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segunda-feira, 15 DE julho DE 2024

Por que crianças e adolescentes estão mais ansiosos?

Foto: FreePik

O tempo de tela e uma educação baseada no medo, no autoritarismo e na ameaça têm prejudicado a saúde mental dos jovens 

Por Patricia Scott

Análise dos dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS, de 2013 a 2023, revelam indicadores que a saúde mental de jovens apresenta piora na faixa dos 10 aos 18 anos, superando pela primeira vez os adultos. O crescimento é expressivo nos últimos anos: a taxa de pacientes de 10 a 14 anos atendidos devido à ansiedade é de 128,5 a cada mil habitantes, e a de adolescentes é de 157 a cada mil.

“O índice de ansiedade entre crianças e jovens está realmente muito alto e isso é preocupante”, comenta Telma Abrahão, biomédica e especialista em neurociência e desenvolvimento infantil, acrescentando que a ansiedade em excesso é possível ser notada na criança quando ela não consegue ficar quieta, não para de falar, pode roer unha, ter dificuldade para dormir, demonstrar mais irritação, mais insegurança, mais medo. Entretanto, é importante o apoio emocional.

Segundo a especialista, há dois pontos muito importantes nos quais os adultos responsáveis precisam prestar muita atenção. “O primeiro é o tempo de tela que essas crianças e adolescentes estão tendo acesso. As telas causam vício ativando o sistema de recompensa do cérebro e aumentando a liberação de dopamina. A criança fica querendo cada vez mais e mais”, pontua.

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Com isso, crianças e adolescentes perdem a capacidade de se concentrar para ler um livro, de se conectar com pessoas, de estudar, de fazer esportes, de se dedicar a coisas que ela realmente gosta de fazer. “Isso impacta negativamente o desenvolvimento infantil, além de trazer impactos negativos à sua saúde mental”, ressalta Telma.

O segundo ponto dentro desse cenário de ansiedade infanto-juvenil está relacionado a uma educação baseada no medo, no autoritarismo, na ameaça, conforme expõe Telma. Isto ocorre quando os quando os pais não se conectam com os filhos, têm pouco tempo de qualidade, não atendem às necessidades básicas de apego e segurança.

“O medo ativa o sistema de luta ou fuga do cérebro. Isso faz com que a criança ou adolescente fique muito vigilante, com receio de que algo ruim aconteça a todo instante. Ficam se protegendo de algum perigo e veem ameaça até onde não existe. Tudo isso afeta a relação com amigos, com a escola, com a professora. A ansiedade vem muito do tipo de relacionamento que os filhos têm com os pais ou principais cuidadores”, pontua Abrahão.

Desse modo, Telma orienta os pais a abrirem espaço para conversa, que requer escuta para ouvir o que a criança sente e pensa. Além disso, a especialista diz que é essencial ter uma educação baseada no respeito mútuo, no afeto e, principalmente, na segurança emocional.

“Parar de educar com base no medo, na ameaça, porque é justamente esse comportamento que faz com que a criança esteja sempre em alerta, sempre com medo. A criança acaba se retraindo, fica com muito medo de errar e aquilo vira um problema”, alerta Telma.

Para concluir, a especialista enfatiza: “Se os pais não mudarem a forma de se relacionar com os filhos, eles não mudarão sozinhos. O ambiente precisa ser ajustado, então, a maneira com que eles se relacionam dentro da família tem que ser reajustada”.

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