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segunda-feira, 1 março 2021

Profeta à mesa do rei?

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A Igreja de Jesus Cristo tem sobre si a responsabilidade de ser a voz profética que denuncia o pecado e toda sorte de injustiças. Assentar-se à mesa do rei torna a Igreja inoperante.

Diz o adágio, revelando a sabedoria popular, que um profeta jamais deve sentar-se à mesa do rei. A lógica é clara: haverá imparcialidade da parte do profeta para denunciar as injustiças do rei com quem se banqueteou?

Desde os tempos do Antigo Testamento, alguns profetas têm buscado dirigir ao rei apenas palavras agradáveis, evitando confrontar as ações do rei. Todavia, o verdadeiro espírito profético exige que a verdade seja exposta, seja ela agradável ou não às autoridades, como revela o caso dos reis Josafá e Acabe, e o profeta Micaías (cf. 1 Rs 22).

A Igreja de Jesus Cristo tem sobre si a responsabilidade de ser a voz profética que denuncia o pecado e toda sorte de injustiças. Assentar-se à mesa do rei torna a Igreja inoperante. Ela perde sua autoridade e negocia sua vocação de ser a bússola moral para a sociedade.

Quando tentaram enredar Jesus com suas próprias palavras acerca do imposto a César, ele respondeu: “Deem a César o que de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Sua resposta mostra claramente a distinção entre as esferas civil e eclesiástica. E a História tem demonstrado que quando essas duas esferas se confundem, como se fossem uma só, as coisas não vão bem…

De perseguida pelo Estado – como durante os governos de Nero, Domiciano, Trajano, Marco Aurélio, Sétimo Severo, Décio e Diocleciano – a Igreja passa a ser aceita pelo Estado, com Galério (311), Constantino e Licínio (313), e, depois, sua fé é imposta como oficial por Teodósio I (381). Mas isso teve o seu preço, e o final das perseguições trouxe consigo alguns efeitos colaterais: a ingerência do Estado em questões eclesiásticas. Foi o Imperador, e não um Bispo, que convocou o Concílio de Niceia. Elementos pagãos do culto ao Imperador foram introduzidos na liturgia cristã. A Igreja perdeu a sua identidade peculiar. Com isso, perdeu juntamente a autoridade para denunciar os pecados do Estado.

A linha entre o respeito devido às autoridades (Rm 13.1-7) e a aliança entre a Igreja e o Estado pode ser mais tênue do que parece. Mas nunca se deve esquecer que, quando o Estado não está em conformidade com a vontade de Deus, “importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Essa posição de independência da Igreja não pode ser negociada, mesmo diante dos maiores privilégios.

Se quisermos que a igreja evangélica brasileira permaneça pura, tendo independência para fazer uso legítimo de sua autoridade, ela jamais deve ser confundida com o Estado; da mesma maneira que o Estado não deve adotar um modelo teocrático para agradar à Igreja, visto que seus governantes estão a serviço de toda a população, independentemente do credo de cada um. A união que não respeita os papéis designados por Deus para ambas as esferas é promíscua e gera morte.

Evidentemente, a separação entre a Igreja e o Estado não implica separação entre o cristão e a política. A própria Bíblia tem diversos exemplos de homens e mulheres de Deus influenciando significativamente os rumos políticos da nação.

Thiago Titillo é pastor batista, pós-graduando em História do Cristianismo e do Pensamento Cristão e Especialista em Teologia Bíblica e Sistemática-Pastoral, graduado em Teologia e licenciado em Letras. Professor da rede estadual de ensino (SEEDUC-RJ) e dos Seminários Teológicos Betel e Evangélico Peniel

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