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segunda-feira, 3 agosto, 2020

Que falta faz uma autocrítica…

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Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?

Uma das passagens mais conhecidas dos Evangelhos é a orientação rigorosa e incontornável de Jesus para que façamos autocrítica. Ele disse: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.” (Mateus 7.3-5, NVI)

A versão popular destas palavras são: “Cada vez que você aponta o dedo para alguém está apontando três dedos para si”. Temos um texto bíblico de cerca de dois mil anos, temos um dito popular, mas na prática não mudamos muito. Continuamos apontando os erros dos outros e nada de olharmos no espelho.

A minha percepção é que a sociedade em geral, e a igreja em particular, não leva a sério o que recomenda o texto bíblico e o dito popular. Veja, por exemplo, as guerras de narrativas, as versões discursivas que os atores da política nacional produzem. Na minha opinião, um dos males mais nocivos presentes no debate público, produzido em anos recentes, foi a ruptura feroz da coesão social. Em outras palavras, o acirramento das divisões, especialmente a do “nós contra eles”.

Uma expressão essa guerra é o uso de “Gabinete do ódio” nas falas e matérias jornalísticas do campo político. “Gabinete do ódio” é como são chamados os três servidores/assessores do vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. São eles: Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. Eles produzem relatórios diários com suas próprias opiniões sobre o mundo político e cuidam das redes sociais da Presidência da República.

Do modo como eu vejo, a instilação do “ódio” no país não começou neste Governo – e aqui não o estou justificando nem defendendo. Que fique claro que o meu ponto é a autocrítica e estou usando como objeto de análise a guerra de narrativas, que arrasta gente que não presta atenção a esses detalhes.

Depois de sua posse em 2002, Lula, que sempre falou pelos cotovelos, repetiu ad nausean a expressão: “Agora eles vão ter que…”, “as elites não querem que vocês…” e expressões simulares, sempre insistindo em uma divisão entre “nós” e “eles”. Qualquer pessoa de bom senso reconhece isso; não precisa ser sociólogo.

Pouca gente imaginou que a repetição desse mantra alimentaria a imaginação popular e a militância. Os novos coletivos e os movimentos iniciados no período posterior já surgiram engajados no combate a esse “grupo” que supostamente não queria a ascensão dos pobres, dos pretos e dos sem escolaridade. O “ódio ao outro” nasceu ali, se tornou adolescente nos governos seguintes e hoje é um adultinho mimado que não quer engolir o remédio que antes queria administrar “ao outro”.

Por “gabinete do ódio”, agora, são rotuladas todas as diferenças ideológicas, todas as pautas “do outro lado”, todas as rivalidades sociopolíticas e nada de serem apresentadas propostas conciliatórias e visando o bem comum.

A bem da verdade, não adianta repetir que há um gabinete do ódio imaginário sem que se faça autocrítica. Deixar de reconhecer a participação de cada um na incitação ao ódio só irá produzir um efeito bastante previsível: descrédito. A repetição de certas expressões da moda, como se costuma fazer, apenas para ficar bem na foto, não dará a menor contribuição para a melhoria, para o avanço nem para o fortalecimento do povo nem do país.

Magno Paganelli é Doutor em História Social (USP) e Mestre em Ciências da Religião (Mackenzie). É escritor e um dos idealizadores do Movimento Paz para Todos. #pazparatodos. Inscreva-se no Youtube e acompanhe conteúdos bíblicos: www.youtube.com/c/magnopaganelli

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