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domingo, 23 junho 2024

Preparado para ficar triste?

Quando é que teremos cultos alegres, de agradecimento, de regozijo, de povo mais feliz da Terra? Por favor, acendam as luzes da Igreja. Vamos ler os versículos sobre alegria, regozijo, exaltação, celebração

Por Atilano Muradas

Em uma igreja de Marte, faltavam 15 minutos para o início do culto, e muita gente já estava no templo. Alguns trabalhando, acertando os últimos detalhes, para que tudo ocorresse conforme a liturgia, enquanto os demais aguardavam o início do culto. Os músicos terminaram o ensaio, penduraram seus instrumentos e conversavam alegremente.

Era gente saindo e entrando do templo, abraços efusivos, conversas altas, crianças correndo, risada e até gargalhadas, que transformavam aquele lugar de culto numa alegre feira em seu auge. O barulho era ensurdecedor. Do mezanino do templo eu observava tudo. Tive que filmar aquela algazarra. Alguém precisava tomar providência em relação àquilo.
De repente, o contador eletrônico disparou a contagem regressiva. Em 5 minutos começaria o culto.

Percebi que o barulho deu uma diminuída. Aliás, a cada minuto, ia diminuindo, mas não acabando. O alvoroço no arraial só terminou quando o ministro de louvor soltou um “amém, irmãos” bem alto, e o povo se voltou para o altar. A partir daí o clima se transformou.

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Aquele povo alegre, entusiasmado, falante e abraçador deu lugar a um grupo de zumbis cantantes. As primeiras palavras do ministro de louvor foram inesquecíveis: “Irmãos, eu sei que vocês estão tristes, também, com tantas lutas e dificuldades que estamos vivendo…”. E por aí foi pisoteando as almas, relembrando que a semana foi difícil, porém, profetizando que a próxima seria ainda pior, mas que Deus estaria com eles.

Após tão “sábia” introdução, diminuíram as luzes e começaram a cantar músicas lentas, tristes, para baixo, melancólicas, e pior, repetindo os refrões 30 vezes ou mais. Eu tive que filmar. Alguém precisava tomar uma providência.

Então, me perguntei: onde estão as Miriãs, com seus pandeiros dançando e puxando o povo no louvor? (Êxodo 15.20); onde estão os Davis, dançando alegremente no templo? (1Samuel 6.14-16). Pois o que vi foi exatamente o contrário. Eu filmei um povo chorando, parado, cantando arrastado, sombrio, dublando as músicas debaixo daqueles instrumentos em volume altíssimo. Os músicos não viam nada, estavam de olhos fechados, e seus ouvidos tapados para a realidade do povo; só ouviam seus retornos de última geração.

A impressão que tive é que o objetivo deles era me relembrar os problemas, pra depois me apresentar a vacina, a mágica solução transfigurada de teologia baseada em Davi matando Golias e Pedro andando sobre as águas. Parece que não existe mais nada na Bíblia, só esses dois episódios. Criatividade zero. Novidade zero. Empatia zero.

Toda aquela alegria de antes do culto saiu pelo ralo e parece que só voltaria depois do “amém” final. Para esses líderes não existem versículos bíblicos que falam de alegria e não existem cânticos alegres. Tudo é luta e choro o tempo todo. Eu filmei. Depois que o culto começou, os irmãos foram conduzidos à tristeza. Não deveria ser o contrário? A presença do Senhor não deveria alegrá-los? O culto é ou não é de celebração?

Quando é que teremos cultos alegres, de agradecimento, de regozijo, de povo mais feliz da Terra? Por favor, acendam as luzes da Igreja. Vamos ler os versículos sobre alegria, regozijo, exaltação, celebração. E que tal a gente cantar feliz, abraçar, contar as bênçãos e celebrar as vitórias com muitas danças? Alguém precisa tomar uma providência em relação a isso! Como disse, tudo aconteceu em minha última visita a Marte. Estou com medo disso chegar à Terra!

Atilano Muradas é jornalista, teólogo, escritor e compositor.

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