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terça-feira, 24 novembro 2020

Rodrigo Silva e arqueologia: as evidências que comprovam a fé e a Bíblia

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É possível usar a arqueologia, que desvenda o passado, para revelar um livro que interpreta o futuro? Para o pastor e arqueólogo Rodrigo Silva, essa é a ciência chave para comprovar a fé e a Bíblia. Veja a entrevista!

Por Priscilla Cerqueira

Em meio a esse turbilhão de medos, mortes e incógnitas que estamos vivendo por conta de uma pandemia que alastrou o mundo, uma coisa vem à cabeça: é uma questão de fé, de que tudo vai passar! Porém, a Palavra de Deus deixa claro sobre a necessidade do crente em se preparar para os acontecimentos descritos no livro sagrado.

Estamos falando do apocalipse, e a arqueologia é a ciência chave para descrevê-lo. Uma das maiores autoridades no Brasil em descobertas arqueológicas e a Bíblia, pastor Rodrigo Silva, da Igreja Adventista do Sétimo Dia é categórico em afirmar que o “evangelho vem das pedras”. Tudo porque “a arqueologia tem ajudado muito na compreensão da revelação bíblica de Deus”, explicou.

Em entrevista exclusiva à Comunhão, Rodrigo, que é doutor em Teologia Bíblica, pós-doutorado em Arqueologia Bíblica, mestre em Teologia e História, também apresentador do programa Evidências, na TV Novo Tempo, fala sobre como podemos usar a arqueologia, que desvenda o passado, para desvendar um livro que interpreta o futuro e até mesmo ajudar as várias vertentes da ciência em suas descobertas.

E que tudo isso só é possível por conta da existência de um Deus que é imensurável e inimaginável, que a nossa mente não consegue alcançar. Confira!

Como a arqueologia, que lida com o passado, pode ajudar a lançar luz sobre o que vai acontecer no futuro?
A arqueologia se dispõe a estudar as evidências materiais relacionadas de forma direta ou indireta a partir de relatos bíblicos ou evidenciados no texto das Escrituras judaico-cristãs. As descobertas arqueológicas nos ajudam a entender de onde viemos e até, de certa forma, qual será nosso futuro.

Os vestígios encontrados nos sítios arqueológicos desvendam o passado. Deus usou um estilo conhecido para inspirar especialmente Daniel e João a escreverem sua revelação numa forma que os contemporâneos pudessem entender. Nem sempre era fácil e muitas imagens são até hoje tema de debate.

Mas o Espírito Santo partiu do conhecido para revelar o desconhecido e assim descortinou para todos os que tivessem acesso à Bíblia a certeza que na marcha e contramarcha das nações existe um tecido invisível costurado pela providência divina. A arqueologia é como se fosse Deus falando, é a chave para entender apocalipse, que nada mais é a pregação, conversão. O apocalipse é Deus nos antecipando a última página da história desse mundo, e ele, bem entendido, sem sensacionalismo, trará um reavivamento espiritual na igreja.

Qual a maior contribuição da arqueologia para a igreja? E para a sociedade, o que já foi possível comprovar, através da ciência ao longo dos anos, o que já estava escrito na Bíblia?
A arqueologia tem ajudado muito na compreensão da revelação bíblica de Deus. As contribuições dessa ciência em relação à Bíblia nesses mais de dois séculos de existência são diversas. Ela traz luz sobre o significado de numerosas palavras bíblicas; aumenta nosso entendimento sobre certos pontos doutrinários do Novo Testamento e silencia progressivamente certos críticos que não aceitam a inspiração da Palavra de Deus. Através dela podemos determinar conceitos doutrinários como a divindade de Cristo ou a futura ressurreição dos mortos.

Também não se trata de dizer que a arqueologia “confirma” a Bíblia no sentido de ser superior à revelação, já que a maior confirmação deve vir de Deus, que é o verdadeiro autor das Escrituras. Mas ela lida com nosso intelecto pensante e nos ajuda a construir evidências para aquilo que acreditamos. A arqueologia é uma grande ferramenta de estudo, não apenas para contextualizar corretamente determinadas passagens da Bíblia, mas para confirmar a historicidade do seu relato.

Se a história bíblica é real, a teologia que se assenta sobre essa história também o será, por isso, Deus soprou aos profetas a ideia de escreverem um livro de histórias que confirmassem a ação divina em meio aos acontecimentos da humanidade.

Você participou de diversas pesquisas arqueológicas no mundo como escavações em Israel, Jordânia, Sudão Espanha. O que mais lhe fascina nas experiências que teve com a arqueologia bíblica?
Tomar nas mãos um artefato e saber que ele fez parte de uma história que eu sempre li e ouvi é fascinante. Um caco de cerâmica me diz muita coisa de cunho emocional. Imagino que a pessoa que fez aquele vaso viveu nos tempos da Bíblia e no local onde as histórias bíblicas ocorreram. Fico me perguntando: quem usou pela última vez esse objeto? Quem o fez? Será que ele conheceu pessoalmente a Jesus? São possibilidades que escapam ao método cientifico, mas a possibilidade me emociona, pois esta é a história do amor de Deus por mim. Rigor cientifico não pode ser influenciado por uma vontade emocional de se encontrar algo, mas também não pode se abster do significado de tudo aquilo.

Em algumas de suas palestras você declarou que “Bíblia e Jesus” é um assunto fascinante, que não tem como ficar neutro em relação ao nome de Deus. Por que?
É tudo uma questão de fé e nada mais. Muitos crentes pensam que a fé anula a necessidade de evidências. Não concordo, pois se a fé não demanda evidências, por que acredito na Bíblia e não no Alcorão? Tem de haver uma diferença racional entre ambos. Eu não acredito que milagres produzam a fé. Porém, vivendo nas limitações do lado avesso da eternidade, há muitas coisas que não entendo e muitas perguntas que não são respondidas. É aí que a fé me ergue com mais força. É como se ela me dissesse: “Lembra das coisas que Deus fez no passado? A história está em boas mãos”.

Deus permitiu que o raciocínio humano visse uma série de elementos lógicos que afunilando nos fazem chegar à revelação cristã. Se Deus falasse igualmente para todos, perderíamos a necessidade da comunhão uns com os outros. Logo, o mais coerente é que Deus escolha alguns dentre nós, revele a eles – em linguagem humana – suas verdades e estes nos transmitam com exatidão o que lhes fora dito. Estes seriam os videntes ou profetas (I Sam 9:9). Porém, reconheço que a experiência pessoal é muito subjetiva.

O modo que tenho de vencer a subjetividade é verificando no testemunho da história a veracidade do que foi dito. É neste sentido que a Bíblia salta diante dos olhos como o único livro sagrado de toda a humanidade que contextualiza historicamente suas afirmações. Ela nos convida a ver a ação de Deus na história, cujo ápice foi a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Nada é tão radical e provocador. É preciso muito esforço para negar o Jesus histórico e sua relação intrínseca com o Cristo da fé. Deus sujou seus pés na poeira desse mundo e deixou seu testemunho em forma de livro.

Nenhum outro clássico, jamais escrito pode provocar as mudanças e transformações de caráter que a Bíblia apresenta. Shakespeare toca nas emoções, Confúcio na espiritualidade, Freud no psiquismo e Einstein no raciocínio, mas só a Bíblia provoca conversão e novo nascimento. Uma vida realmente transformada pela leitura desse livro é um argumento que nenhum descrente é capaz de refutar.

Como vê “tentativas” dos cientistas em estabelecer datas para o retorno de Jesus, para o resultado final deste mundo, especialmente quando muitas pessoas buscam respostas na Bíblia?
Existem dois extremos que são igualmente perigosos para o crente. Um deles é a marcação de datas, ainda que indireta, que é feita por alguns mediante a exacerbação de algumas coisas que estão acontecendo. Qualquer novo líder religioso que surge já tem alguém para carimba-lo como sendo o anticristo.

Qualquer nova pandemia ou epidemia já é diagnosticada como a última, que vai trazer o fim da humanidade. A Bíblia nos adverte que quanto ao dia e a hora da volta de Jesus ninguém sabe.

A Palavra de Deus também nos aconselha a não perder de vista os sinais dos tempos. Devemos ter uma cosmovisão espiritual para interpretar os tempos solenes que estamos vivendo. Jesus falou que devemos estar sempre preparados e atentos à volta d’Ele.
Mais do que marcar cronologicamente qualquer ideia de quando Jesus voltará, devemos desejar ardentemente o Seu retorno.

Partindo da afirmação de que fé é acreditar na evidência de que Deus existe, então qual é o tamanho de Deus?
A pergunta se esbarra em nossa percepção dimensional, que é qualquer extensão mensurável, que determina a distância e porção de espaço ocupada por um corpo; tamanho, proporção, profundidade desde o ponto de vista de um observador.

O tamanho da Terra em relação ao universo observável é o equivalente ao tamanho do vírus da gripe em relação ao Sistema Solar! Se fosse mensurável a uma estatura maior que o universo, já seria algo inimaginável. Deus é muito mais que isso, é imensurável! A Bíblia o descreve como um Ser incomparavelmente misterioso, que a nossa mente não consegue alcançar.

Então, caso haja mesmo um Deus Criador do universo e tudo o que ele contém, sua essência tem de ser muito maior do que tudo que jamais poderia imaginar a mente humana. Tem de ser infinita e eterna. Deus não é coisa, teorema, muito menos objeto. Não existe um espaço que caiba Deus. De um modo maravilhoso, o eterno se fixou no tempo e o infinito coube num corpo humano, por isso, podemos conhecê-Lo, e na sua essência seria inimaginável para nós.

O que podemos aprender sobre o livro de apocalipse, que é tão temido por muitos? Poderíamos afirmar que Deus ainda age na história?
Apocalipse é a revelação de Jesus Cristo. É a forma de descortinar os bastidores da história e mostrar como Deus age nos negócios desse mundo. É Deus mostrando seu terno cuidado com o povo que está na terra.  Essa codificação do apocalipse se dá para amenizar a descrição que o profeta teve, pois ele viu coisas do futuro, a eternidade, o trono de Deus. Se descortinarmos os eventos da história deste mundo, contemplaremos a grande ação de um Deus que em sua providência age em favor dos seres humanos. Estamos numa guerra cósmica do bem contra o mal. As vezes para se libertar alguém de um sequestrador que está na mão de traficantes, a polícia tem que chegar fazendo muito barulho. Tudo isso não tem outro objetivo se não libertar um inocente. Deus está entrando em guerra com o mal, por isso este barulho. Ele virá e libertará o seu povo. Então, a certeza de que Deus agiu no passado, é a confiança de que agirá no presente.

Como a pandemia de Covid-19, bem como outros fenômenos globais, como terremotos, pragas e outros que já tivemos na história mundial podem ser entendidos pelo estudo profético bíblico? São fenômenos escatológicos?
Em Mateus 24, Jesus elenca alguns eventos que aconteceriam no mundo antes de sua vinda, as epidemias estão entre elas. Porém, há o constante destaque para o fato de que não é isso que determina a ação última de Deus. Ele falou de falsos profetas, guerras, rumores de guerras, mas advertiu que ‘ainda não é o fim’. Depois falou de terremotos, fomes e flagelos, que eram ‘princípio das dores’. Falou da pregação do evangelho a todo mundo em testemunho a todas as nações, aí sim: ‘e então será o fim’. Muitos cristãos estão sobrecarregados quanto aos eventos que ocorrem fora da igreja como fome, terremoto, epidemias, mas se esquecem do que deveria acontecer dentro da igreja. Interessante que no Novo Testamento há mais de 380 menções sobre a volta de Cristo Ainda que não seja exato, esse número pode nos dar uma ideia de qual deveria ser a ênfase de nossos púlpitos.

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