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sexta-feira, 1 julho 2022

Rock na igreja! Adoração ou destruição?

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Igreja Crash Church, em São Paulo, une pregação dos evangelhos com shows de rock, heavy metal. Foto: Isla Grossi

No Dia mundial do rock Comunhão levanta uma questão: crente pode ouvir música secular? E o diabo é mesmo o “pai do rock”, como foi rotulado por muitos anos?

Por Priscilla Cerqueira 

Rock’n’roll! Quem é fã desse ritmo de música pesada? Como música secular sempre atraiu muitos adeptos, mas e na música cristã? Há muitos jovens cristãos que gostam do estilo, mas por muito tempo o rock teve seu nome associado ao satanismo. Na década de 70, o cantor Raul Seixas chegou a declarar, em uma de suas músicas, que “o diabo é o pai do rock”.

Porém, algumas bandas foram surgindo no meio evangélico e surfando na contracultura do movimento hippie. Muitas delas e bem conhecidas como Oficina G3, Fruto Sagrado, Catedral, Resgate, surgiram no mercado com a intenção de levar a mensagem do evangelho aos jovens.

Nesse parâmetro, essas bandas provaram que igreja e rock podem andar lado a lado. Como hoje, 13 de julho, é o dia mundial do rock, e o estilo veio carregado como um rótulo de que o estilo não é de “Deus” e veio do mundo, Comunhão traz o seguinte questionamento: é lícito para os cristãos ouvirem música secular?

Na opinião do pastor da igreja Batista Betel, na Serra (ES), que tocou numa banda de rock por dois anos, música é sempre música. A questão é para onde ela aponta. Além disso, existem músicas seculares que falam mais do amor, do perdão e da comunhão do que muitas que são cantadas dentro das igrejas atualmente.

“Falar que não pode seria um legalismo, pois a música é arte. Se formos por essa linha de pensamento, crente também não deveria ver filmes seculares. Penso que o crente pode, mas nem sempre deve. Existem muitas músicas da atualidade que estimulam sexualidade, traição entre outros pecados condenados na Bíblia. Essas músicas sem dúvida devem estar fora da playlist de um cristão”, explica.

Rock na igreja

Sempre quando entra nesse assunto, pastores e líderes eclesiásticos, torcem o nariz, avessos a qualquer tipo de apoio ou condescendência ao ritmo. Muitos condenam o estilo, alegando que o som veio do inferno e pode ser associado a rebeldia. 

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pastor Marcos Faiock Bomfim. Foto: Reprodução/ Youtube

O rock tende a levar o indivíduo a estados pré-hipnóticos, por causa da batida cadenciada. Se isso ocorrer, dependendo do volume do som e do grau de envolvimento, a pessoa acaba sendo prejudicada em sua capacidade decisória, no juízo crítico e no raciocínio lógico. É nessa hora que os impulsos mais baixos tomam as rédeas e isso é a senha para que espíritos satânicos assumam completamente a direção. Além disso, a letra da maioria dessas músicas, o estilo de vida dos artistas e suas crenças são um mal disfarçadona tentativa de impor os valores do império das trevas”, declara o pastor Marcos Faiock Bonfim, da Igreja Adventista.

Pastor Ronaldo Carneiro, da Igreja Batista de Iconha (ES), destaca que os louvores precisam agradar a tão somente e exclusivamente à Deus. Ele é o único da plateia. E nem sempre isso é feito no estilo rock.

“A dificuldade do adorador roqueiro é trazer do mundo as audições do rock para dentro do culto, pois fica espetaculoso, irreverente. Vejo que alguns trajes não são apropriados para o culto. Também tenho dificuldade com o rock pesado, pois muitos fazem para aparecer e a música de adoração fica em segundo plano. Os adoradores usarão as músicas evangélicas como entretenimento ao que são usados na sociedade. Quem vai assistir vai para se divertir e no culto é para Deus exclusivamente”, explica.

Com 39 anos de ministério pastoral, o pastor Josué Amorim, da igreja batista Serra (ES) sempre lidou com essa questão com tranquilidade. Ele destaca que nesse caso é importante saber dos limites culturais. “Creio que o mais importante é a letra do que o estilo musical”, destaca.

E vai mais além: “Não existe música do diabo, existem letras cristãs, então é possível receber na igreja na igreja sim. Claro que numa igreja do interior isso será um escândalo, ao contrário de uma igreja urbana. Nesse caso, o estilo é secundário”, disse.

Dificuldades de apresentação

PG
Ex-integrante da banda cristã Oficina G3, cantor PG canta rock há 37 anos. Foto: Arquivo pessoal

Com 37 anos de carreira na música e sempre ligado ao rock, o cantor, compositor e pastor Pedro Geraldo Mazarrão, conhecido como PG, relata que sempre teve muita dificuldade em apresentar esse estilo na música cristã.

Ex-integrante da banda Oficina G3, uma das maiores do país no gênero gospel, o artista diz que as pessoas designaram o rock como um modo de vida e para ele, isso não tem nada a ver.

“O cristão verdadeiro não vive pelo estilo de música e sim pelo estilo de vida e o meu é servir a Cristo e nada mais. Eu faço isso tocando rock, que é o ritmo que eu gosto e ele pode sim, ser usado para adoração. O estilo não define a pessoa. Quem tem identidade ouve e toca o que gosta. No cristianismo isso é essencial. Não abrimos mão do evangelho, que é mais importante que o estilo de música. É Cristo que me faz, mas Ele me deu essa liberdade. Posso tocar o rock e vier em santidade. Isso é o mais importante”.

Pastor Fábio garante que o tempo em que tocou rock na igreja “foi uma excelente ferramenta de evangelismo, alcançando a atenção de pessoas ímpias que simpatizavam com o ritmo mas eram alcançados pelas letras”.

Crash Church: a igreja do rock em SP

É dentro de uma garagem em São Paulo que soam os acordes de Heavy Metal. A letra fala de Jesus Cristo e de salvação e seu palco é a Crash Church, uma igreja evangélica frequentada pelos apaixonados pelo rock’n’roll, que buscam a palavra de Deus através da música.

Como em um show de rock pesado, os frequentadores usam roupas escuras e sacodem fortemente a cabeça quando o baixo e a bateria começam a soar em uma sala pintada de preto e decorada com tribais brancos.

Ao contrário de alguns ministros evangélicos, o pastor Carlos Batista, fundador da igreja, usa calça jeans e tênis, tem tatuagens – todas com referências cristãs – que cobrem seus braços, brincos adornam suas orelhas e na barba exibe uma trança acinzentada de 4 centímetros.

Além de pastor, Batista é vocalista da banda cristão de death metal Antidemon e um dos fundadores desta igreja “não convencional” criada em 1998 por “necessidade divina”. “Isto faz parte de um plano de Deus para superar barreiras de formatos mais fechados e que deixavam de alcançar muitas vertentes da sociedade”, disse Batista.

Música é adoração

A música foi criada por Deus e colocada no homem para que este o adore com amor todos os dias e por toda a eternidade. Para o pastor Fábio Tristão, o problema não é o Rock, e sim o coração! Então, é possível adorar a Deus com esse estilo musical?

pastor Fábio
Foto: Arquivo pessoal

“Não só o rock, mas qualquer outro ritmo faz parte da arte da música e envolve questões culturais. No continente africano dificilmente teremos crentes escutando rock, mas eles vão escutar ritmos que possuem muita utilização de tambores, que foi rotulado por muitos legalistas na década de 90 como ritmos de terreiro de macumba, e mesmo assim é comum achar em grande maioria das igrejas bateria, percussão. Então, é possível sim adorar e celebrar a Deus com qualquer ritmo”, explicou.

Nada mais fácil para um ex-roqueiro se adaptar aos louvores com guitarras distorcidas, andamentos mais rápidos. Há muitas bandas sérias no que diz respeito a exaltação a Deus com Rock e outros ritmos.

É bem verdade que existem bandas que usam o Rock para rebeldia, satanismo, em contrapartida há pessoas usadas por Deus para destruir as obras do mal. Ou seja, Deus é maior que o diabo, “que usa todas as ferramentas possíveis para rebeldia e estimular o pecado. O rock é uma delas, porém pior do que o rock temos o diabo usando o dinheiro como um mal na vida de muitas pessoas”, argumenta o pastor.

O mundo jaz no maligno, mas em todas essas coisas somos mais que vencedores em Cristo Jesus. Paulo afirma em Rm 8:39 que nada poderá nos separar do amor de Deus. “Isto é, não existe comparação de grandeza com Deus, pois ele é o único criador enquanto o diabo apenas uma criatura”, acrescentou.

A música é uma arte que alcança lembranças, sonhos, feridas e alegrias. “Por isso devemos sempre escutar aquilo que nos direciona a uma adoração cristocêntrica”, argumenta pastor Fábio, que relembra do texto bíblico: “Quero trazer a memória o que me pode dar esperança” (Lamentações 3:21).

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