O evangelismo de rua do Projeto Maltrapilho

Cerca de 100 pessoas participam do culto na rua, que acontece a cada 15 dias em Vila Velha (ES). Foto: Jeniffer Prates

Fundado em 2015, projeto resgata a fé, promove o bem-estar e a cidadania da população em situação de rua. Líderes sofreram acidente automobilístico na última segunda (15). Saiba como ajudar!

Há quatro anos, o missionário João Marcos Valvassori Ferreira decidiu compartilhar as boas novas de Jesus Cristo com moradores em situação de rua e convidá-los a acreditar. Além da palavra de Deus, o empreendedor social atentou para levar assistência e informação às pessoas alcançadas, geralmente, com apoio de igrejas e residentes dos bairros ao entorno da ação.

O trabalho evangelístico nasceu em Vila Velha (ES). Com o passar do tempo, o sucesso da iniciativa expandiu-se em cooperação com o desenvolvimento comunitário de bairros com diferentes carências na cidade e até por outros municípios capixabas. Atualmente, há uma base em Cariacica.

Em 2015, ao fundar o Projeto Maltrapilho, Valvassori concentrou esforços nas manhãs de domingo, debaixo da Terceira Ponte, em Vila Velha, onde o projeto oferece dinâmicas diferentes desde café da manhã, oração, informações sobre saúde, arte e cultura para a população em situação de rua.

Valvassori passou a treinar voluntários para ampliar as atividades semanais com o público carente, incluindo, atendimento a profissionais do sexo por conta da orla, com orientações e informações sobre saúde e outras necessidades básicas. Da proximidade com os moradores e o conhecimento da realidade das ruas, surgiu o atendimento a pais e crianças vulneráveis.

O Projeto Maltrapilho realiza também conexões com serviços sociais como centros de reabilitação, família, entre outros.

As ações incluem trabalhos de reforço escolar e cursos profissionalizantes (gestão empresarial; empreendedorismo; design de sobrancelhas; maquiagem; e depilação).
Na pauta de sonhos, Valvassori inclui uma biblioteca comunitária.

“Quando falamos de evangelismo de rua, temos os que encorajam, os que ficam ansiosos para colaborar de alguma forma e temos os que querem nos desanimar, isso, dentro e fora da igreja. Jesus, que foi o melhor pregador na história do universo, curiosamente, saiu do caminho padrão (dos formatos tradicionais de evangelização) para acionar as pessoas com a verdade, estivessem onde estivessem, independente do que tinham feito, de quem eram ou tinham sido”, destaca o missionário, lembrando que como resultado, Jesus foi rejeitado por muitos.

“A rejeição que Jesus experimentou não significa ineficácia. A eficácia não é baseada na reação do incrédulo. Na proclamação do Evangelho, seja por meio de suprimentos como pão ou palavra, as pessoas são levadas a Cristo, independentemente de como elas respondem. Pode parecer loucura (1 Co 1.18). Mas fazer a nossa parte é fundamental. O papel do cristão é compartilhar o evangelho (Romanos 10.13-15 ) e cada um faz isso conforme o seu chamado. Esse é o meu”, afirma.

Pregar o evangelho a toda criatura 

O ide de Jesus Cristo referia-se, verdadeiramente, a todas as pessoas. O trabalho evangelístico de rua é penoso, mas muito gratificante, segundo o missionário João Marcos Valvassori Ferreira, fundador do Projeto Maltrapilho.

Foto: Jeniffer Prates

“As ações sociais também comunicam a mensagem do Evangelho. Atualmente, organizamos a pregação ao ar livre, com culto e até Santa Ceia, que chamamos de Igreja na Rua (acontece quinzenalmente).

Temos cerca de 100 membros frequentes. O mais, discipulado e aconselhamento, referenciamos à igreja local para acompanhamento”, explica Valvassori que é membro da Igreja Presbiteriana do Brasil na Praia da Costa, em Vila Velha.

“Cristo Jesus não veio ao mundo para salvar os pecadores (1 Timóteo 2.15)? O foco é menos em fazer e mais em ter um coração para pronto para servir. Isso é evangelismo. Trata-se de querer aproveitar as oportunidades para compartilhar Cristo por causa de quem é Cristo e o que Ele fez. O evangelismo de rua é uma oportunidade de compartilhar quem é Cristo e o que Ele pode fazer por essas pessoas. Somos apenas instrumentos dessa revelação e temos obrigação de olhar para todos, sem distinção, como Cristo fez”, reforça.

As ações são mantidas com ofertas e doações. Há também a comercialização de camisetas que contribuem com as despesas fixas da obra voluntária. As encomendadas de artigos do vestuário podem ser feitas pelas redes sociais do projeto.

Acidente e doação

Na última segunda (15), uma mancha de óleo na rodovia Régis Bittencourt, entre São Paulo e Curitiba, resultou em grave acidente, em Cajati (SP), envolvendo João Marcos Valvassori Ferreira e sua esposa, a fotógrafa Jeniffer Almeida Prates, também empreendedora social e voluntária no ministério.

O casal ficou ferido após o veículo em que estavam capotar quatro vezes. Além de escoriações pelo corpo, Valvassori e a esposa sofreram lesões na coluna e foram encaminhados para Pronto Socorro em Pariquera-Açu (SP). Segundo o Corpo de Bombeiros, a extensão de óleo derramado ainda resultou em outros quatro capotamentos.

Após o acidente, as vítimas ainda foram saqueadas, perdendo objetos pessoais e outros destinados a venda e arrecadação de fundos para o projeto. Roubos e violência são denunciados há anos neste trecho da rodovia.

O veículo que o missionário conduzia era emprestado. Além de restituir os prejuízos ao proprietário, o casal terá de recomeçar tudo. Valvassori e Jeniffer ficaram apenas com a roupa do corpo.

“Decidi fazer o trabalho evangelístico com os moradores de rua, pois esse foi o trabalho que o Senhor colocou em meu coração quando eu buscava uma resposta ministerial para minha vida. Iniciamos o projeto com duas pessoas, hoje são cerca de 30 voluntários que se revezam nas ações”, relata o missionário, que precisa de ajuda.

Saiba mais sobre o projeto aqui

PARA DOAR

Bradesco
Ag 1808
Conta Poupança 1001017-9
João Marcos Valvassori Ferreira
CPF 74003224191

Caixa Econômica Federal
Ag 2161
Operação 013
Conta Poupança 28198-4
Jeniffer Almeida Prates
CPF 13550334621
Telefone para informações e doações: (27) 99523-4805

*Com colaboração da jornalista Elen Almeidah


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