A dúvida surgiu após a liberação de alguns shoppings para a entrada desses bichinhos em suas dependências.
Por Cristiano Stefenoni
Definitivamente o brasileiro é apaixonado por PETs. São mais de 149 milhões de animais de estimação no país, segundo o censo do Instituto Pet Brasil (IPB 2021). Após a liberação de alguns shoppings para a entrada desses bichinhos em suas dependências, surge uma dúvida: o evangélico pode levar o seu animalzinho para a igreja?
Essa discussão não é nova. Em 2013, a igreja Metodista Unida Wesley, em Sheboygan, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, decidiu permitir que os cães dos fiéis participassem dos cultos dominicais junto com seus donos, por entender que eles fazem também parte da família dos membros.
Já em novembro de 2021, a igreja Fonte da Vida, em Goiânia, gerou polêmica ao promover o “Primeiro Culto Pet”, no estacionamento do templo. Logo as redes sociais bombardearam o evento com piadas do tipo: “Música vai ser late coração”, “Quem vai pregar é um pastor alemão?” e “O pinscher, que foi criado à imagem e semelhança do capeta, pode ir?”.
O ato de levar os animais de estimação para serem abençoados ou participar de celebrações é uma prática mais comum na igreja Católica, em especial, em 4 de outubro, que é o dia de São Francisco de Assis, considerado padroeiro dos animais. No Santuário de Aparecida, em São Paulo, por exemplo, é permitido ao fiel passear com o seu Pet nas áreas comuns como a Basílica, o pátio, o subsolo, o shopping e a praça da alimentação.
[display-posts tag=”PET” posts_per_page=”2″]
Existe, inclusive, um Projeto de Lei (4331/21), que tramita na Câmara dos Deputados, que visa assegurar a qualquer pessoa o direito de ingressar e de permanecer com animal doméstico em estabelecimento aberto ao público e de uso coletivo. Claro, desde que se respeite as regras do local e a normativa da Anvisa que proíbe a presença de animais domésticos em locais onde são manipulados alimentos.
Vale lembrar que os cães que estão “em serviço”, ou seja, animais treinados que realizam tarefas diretamente relacionadas às pessoas com deficiência, seja ela física, psicológica ou emocional, podem entrar na igreja com o seu tutor, desde que esteja utilizando devidamente sua guia e suportes de proteção e segurança do animal.
Mas de um modo geral, será que podemos ou devemos levar nosso animal de estimação à igreja? Depende. De acordo com o teólogo Lourenço Stelio Rega, vai depender muito de cada denominação religiosa. “Sem dúvida deve haver normas para o acesso de animais ao local de culto, assim como também há em diversos outros locais”, afirma.
Algumas igrejas até podem fazer algum programa especial que envolva os animais de estimação, no estacionamento do templo, por exemplo, mas em todas as ações devem levar em consideração as orientações bíblicas.
“Há um princípio Paulino que diz que tudo deve ser feito com decência e ordem (1 Co 14;40). Devendo ser uma ética por princípios ao invés de meramente normas”, orienta o pastor Stelio.
Contudo, independentemente se há permissão ou não de um PET em poder entrar dentro de uma igreja, a fato é que Deus ama os animais de estimação e eles devem ser tratados com todo o carinho e respeito, seja em qual lugar estiverem, afinal, os bichinhos também são uma criação divina:
“Eu fiz a terra, os seres humanos e os animais que nela estão, com o meu grande poder e com meu braço estendido, e eu a dou a quem eu quiser” (Jeremias 27:5).


