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Rede social: impacto na saúde mental dos adolescentes

“A opinião das outras pessoas tem uma influência subjetiva muito grande, assim como aquilo que se lê, que se assiste, e aqui entra os conteúdos online”

Por Patricia Scott 

O universo adolescente está diretamente ligado às redes sociais. Por isso, a Meta, que controla o Facebook e o Instagram, iniciou, em 2024, um plano com diretrizes de proteção a esse público em seus aplicativos. Assim, de acordo com a big tech, dentre as iniciativas, determinados conteúdos sensíveis serão ocultados conforme a idade do usuário. O objetivo é minimizar o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens.

A psicóloga Alice Munguba, especialista do núcleo infantojuvenil da Holiste Psiquiatria, considera a medida muito importante. Isto porque a adolescência é um período de formação em que os limites entre o real e o virtual se confundem.

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“A adolescência é uma fase em que há uma valorização muito maior do outro, o grupo de amigos passa a ter uma importância enorme”, pontua, acrescentando que “muitas vezes, os adultos esquecem de que nesta etapa de formação da personalidade, a opinião das outras pessoas tem uma influência subjetiva muito grande, assim como aquilo que se lê, que se assiste, e aqui entra os conteúdos online sobre automutilação, distúrbios alimentares, entre outros assuntos que serão restringidos pelas redes sociais”.

Na visão de Alice, é importante que empresas de tecnologia tenham o compromisso de limitar o conteúdo sensível, que veiculado e propagado virtualmente podem afetar os adolescentes. “Apesar do controle sobre uso das redes sociais ser uma responsabilidade dos pais, elas também precisam atuar nessa questão, mesmo que se saiba que existam outras implicações – como o cyberbullying e o cancelamento – que envolvem outros cuidados, às vezes até mesmo do ponto de vista legal ou de saúde”.

Já a psicóloga Daniela Araújo, coordenadora do Núcleo Infantojuvenil da Holiste Psiquiatria, relata que cada vez mais adolescentes chegam aos consultórios com episódios de sofrimento emocional ligados ao desequilíbrio entre o mundo real e o virtual. “Os profissionais de saúde mental estão recolhendo algumas consequências, e acredito que este é o futuro. Percebemos que os jovens chegam infectados pelo mundo imaginário das redes sociais e despreparados para a realidade das relações humanas, que é a diferença, a dificuldade de conviver”.

Dessa forma, com a predominância das relações online, inclusive nas expectativas sobre o futuro, já que muitos adolescentes sonham em viralizar, em se tornarem influenciadores digitais, ser cancelado nas redes, torna-se um gatilho real e pode desencadear transtornos mentais. Vale destacar que, além disso, a adolescência representa um período de vulnerabilidade, já que é a etapa de construção da personalidade, então perder a aprovação online, é assustador.

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Assim, a não compreensão da diferença entre o virtual e o real pode abalar e desencadear situações de sofrimento mental. “Não é à toa que muitos jovens estão desistindo dos estudos porque conviver coletivamente se tornou fonte de uma ansiedade incapacitante”, observa Daniela.

As psicólogas acreditam que os efeitos da alta exposição e a presença no ambiente virtual mostrarão cada vez mais as potencialidades e as consequências nocivas. Para esta constatação basta analisar que as telas entram cada vez mais cedo na vida das crianças. Para os pais, “o ideal é sempre buscar o equilíbrio entre os jogos online e as brincadeiras presenciais”.

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