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sexta-feira, 5 DE dezembro DE 2025

Prevenção do crime e ressocialização dos presos: um desafio impossível sem Deus

A prevenção do crime e a ressocialização do preso são impossíveis sem Deus, pois envolve o significado da fé na sociedade, e isso vai muito além do Brasil

Por Marisa Lobo

Sem qualquer sombra de dúvidas, um dos assuntos mais difíceis de abordar e apresentar propostas para a sociedade diz respeito à prevenção do crime e ressocialização dos presos. Como psicóloga e cristã, quero fazer algumas considerações que considero importantes sobre o tema.

Primeiramente, precisamos entender que no Brasil ainda temos um sistema penitenciário cuja lógica de funcionamento se baseia quase exclusivamente na punição. Ou seja, se considerarmos a totalidade do modelo, em nível nacional, não temos condições de dizer que somos um exemplo em matéria de ressocialização.

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Como muitos dos próprios presos alegam, a prisão no Brasil é uma “escola” do crime, em vez de ser um local que, além do afastamento da sociedade, o preso possa ter, também, a chance de se reabilitar enquanto cidadão. Não por acaso, a taxa de reincidência na criminalidade é de 70% em média, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em segundo lugar, precisamos entender que a ressocialização do preso já é uma consequência de algo que lhe antecede: a prevenção do crime! Temos uma das maiores populações carcerárias do mundo, e isso não é por acaso; é justamente porque nós ainda não investimos o que devemos na proteção dos jovens.

Deus, onde entra nisso?

Quando afirmo que a prevenção do crime e a ressocialização do preso são impossíveis sem Deus, estou me referindo a algo que envolve o significado da fé na sociedade, e isso vai muito além do Brasil.

Para os cristãos, Deus é o da Bíblia judaico-cristã, mas numa sociedade como a do Japão, onde as duas maiores religiões são o Xintoísmo e o Budismo, a visão sobre Deus é outra, sendo este um país onde casos de homicídio, por exemplo, são raros.

Em 2021, por exemplo, as autoridades japonesas registraram apenas dez infrações com uso de arma de fogo, e isto numa população de 125 milhões de habitantes. O que devemos entender, porém, é que isso não tem a ver com teologia, precisamente se uma religião é melhor do que a outra no combate à criminalidade.

Tem a ver, isto sim, com o modo como cada país preserva os seus valores, sendo eles originados da fé. No Japão, a preocupação com a disciplina e o respeito às tradições milenares é parte essencial da cultura local, sendo isto transmitido de geração a geração. Consequentemente, o comportamento de toda sociedade é regulado com base nesses princípios.

E Deus no Brasil?

Aqui no Brasil, por outro lado, temos enfrentado décadas de confronto aos valores judaico-cristãos, e esta é uma luta que tem partido de agentes poderosíssimos, como os grandes veículos de comunicação, formadores de opinião e também de boa parte da classe política.

Como resultado, Deus tem sido “retirado” das famílias, aos poucos, por meio de ideologias que pregam o progressismo moral e a restrição da autoridade dos pais sobre os seus filhos, algo que podemos observar de forma materializada em alguns trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Como a prevenção do crime passa pela valorização da família, e a família, para nós cristãos, é uma instituição mantida pelos valores criados por Deus, como poderemos combater a criminalidade em uma cultura que deseja destruir o nosso grande fundamento, que é a fé? 

É por isso que não podemos falar de prevenção ao crime e ressocialização, sem falarmos de Deus. Não por acaso, o grande diferencial nos presídios brasileiros é o trabalho evangelístico feito pelas igrejas, justamente como forma de suprir uma deficiência, na vida do detento, de ordem afetiva e espiritual.

Não é por acaso, também, que em muitas comunidades carentes, o que literalmente faz a diferença e salva a vida de jovens que poderiam cair na criminalidade, são as inúmeras igrejinhas espalhadas em becos e vielas. É Deus estando presente, apesar das circunstâncias contrárias.

Conclusão

Devemos aperfeiçoar o sistema penitenciário brasileiro. Particularmente, sou a favor da redução da maioridade penal, por exemplo.

Contudo, isso deve estar atrelado a um forte trabalho de prevenção e ressocialização, o qual só terá sucesso se tivermos uma cultura que valorize e preserve a nossa fé e o seu significado, em vez de querer destruí-los.

Uma coisa leva a outra, e tudo nos leva a Deus. Valorizar, preservar e ensinar é prevenir, e quem previne reduz a tendência para a criminalidade, bem como favorece a ressocialização de quem já transgrediu a lei.

Marisa Lobo é escritora, psicóloga, teóloga, especialista em direitos humanos, pós graduada em saúde mental. Com 12 livros publicados, sobre família, infância, sexualidade e saúde mental.

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