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quinta-feira, 20 junho 2024

Reforma Protestante de 1517

Por José Ernesto Conti

1. LEGADO
Para sermos honestos a “Reforma Protestante” não iniciou em 1517, pois desde o Cisma do Oriente que levou o mundo cristão a se dividir, em 1054, entre os ortodoxos e os católicos, passando por vários pré-reformadores como John Wyclif (1328 – 1384), na Inglaterra, Jan Huss (1375 – 1415), na Boêmia, Jerônimo Savonarola (1452 – 1498) na Itália (Florenza), que não se conformaram com vários erros doutrinários e principalmente com os desvios éticos e morais da igreja.
A maioria de nós não consegue mensurar, mas o mundo, como o conhecemos hoje, só é possível devido ao legado que este evento deixou nos âmbitos da religião, educação, cultura, artes, economia, política, ciência e muitas outras áreas.

Embora o secularismo tenha tomado conta do mundo atual e o registro da história, tenta encobrir os avanços conquistados por aqueles que lutaram pelas mudanças, a existência deste mundo (onde as pessoas têm a possibilidade de discordarem umas das outras e até mesmo da religião), só é possível por conta da transformação trazida pela Reforma Protestante.

2. PADRÃO
Desde os tempos bíblicos, uma das maiores preocupações dos Profetas e Apóstolos foi com a pureza da Igreja em sua doutrina e em seu proceder. Deus nunca abriu mão que o caminho da humanidade tivesse um padrão que garantiria sua sobrevivência como espécie humana. Vemos isso de forma clara nas cartas de Paulo às igrejas espalhadas no Novo Testamento para lembrá-los que os do “caminho” precisavam pautar suas vidas pelos ensinos de Cristo e que a sobrevivência da sociedade está diretamente relacionada com o grau de obediência a Palavra de Deus. Haverá momentos em que uma igreja será mais ou menos pura, a depender do quanto ela se dedica em obedecer aos ensinamentos de Cristo.

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3. MISSÃO TRANSFORMADORA
Uma das principais preocupações dos reformadores sempre foi em deixar marcas e frutos para a vida comum das pessoas. Eles se envolviam não apenas em assuntos considerados “espirituais” ou “de ordem superior”, mas se envolveram a tal ponto com a sociedade de sua época que os frutos da teologia eram percebidos na vida pública, de forma que em muitas áreas, suas ações sociais podem ser vistas até hoje. Não há cristianismo sem mudança (metanoia) séria de vida. Será que, hoje, temos o mesmo envolvimento com as necessidades do mundo à nossa volta?

4. PAIXÃO
Dentre os “5 solas da Reforma Protestante”: Sola Scriptura (Somente a Bíblia e toda a Bíblia); Solus Christus (Somente Cristo); Sola Gratia (Somente a Graça); Sola Fide (Somente a Fé); Soli Deo Gloria (Somente a Deus Glória), 3 dizem a respeito da paixão que devemos ter por Cristo, pela sua Palavra Revelada nas Escrituras, e pela Glória de Deus.
A grande importância dos reformadores foi resgatar a paixão pelas coisas de Deus. A religião havia se tornado algo formal, legalista, que usava o sobrenatural para amedrontar o povo. Lutero, Calvino, Zwinglio, Melanchthon, Knox, Martin Bucer, e tantos outros homens de Deus, resgataram a simplicidade do Evangelho, mostrando para o povo que não deveriam ter “medo” de Deus.
Na Dieta de Worms em 1521, na defesa de Lutero ele disse que: “Estou preso pelas Escrituras que citei e minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Não posso e nem vou retratar-me de nada, pois não é seguro, nem correto contrariar a consciência. Não há nada mais que eu possa fazer. Aqui permaneço. Que Deus me ajude. Amém.”

– Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir.

Vivemos tempos em que muitas igrejas têm sido tomadas pelo culto a personalidades, em que as pessoas estão cada vez mais apaixonadas por ícones da cultura, por si mesmas e pela glória deste mundo.

E a Reforma nos convida a resgatarmos a nossa paixão por Cristo, pelas Escrituras e pela glória de Deus.

5. ATUALIDADE
Um dos mais conhecidos motos da Reforma Protestante é: “Igreja reformada, sempre se reformando”. A igreja é dinâmica sem perder sua identidade. Não negociamos as verdades estabelecidas na Palavra de Deus, porém deve estar sempre atualizada com a evolução da sociedade, para responder de forma real às necessidades de cada época.

Um dos erros principais da igreja antes da reforma foi tentar manter-se como uma entidade espiritual, como se seus representantes fossem revestidos de uma aura especial que os tornavam em pequenos deuses ou seres angelicais.

Ao mostrar que além de serem homens normais, ao usar a cultura do povo (Lutero usava músicas populares com letras bíblicas para transmitir a verdade da Palavra de Deus), permitiu que o conhecimento bíblico fosse divulgado por todas as camadas da sociedade e a cada nova geração, o evangelho foi se adaptando, remodelando e se tornando relevante para cada cultura, sem nunca perder sua atualidade.

Soli Deo Gloria!

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