O conhecimento que já temos sobre o funcionamento do corpo humano, as atitudes positivas promotoras de saúde, são “verdades” que podem nos libertar de doenças, de preconceitos sobre doenças mentais, etc. Além disso, precisamos desfazer a imagem de que os cristãos são pessoas intelectualmente ignorantes, massa de manobra fácil. O conhecimento é oportuno para termos uma vida cristã mais plena, com mais sentido, respeitando todo esse organismo (corpo) que Deus criou com tanta complexidade. Se Ele fez assim, é porque queria que nós fôssemos complexos, completos, e deu uma oportunidade de conhecermos um pouco mais.

O que a faz afirmar a proximidade cada vez maior entre a ciência e Deus?

O corpo humano é fantasticamente complexo. Há muitos anos se estuda sobre esse incrível organismo e, ainda, estamos arranhando sobre o seu funcionamento. Quanto mais estudo, mais evidente fica para mim que somente um Criador seria capaz de planejar e executar algo tão incrível. Muitos outros cientistas acreditam assim também. A ciência não diz diretamente se Deus existe ou não, mas nos oferece evidências de que Ele é o Criador e Mantenedor de todas as coisas. Pesquisas sobre perdão, altruísmo e fé, entre outros assuntos, estão em plena concordância com o que aprendemos na Bíblia. A ciência tenta explicar, entre outras coisas, a origem da vida, o que para nós, criacionistas, a resposta é: Deus criou todas as coisas. Ora, quem criou a ciência foi Deus; o nosso cérebro é criação dEle. Então, se Deus criou a fé e a ciência, as duas precisam conversar.

É possível usar essa temática do ponto de vista cristão para evangelizar?

A ciência tem se curvado diante da existência de Deus, queira ou não. Deus disse “Haja luz”, e houve luz. As coisas foram existindo pelo poder da voz de Deus. É óbvio que a menor partícula do universo teria que ser uma vibração sonora. Então, todas as coisas têm a marca daquele que tudo criou. Isso é um bom argumento para usarmos na pregação do Evangelho e falarmos do amor de Deus para as pessoas.

Qual o maior desafio da  neurociência hoje?

São muitos os desafios. Além de um entendimento mais amplo sobre as bases neuroanatômicas e funcionais do cérebro, é preciso avançar na compreensão e tratamento de doenças cerebrais. Para minha vida acadêmica, posso dizer que faz manter acesa a chama da investigação, já que ainda há muito para se descobrir. Para a vida religiosa, só reforça a fé em um Deus, que, na Sua infinita sabedoria, projetou e criou esse ser tão complexo chamado ser humano.

“Jesus e felicidade combinam. Vida cristã e sorriso no rosto têm tudo a ver, apesar de enfrentarmos dificuldades e desafios. Mas Deus prova isso com a ciência”

É possível debater a relação entre ciência e religião com crianças e adolescentes?

Sim, é possível. Basta usar uma linguagem acessível a esses públicos. Lancei o livro “Designer da Decisão”, que desafia o adolescente e o jovem a confrontar suas próprias escolhas e a planejar sua vida. A proposta é apresentar técnicas pautadas na ciência, fundamentais para uma vida madura e repleta de realizações. Além dessas técnicas, mostramos algo sobre corpo, profissão e relacionamentos, as três áreas que se apresentam como as mais desafiadoras em qualquer período da vida. Nossa conversa tem por objetivo trazer informações para que o leitor tenha mais controle sobre si mesmo e alcance uma vida com mais significado e realizações.

Você também publicou o livro “Neurociência da Felicidade”, que busca responder como ser inteiramente feliz. O que tem impedido tantas pessoas de serem felizes?

Nesse livro, tento mostrar que a felicidade não é simplesmente um estado de espírito, mas um conjunto de decisões que geram bem-estar e contentamento. Ser feliz é gostar de viver, e quem gosta de viver cuida da saúde, do corpo, dos relacionamentos e das emoções. A felicidade está relacionada com a tomada de atitudes positivas nas diferentes áreas da vida, persistindo em manter bons comportamentos em detrimento daqueles que prejudicam a nós mesmos e aos outros também. Dá para ser feliz mesmo em meios aos desafios da vida. Sentir-se triste é natural, pois somos confrontados constantemente. O que não precisamos é permanecer tristes. Se isso ocorrer, já pode ser considerado um quadro de depressão, patologia importante que precisa receber tratamento adequado. Quando falo desse assunto, gosto de levar as pessoas a considerar que todo evento do nosso corpo é comandado pelo cérebro. Então, somos resultado dos comandos cerebrais enviados para todo o corpo. Temos responsabilidade sobre o que pensamos de nós mesmos. Se os pensamentos forem negativos, provavelmente não teremos muito sucesso naquilo que empreendermos. Outra questão é que desde a eternidade Deus já sonhava com o seu nascimento e fez tudo de forma incrível para que você fosse feliz. Jesus e felicidade combinam. Vida cristã e sorriso no rosto têm tudo a ver, apesar de enfrentarmos dificuldades e desafios. E Deus prova isso com a ciência.


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