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terça-feira, 21 setembro 2021

Por que orar no monte?

Alguns irmãos costumam subir o monte como uma forma de estar mais perto de Deus. Porém, será que essa prática tem base bíblica?

Cristão que é cristão sabe muito bem que, sem oração, a vida não avança. Isso porque o “combustível” que fomenta a intimidade com Cristo é a oração. Quanto mais a pessoa ora, mais entende o que o Senhor deseja para a sua vida. Os grandes homens da Bíblia tiveram esse discernimento. Foi assim com Moisés, Abraão, Noé e outros.

Que tal subir ao monte para orar? É desta forma que vários cristãos fazem, inspirados pelo que Jesus fazia quando queria ficar a sós com o Pai (MT 14.23; Lc 9.18). Para Cristo, não seria possível orar livremente em casa, pelo assédio constante do povo, e menos ainda dentro das sinagogas (Lc 6.12; 22.44), onde não era bem-vindo. Mas, por que Jesus escolheu orar no monte?

A resposta está em Mateus 8:20, referenciado também em Lucas 9:58: “E disse Jesus: as raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Então Jesus subia ao monte para orar sozinho porque não tinha um quarto onde podia se isolar e orar. Ele subia ao monte para orar e, geralmente, fazia isso sozinho.

Quando decidiu chamar mais alguém (Pedro, João e Tiago), Ele o fez por saber que era o momento da transfiguração. Podemos encontrar várias passagens bíblicas que falam sobre o assunto (Lucas 6:12; Lucas 9:28).  O maior sermão já pregado, o “Sermão da Montanha”, não podia ter sido proferido por outra pessoa que não Jesus, o maior montanhista. Os homens sempre subiram em locais altos para se achegarem a Deus. Foi assim na igreja primitiva e é assim nos dias de hoje.

 

“É uma forma de retribuir todo o amor que Deus dispensou a mim” – Missionário André Assis Gomes

A dúvida é antiga. No evangelho de João 4: 20-24, encontramos Jesus falando com uma mulher samaritana, que lhe indagou:

“Nossos pais adoravam neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.” Em resposta, o Mestre disse: “Crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”.

Momento único

Longe dos misticismos, o fato é que aqueles que já passaram pela experiência garantem ser um momento único de intimidade com Deus e mover do Espírito. Assim relata, por exemplo, o pastor Frederico Teodoro, da Comunidade Evangélica Sedentos de Ti, que classifica o monte como um lugar de retiro.  “Toda vez que Jesus subiu ao monte foi para falar com Deus, buscar Sua presença, não simplesmente para buscar poder. O poder é consequência de uma busca por Deus”. De acordo com ele, se a pessoa buscar e adorar Deus, independentemente de onde estiver orando, o poder do Senhor se manifestará, inclusive no monte.

O pastor conta que é um adepto das subidas aos montes e diz que os discípulos de sua igreja também fazem o mesmo. “Para mim, o monte é um lugar onde ganho intimidade com Deus, passo a conhecer quem é de fato o Senhor”, concluiu. Já para o pastor Marcos Campos, da igreja Assembleia de Deus Fonte de Esperança, subir ao monte pode se tornar uma filosofia de vida.

“Não existe nada de místico. Trata-se de um momento para se separar e buscar a face de Deus”. Ele cita que a Palavra ensina a orar sem cessar. “A oração no monte é o momento de buscar a Deus sobre todas as coisas, porém é importante frisar que não há tempo determinado para isso. Subimos ao monte porque queremos ouvir a voz de Deus, mas podemos fazer isso a todo tempo e em qualquer lugar”.

O pastor relata que tanto ele, quanto a sua congregação, costumam subir ao monte. “Quando se separa esses momentos de oração, a igreja cresce. Geralmente subimos ao monte quando temos um propósito, quando queremos uma resposta de Deus. Mas só subimos porque queremos um lugar separado para orar a Deus. Não é nada místico”, avalia.

Embora Jesus tenha preferido as montanhas para suas orações e ensinamentos, essa atividade não é uma regra. Não é uma doutrina bíblica. Desde a vinda de Jesus, Ele deixou claro que o local não importa, mas o que importa é, sim, o coração (João 4:20-24).

O pastor Nelson Júnior, da Igreja de Cristo em Vitória, lembra que quando Jesus ia ao monte, não era por ser um lugar espiritualmente especial, mas para fugir da multidão que o cercava. Ele revela que já orou no monte muitas vezes, quando era mais novo. “Havia aprendido que as pessoas que subiam ao monte recebiam poderes ‘especiais’ e eram tidas como mais ‘espirituais’. Infelizmente, até hoje conheço muitos crentes que pensam assim, o que é uma pena. Espiritualidade não se mede por essas coisas”.

“O poder é consequência de uma busca por Deus” – pastor Nelson Júnior

Ele destaca que subir ao monte não pode ser tomado como uma ordem de Cristo. “Creio na importância de se separar um tempo de adoração e intercessão. Isso eu entendo, concordo e pratico. Porém, se é no monte, na praia ou no deserto, isso não é o mais importante”, disse.

Jesus recomendou orar sem hipocrisia. Em Mateus 6:5-6,  Ele diz: “E, quando orares, não sejas como os hipócritas (…). Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que te vê em secreto, te recompensará publicamente”.

Jesus orientou a orar em secreto. Isso pode ser feito tanto no monte quanto no quarto, ou no ônibus, ou no carro. Quando pessoas não compreendem o que estão lendo, criam “doutrinas” baseadas em textos fora do contexto. Subir ao monte não é uma doutrina bíblica, não há menção a isso nas Escrituras. Trata-se de uma busca individual, que cada igreja administra de uma forma.

Ministério?

Subir ao monte, para o missionário André Assis Gomes, de 35 anos, já é uma rotina, um ministério. Dessas experiências, guarda momentos inesquecíveis. O testemunho de André é o de uma pessoa que se dedica à oração e à intercessão. Chegou a ficar 40 dias no monte somente à base de água. Conta que faz isso porque sente um desejo imenso de estar perto de Deus.

“Há três anos eu subo ao monte. Já fiquei 14, 21 e até 40 dias lá. Gosto de estar intercedendo pela minha família, por minha igreja É uma forma de retribuir todo o amor que Deus dispensou a mim”.

André afirma que já orou em quase todos os montes da Grande Vitória e alguns do interior. “Deus me resgatou das drogas há cinco anos e me chamou para o ministério de intercessão. Pego a minha Bíblia, a minha água, e subo ao monte toda a sexta-feira. Sei que a igreja que ora é mais forte e unida. Hoje, muitas pessoas não separam tempo para orar, têm preguiça. Infelizmente o evangélico está economizando oração e as consequências têm sido drásticas”, alertou.

Assim como André e muitos outros, estar no monte tem somente um objetivo, buscar e ouvir a voz de Deus. Seja no quarto, no templo ou no monte, Deus está pronto a ouvir os Seus filhos. Deus é onipresente, existe em todo lugar ao mesmo tempo. Portanto, estará com você sempre, quando e onde você estiver com Ele.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão edição 178 de junho de 2012. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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