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domingo, 5 julho, 2020

Projeto pretende unir e decifrar fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto

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Milhares de anos depois de terem sido escritos, parte dos Manuscritos do Mar Morto foram digitalizados e estão disponíveis online. O projeto envolveu o Google e a Autoridade de Antiguidades de Israel. Ao todo, são mais de cinco mil fragmentos e imagens escaneados em altíssima resolução.

Descobertos em uma gruta na região de Qumran, em Israel, no ano de 1947, os pergaminhos são as cópias do Antigo Testamento mais antigas conhecidas. Também há alguns textos apócrifos e relatos sobre os essênios, grupo que os compilou. Eles ficam guardados no Museu de Israel, sendo raramente expostos ao público, devido aos cuidados necessários por causa do seu estado de conservação. Geralmente, apenas um reduzido número de estudiosos podia consultá-los.

Para diminuir as críticas e tornar o material acessível ao maior número de pessoas possível, as autoridades israelenses investiram para deixar tudo online. Será possível a qualquer pessoa que leia hebraico antigo verificar como o texto bíblico permaneceu virtualmente inalterado, uma questão que sempre gerou muita especulação.

Agora, um grupo de técnicos em computação, além de arqueólogos de Israel e da Alemanha está criando um projeto para digitalizar todos os fragmentos dos Rolos do Mar Morto. A ideia é que essa plataforma digital ofereça a estudiosos de todo o mundo os milhares de “pedacinhos” dos manuscritos antigos que ainda não eram conhecidos do grande público. Serão mais de 20 mil fragmentos disponíveis em breve.

Um representante da Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) explica que a nova iniciativa é uma colaboração deles com a Academia de Ciências e Humanidades de Göttingen (Alemanha), a Universidade de Haifa e a Universidade de Tel Aviv. O objetivo desta nova etapa de digitalização é “criar um ambiente de trabalho dinâmico e virtual para o estudo de uma das descobertas mais importantes do século XX”.

Segundo a Agência de Notícias Judaica, o investido foi de 1.765.000 dólares. Os recursos são financiados pela agência Deutsch-Israelische-Projektförderung (DIP).

Resultados
Entre os principais resultados da iniciativa estão a criação de um espaço de trabalho virtual e melhorado que permitirá aos acadêmicos de todo o mundo trabalhar em conjunto simultaneamente. Eles terão uma nova plataforma para estudo e publicação de pesquisas sobre os Manuscritos do Mar Morto.

Reunir os fragmentos que se assemelham a um quebra-cabeça gigantesco cujas peças estão degradadas pelo tempo. A Biblioteca Digital Leon Levy de Pergaminhos do Mar Morto já está no ar. As novas fotografias acrescentadas a ela utilizam as técnicas de fotografia mais recentes, conhecidas como imagem multiespectral.

Cada fragmento, alguns medindo apenas milímetros, é fotografado dos dois lados, com 12 diferentes comprimentos de ondas eletromagnéticas – sete visíveis e cinco invisíveis ao olho humano, próximas ao infravermelho.

O doutor Pnina Shor, curador do projeto, explica que “após mais de 2 mil anos, algumas das palavras tornaram-se ilegíveis sob luz normal. Com a luz infravermelha, no entanto, podemos voltar a ver estes textos antigos, e de novas maneiras”.

Os pesquisadores explicam que as técnicas de imagem utilizadas agora ajudam a revelar novos detalhes. O software utilizado por eles pode ajudar a reunir muitos textos dos manuscritos que ainda permanecem um mistério.Ele faz uma identificação automática de letras e palavras, o que também está acelerando na tradução dos textos. Até recentemente, tudo isso era feito manualmente por apenas cinco especialistas. Em alguns casos, a escrita está obscurecida e ilegível. Essas técnicas de fotografia irão revelar o seu conteúdo pela primeira vez.

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