Após protestos no Chile voos foram cancelados

Pessoas aguardam a normalização das atividades no aeroporto em Santiago (Foto: Ana Paula Calmon)
Pessoas aguardam a normalização das atividades no aeroporto em Santiago (Foto: Ana Paula Calmon)

O Exército chileno tomou as ruas de Santiago após atos violentos da população. Além disso, aeroportos foram fechados e voos cancelados

O Chile enfrenta uma onda de ações violentas desde a última semana. Já são contabilizados três mortos, mais de 300 detidos e uma onda de incêndios e saques. Além disso, aeroportos foram fechados, voos cancelados e muitos metrôs vandalizados.

Desta forma, o Exército chileno foi às ruas para manter a ordem na capital, Santiago, tomou o controle das ruas depois de um dia de violentos protestos contra a alta na passagem das tarifas de metrô.

Ao todo, quase 10 mil membros das Forças Armadas estão realizando o patrulhamento. Santiago e outras regiões do país, como Valparaíso e Concepción, estão sob toque de recolher.

Tudo começou por conta de ajustes no valor do bilhete do metrô da capital chilena que passaria de US$ 1,12 para US$ 1,16. Diante das manifestações, o aumento foi suspenso no sábado (19).

Brasileiros no Aeroporto 

A brasileira Ana Paula Calmon está no Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítezem em Santiago, Chile. Acompanhada do esposo, Ernandes Macedo, tiveram o voô de volta ao Brasil cancelado nesse domingo (20). Ana Paula relatou na segunda (21) que não há previsão para o embarque.

“As coisas aqui estão bem complicadas, dormimos no aeroporto, talvez vamos embora hoje a noite, se não tiver toque de recolher”, destaca. Por conta disso, não existe uma previsão de volta para o casal que segue no aeroporto.

A brasileira relata ainda casos de muitas pessoas que estão na mesma situação. “São todas as pessoas que tiveram seu voo cancelado ontem só de uma companhia”, conclui.

Pessoas que tiveram seu voo cancelado nesse domingo (21) de uma companhia (Foto: Ana Paula Calmon)
Pessoas que tiveram seu voo cancelado de uma companhia nesse domingo (20) (Foto: Ana Paula Calmon)
Outras causas

Os protestos se intensificaram na última sexta-feira (18) e os chilenos expressam insatisfação com as políticas do governo Piñera.

Além do transporte, os chilenos reclamam do sistema previdenciário administrado por empresas privadas, o custo da saúde, o deficiente sistema público de educação e os baixos salários em relação ao custo de vida.

Estado de emergência

As províncias de Santiago e de Chacabuco, assim como as comunas de Ponte Alta e São Bernardo foram as mais prejudicadas. Cerca de 19 estações de metrô foram incendiadas, houve saques em supermercados e lojas e destruição de agências bancárias, em meio a panelaços pela cidade.

A escada externa de emergência do edifício central da companhia elétrica Enel, próximo ao Cerro Santa Lucía, um dos principais pontos turísticos da capital chilena, foi incendiada. O Corpo de Bombeiros confirmou que o incêndio foi intencional.

Já no sábado (19), as regiões amanheceram em estado de emergência decretado pelo presidente Piñera. Ele voltou ao palácio presidencial de La Moneda, para se encontrar com os ministros da Defesa, lberto Espina, e do Interior Andrés Chadwick. Designado para chefiar do estado de emergência, o general Javier Iturriaga descartou a possibilidade de decretar toque de recolher.

O prejuízo foi muito grande. No total, 41 estações de metrô foram vandalizadas. Foram registrados 156 policiais feridos e, até o momento, existem 11 ocorrências de civis feridos.

*Da redação, com informações da Agência Brasil.


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