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quarta-feira, 8 julho, 2020

Por que crente sofre?

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“Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Romanos 8:18)

* Por Andreza Lopes

Quantas vezes estamos convictos de estar “fazendo tudo certinho”, respeitando os mandamentos, em oração, em comunhão na igreja e, de repente, o mundo “despenca” sobre nossa cabeça? Naquele dia em que você imagina que tudo se manteria na mais perfeita ordem, vem o inesperado: a perda do emprego, uma traição, um acidente, a morte de um filho. Muita dor, medo, insegurança.

Passar por provações sem “deixar os ombros caírem” talvez seja um dos maiores desafios para os servos de Deus. Mas por que Ele permite que o crente sofra? Essa pergunta sempre vem à tona quando as coisas não vão bem, quando os entrave de saúde afetam alguém da família e ou nós mesmos, quando os negócios deixam de ser lucrativos, quando ocorre traição num relacionamento amoroso ou há qualquer outro entrave que cause muita dor.

Entretanto, considerando a bondade e a justiça do Pai, para algumas pessoas é difícil entender que as lutas também podem ser desígnios divinos.

As batalhas diárias não são exclusividade dos ímpios; cristãos também enfrentam dificuldades, provações, algumas vezes até mais desafiadoras que as experimentadas por aqueles que ainda não aceitaram a Jesus como Senhor e Salvador. Na Bíblia, o próprio Deus orienta para que “tenhamos bom ânimo a fim de vencer esse mundo” (João 16:33). Então, a diferença está na forma de se “atravessar o deserto”.

Para o cristão fiel, os percalços da vida podem representar um caminho para o fortalecimento, fazendo, como diz o ditado, do “limão uma limonada”. Isso nos leva à comunhão mais perfeita com o Criador, e não devemos nos preocupar se estamos passando pelo Seu crivo. As lutas não cessam, mas a partir delas somos aprimorados.

Apesar de não serem desejadas por ninguém, as batalhas apresentam grande “efeito pedagógico”, considerando que grande parte delas são atraídas por nós mesmos, destaca o pastor José Alves, presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério de São Paulo.

“Justamente porque cremos é que devemos ter clareza, força e maturidade o suficiente para não perdermos a alegria de viver. Se o ímpio prospera enquanto o crente sofre, devemos saber que o contrário também é verdadeiro. Não devemos esquecer que podemos todas as coisas, pois o Senhor é a nossa força!” Bruno Brito, pastor sênior da Igreja Lagoinha São Paulo

Bacharel em teologia há 25 anos pela Faculdade Betel e pós-graduado em Direito Civil pela Escola Paulista de Direito e em Direito Previdenciário pelo Instituto Legale, ele reforça que há explicação bíblica para isso: “De que se queixa o homem? A resposta é:
queixa-se de seus próprios pecados.

Ademais, lutas e provas são consequências da má escolha no Éden, quando nossos primeiros pais optaram por desobedecer a Deus. Mesmo não pecando, recaem sobre nós as consequências do pecado de nossos pais, o pecado não passa de pessoa para pessoa, mas infelizmente as consequências passam. Neste caso, as lutas são consequências desse pecado originário”.

O pastor deixa claro que, por inúmeras vezes, nosso padecer vem da cobiça, da falta de amor ao próximo, da exaltação do nosso próprio ego. Entretanto, é possível que as adversidades surjam mesmo sem cometermos quaisquer erros.

A Bíblia fala que o Senhor açoita e corrige os que ama. Sendo assim, quando esse sofrimento vem de Deus, sabemos que não será acima do que suportamos, pois há um condão a nos fortalecer. “Assim como o sol e a chuva endurecem as árvores do campo para suportar os vendavais, as lutas também nos fazem fortes.

Além disso, na luta sempre buscamos estar mais perto de Deus, sempre buscamos o espiritual”, observa ele, destacando que as situações adversas fazem
“o cristão ser mais cristão”.

Quando perguntado sobre o porquê de os ímpios prosperarem enquanto muitos crentes sofrem e são humilhados, Bruno Brito, pastor da Igreja Lagoinha São Paulo, formado em Teologia no Seminário Teológico Nazareno do Brasil e na Unicesumar, responde que essa é uma questão recorrente em todas as gerações. “Tenho certeza de que a maioria dos leitores já ouviu algum ‘crente’ expressar sua insatisfação através de uma pergunta como essa. Aí eu me questiono: em quem ou no que esse crente crê? Sempre olhamos a vida do outro, e principalmente daqueles que ‘não conhecem a Deus’ como sendo um parâmetro para saber se estamos bem ou não.”

“Para atravessar o deserto e vencer o período de dor
só existe o remédio espiritual, confiança em Deus, oração, jejum e meditação na palavra, porém não apenas ler a Palavra, mas também viver a Palavra” – José Alves, pastor-presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério de São Paulo (IEADMSP)

Na condição de crentes, nos achamos no direito de estar sobre ou à frente de qualquer pessoa ou situação; queremos ser tirados do fim da fila e levados para uma sala especial porque conhecemos alguém influente, comenta Pr. Brito.
“Pelo contrário, justamente porque cremos é que devemos ter clareza, força e maturidade suficientes para não perdermos a alegria de viver.

Se o ímpio prospera enquanto o crente sofre, devemos saber que o contrário também é verdadeiro. Não devemos esquecer que podemos todas as coisas, pois o Senhor é a nossa força! Ele nos capacita a prevalecermos diante de qualquer estação e faz com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que O amam”, exorta.

Humilhação

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (2 Crônicas 7:14).

Quanto aos que se sentem vítimas ou rebaixados, Pr. Bruno deixa claro que a humilhação não é uma condição, mas uma posição. Segundo ele, antigamente o crente era visto como um coitado, pobre; no sertão nordestino era apedrejado e excluído. “A condição é parte de uma mentalidade religiosa, a posição é uma escolha de quem entendeu que é livre dos preconceitos e rótulos.

Quem se humilha diante do Senhor não se afeta diante de uma humilhação terceirizada. À medida que permitimos que o nosso ego cresça, aí sim precisamos começar a nos preocuparmos. O Senhor Jesus não foi humilhado, mas a Si mesmo se humilhou, se entregou, se sacrificou. Sendo Ele o nosso principal modelo, devemos aprender a colocar o nosso coração no lugar certo”, defende.

 

Pr. José Alves argumenta que a condição de humilhado é inerente ao cristão,
não a de humilhação. Estar humilhado é quando um terceiro nos impõe isso; já a humilhação, nós mesmo que a buscamos. “Na Bíblia há inúmeros casos de pessoas que se humilharam, mas o maior exemplo é Cristo, que humilhou a Si mesmo.

No entanto, as Escrituras relatam que Deus O exaltou. Ser cristão não é uma condição de humilhado, embora às vezes sejamos, mas é uma condição de humilhação que devemos sempre buscar”, afirma.

Perseverança

“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que O amam” (Tiago 1:2-4,12).

A promessa da vitória, do alcance de dias melhores e do alívio que é proporcionado somente pelo Senhor está clara na Palavra. Mas, ainda assim, há quem se renda ao desânimo, aos maus pensamentos e ao conformismo da “derrota”. “As pessoas desistem da caminhada cristã durante ou após as lutas exatamente por falta de confiança em Deus, de fé, e por não se resignar ao sofrimento. Mas as pessoas se esquecem de que foi Jesus quem disse: ‘No mundo tereis tribulação, mas tende bom ânimo’.

E quando vêm as batalhas esses indivíduos começam a questionar o poder e até a existência de Deus.” Na avaliação do pastor, se todas as pessoas confiassem no Senhor sem reservas, jamais desistiriam de seguir adiante.

Haveria a certeza de que Deus jamais as abandonaria durante a jornada. A lógica inversa também é verdadeira, sentencia: quem crê no Pai não desiste nunca. Embora sofra, chore, está certo de que sofrer com Ele é melhor que se alegrar com o mundo, ainda que precise andar por “caminhos estreitos”. “Não há métodos ou sete passos disso ou daquilo. Não tem mandinga nem simpatia para resolver o coração do homem. Resistimos à medida que nos fortalecemos em Deus e enfrentamos a situação”, aponta.

Ele destaca, ainda, que a “vida real é assim, diferente das fábulas religiosas, que nem são bíblicas na maioria das vezes. “Parece clichê, mas nossos olhos precisam continuar fixos em Jesus, pois Ele continua sendo o autor e consumador da nossa fé.

Nele está tanto o querer quanto o realizar de todas as coisas”, frisa Pr. Bruno Brito, lembrando que o cristão necessita ser forte e corajoso como Jesus foi, chamando-nos a ser obedientes sempre. O fim das lutas e do deserto não se dá quando desistimos, é bom ressaltar.

O pastor compara as lutas e provações ao funcionamento do corpo humano: “Quando o sistema imunológico está forte, tudo opera para resistir a toda e qualquer doença, infecção e inflamação que atinja o indivíduo.

Quando o contrário acontece, basta apenas um vento mais frio, e a pessoa já está de cama horas depois. Atravessar desertos nos faz sentir dor. À medida que caminhamos lágrimas, caem dos nossos olhos.”

Em contrapartida, encoraja-nos reconhecendo que o cenário é desesperador, e a sensação é de que vamos passar a eternidade naquela situação, porém, resistir à vontade de parar ou retroceder nos alivia definitivamente, tendo em vista que, se travarmos no meio do caminho e esmorecermos, iremos apenas permanecer no mesmo cenário, adiando o fim.

Pr. Bruno conta que nunca viu tantas pessoas desistirem da fé por motivos tão carnais, talvez as mesmas razões que as haviam trazido antes para o lado de Cristo. Por isso, comenta, é cada vez mais necessário deixarmos as nossas motivações e passarmos a fundamentar a nossa convicção no Pai num terreno seguro.

“Conheço também muitas pessoas que não perderam a fé, mas se afastaram da Igreja por causa de ‘profetadas’ e relacionamentos de conveniência. Expectativas equivocadas construídas sobre uma areia movediça. Quando se fez necessário um abraço ou uma oração, uma atenção mais próxima, aí o telefonema não era mais atendido, e a mensagem ficava no vácuo. Todos nós temos mil motivos para abandonarmos tudo, mas uma só razão nos deve ser suficiente para permanecermos: Jesus!”.


Dicas de leitura

Graça Abundante: Ao Principal dos Pecadores
Autobiografia de John Bunyan

 

 

 

 

Escute Aqui, Satanás!
Carlos Annacondia

 

 

 

 

Mais Forte que Sua Luta
Havilah Cunnington

 

 

 

 

Guia Para Batalhas Espirituais
David Jeremiah

 

 

 

 

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