Professores cristãos são treinados para evangelizar nas escolas sem ferir a Constituição

As escolas públicas dos Estados Unidos dispensaram religião de sua grade curricular de forma integral.

A fim de reverter esse quadro, a Associação Internacional de Educadores Cristãos, uma organização que encara as escolas públicas do país como “o maior campo missionário da América”, reuniu professores cristãos para capacitá-los a evangelizar nas escolas públicas sem entrar em conflito com a Constituição do país.
“Nós não estamos falando sobre proselitismo, isso seria ilegal. Mas estamos dizendo que você pode fazer muitas coisas. É um campo missionário onde é possível pescar de formas diferentes”, disse Finn Laursen, diretor do grupo.
As autoridades norte-americanas têm lutado para mudar o papel da religião no ensino público, colocar limites legais de expressão no discurso dos professores. No entanto, Laursen e seus colegas estão enfrentando uma das questões mais preocupantes na vida americana.
“Eles parecem estar encorajando os professores a cruzarem a linha”, disse Daniel Mach da União de Liberdade Civil Americana, que lutou contra a Associação Internacional de Educadores Cristãos em 2009. “As decisões sobre a educação religiosa das crianças devem ser deixadas nas mãos dos pais e das famílias, e não dos funcionários da escola pública.”
Outros ainda acreditam que é um escândalo algum ver os professores expressarem suas crenças na sala de aula, sejam elas quais forem.

“O que isso realmente significa é um privilégio da maioria”, disse Katherine Stewart, jornalista cujas perguntas sobre o cristianismo na escola pública de seus filhos a levou a escrever um livro de 2012, “The Good News Club,” sobre os esforços cristãos evangélicos ‘para atingir os estudantes na escola.
“Se um professor wicca, muçulmano ou satanista tentasse colocar seus textos sagrados em sua mesa na escola pública, ele provavelmente seria desligado”, disse Katherine Stewart, jornalista e autora do livro “O Clube das Boas Novas”, que fala sobre os esforços dos evangélicos em atingir os estudantes na escola.
Laursen, no entanto, disse que acredita que os professores de todas as fés têm — e merecem — as mesmas proteções constitucionais que os professores cristãos, quando se trata de expressar a religião na escola.
Ele e outros educadores cristãos afirmam que em muitas escolas públicas, há uma certa hostilidade em relação ao cristianismo, comparando-se com as outras religiões. No entanto, observando a lei em termos concretos, a associação deu aos professores cobertura para expressar a sua fé com ousadia.

Em terras brasileiras

No Brasil, o ensino religioso nas escolas é estabelecido conforme o Acordo Brasil-Santa Sé, aprovação pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Executivo em novembro de 2008.
O acordo criou um dispositivo que oferece o direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do país, respeitando a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.
Com isso, foi acordado que seria facultativo, constituindo disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação”.