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quinta-feira, 18 agosto 2022

RAIVA: Como geri-la saudavelmente!

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A raiva (ou ira) é um sentimento, uma reação orgânica. Para lidarmos com ela, de forma saudável, não devemos alimentá-la, nem ignorá-la

Por Clovis Rosa Nery

Se você sente raiva, não a estimule, nem a negue. Vai lhe fazer mal. Você estará “roendo os próprios ossos”. Com o tempo, poderá surgir um quadro psicopatológico, perturbador compulsivo da alma. Contudo, ao demonstrá-la, faça com prudência e moderação, se possível, em um ambiente seguro, administrando sabiamente a sua fúria. Do contrário, as consequências intrapessoais e interpessoais serão danosas.

Mas como exercer prudência e moderação nesses dias turbulentos? Aqui vai uma dica simples que fiz constar em meu livro O segredo para viver feliz (CURITIBA: JURUÁ, 2019, p.27):

Se você é tranquilo, daqueles que não apressam o rio da vida, avalie as circunstâncias. Persistindo a inquietação, não aja imediatamente e, se possível, ouça os conselhos de seus melhores amigos. Se você é enérgico e independente, na dúvida, procure conter-se, adie sua decisão, continue em oração, e espere pelo momento mais oportuno.

Isso é autodomínio, um comportamento próprio dos fortes. Seguindo o conselho acima, o organismo aprenderá com a repetição e você, certamente, encontrará a melhor saída, livre de armadilhas.

Se há mais um segredo aqui é o do autoconhecimento que, diante de situações difíceis, permite-nos o autodomínio. Então, não prolongando o estado de animosidade da alma, colocamos em prática as orientações do apóstolo Paulo: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Efésios 4: 26).

A Bíblia apresenta situações negativas, de irar e pecar; e, também, positivas, de irar e não pecar. O pior exemplo de ira acompanhada de pecado é o de Caim. Com certeza, o melhor exemplo de irar e não pecar, encontramos em Jesus. Vejamos:

CAIM: “[…]. Pelo que se irou Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que está descaído o teu semblante? Porventura, se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, […]. Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou” (Gênesis 4: 5 a 8). Infelizmente, Caim estimulou a sua raiva. Resultado: mesmo sendo alertado por Deus, Ele atentou contra a vida de um justo, manchando de sangue o limiar da História.

JESUS: “[…] viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. Aos que vendiam pombas disse: “Tirem estas coisas daqui! […]” (João 2: 14 e 15). A prática, uma regulação da Lei Mosaica (Deuteronômio 14), fora corrompida. Por causa da ganância comercial o povo era explorado e a adoração sufocada. Com autodomínio, o Mestre agiu sensatamente, não ignorando, nem estimulando a Sua raiva. A ordem “Tirem estas coisas daqui!” comprova isso.

Em tempos de crise, com os ânimos exacerbados e a paciência esgotada, se vivermos à revelia do Espírito de Deus, seremos dominados pela raiva, e experimentaremos um descontrole emocional de proporções e resultados imprevisíveis. Para evitarmos tragédias, como a de Caim, é necessário “procedermos bem”. Para imitarmos a Jesus, precisamos andar sempre com Ele.

Clovis Rosa Nery é psicólogo, pesquisador e escritor.

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