Crise econômica, resposta violenta do regime e pressão internacional intensificam mobilizações em todo o país; líderes cristãos e organizações internacionais alertam para o cenário de vulnerabilidade da Igreja
Por Patricia Scott
Há 14 dias, milhares de iranianos têm ocupado ruas e praças para protestar contra o regime islâmico e o agravamento da crise econômica. Desde 28 de dezembro, ao menos 340 manifestações foram registradas em todo o país, segundo a Human Rights Activists News. A reação do governo tem sido marcada pela repressão: mais de duas mil pessoas foram presas e pelo menos 38 morreram durante confrontos com as forças de segurança.
Na tentativa de conter a mobilização, o regime bloqueou o acesso à internet em todo o território nacional, conforme informou o grupo de monitoramento NetBlocks na quinta-feira (8). Ainda assim, os protestos continuam a se espalhar pelas 31 províncias iranianas, reunindo milhões de pessoas que pedem a queda do regime e entoam palavras de ordem contra o líder supremo, Ali Khamenei. No entanto, o Irã ameaça os manifestantes com pena de morte.
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Líderes cristãos e organizações internacionais alertam que o cenário de instabilidade pode agravar a perseguição religiosa no Irã. Para Edwin Abnous, do ministério Heart4Iran, cristãos correm risco de serem associados ao Ocidente e tratados como inimigos do Estado. Segundo ele, líderes de igrejas domésticas, novos convertidos e pessoas com atuação online ou contato com cristãos no exterior estão entre os mais vulneráveis a prisões, espionagem e acusações ligadas à segurança nacional.
A dimensão social dos protestos também chama atenção. De acordo com Lana Silk, da missão Transform Iran, esta é a maior onda de manifestações desde 2022, com participação muito mais ampla da população. Trabalhadores e famílias têm ido às ruas impulsionados pelo impacto direto da inflação, que subiu 42,2% em relação a dezembro de 2024, segundo dados oficiais. A alta dos preços tem forçado muitos iranianos a escolher entre alimentação, aquecimento no inverno ou cuidados médicos básicos.
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Direito à fé em debate: STF avalia pedido de Bolsonaro - Bolsonaro pede assistência religiosa no cárcere, gerando controvérsia e repercussão política. O STF avalia o pedido Analistas apontam ainda a influência de fatores externos no fortalecimento do movimento. Ataques israelenses a instalações nucleares iranianas no ano passado e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo reação militar caso manifestantes sejam mortos, alteraram o cenário político. Mesmo com o bloqueio da internet, o movimento segue crescendo, impulsionado por apelos do príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi, que convocou atos simbólicos contra o regime.
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Majoritariamente muçulmano, o Irã mantém severas restrições à liberdade religiosa, proibindo igrejas, Bíblias e o evangelismo. Cristãos identificados, especialmente ex-muçulmanos, podem enfrentar prisão e tortura sob a Sharia. Ainda assim, relatórios indicam que a igreja clandestina continua em expansão. O país ocupa atualmente a 9ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Missão Portas Abertas, refletindo o alto nível de risco enfrentado por cristãos iranianos. Com informações CBN News e Mission Network News
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