Moçambique: População ainda espera por ajuda

A população que perdeu tudo com a passagem do ciclone espera por comida e mantimentos. Foto: Reprodução

As Nações Unidas estimam que 75% dos assentamentos do distrito de Búzi tenham sido inundados. “Quase todas as igrejas do interior foram afetadas”, afirma pastor João Tomocene, que mora em uma das regiões afetadas

O balanço das vítimas da passagem do ciclone Idai pela África Austral foi revisado para 843 mortos em Moçambique, Zimbábue e Malaui. Pelo menos 1.641 pessoas ficaram feridas. Os dados são do escritório da ONU de Coordenação para Casos Humanitários.

A província de Sofala é um dos locais mais afetados pela tragédia. A situação na região é considerada “particularmente preocupante”, segundo a ONU.

Uma análise preliminar de especialistas  humanitários destaca que a maioria das casas da região ficou inundada por cerca de sete dias. Grande parte das terras cultivadas continua submersa, na área onde 25 km2 ficaram debaixo da água e ocorreram danos em todo  o norte do distrito.

Depois da passagem do fenômeno, o país também sofre com a deterioração das condições sanitários, o que resultou em uma epidemia de cólera. No total, são 1.428 casos confirmados da doença, que já deixou cinco mortos. A contaminação da água e a redução  infraestruturas de higiene e saneamento aumentam os riscos de diarreia aguda, na região onde ocorreu uma grande destruição de colheitas e do gado que afetaram a segurança alimentar.

A ONU estima que 1,85 milhão de pessoas foram afetadas com a passagem do ciclone Idai em Moçambique. Entre elas, milhares perderam suas casas e seguem desabrigadas. “A situação está bem complicada nas regiões mais afetadas porque as vias de acesso estão bloqueados. Mas de pouco a pouco estamos conseguindo nos ajeitar e alimentar as pessoas que perderam tudo. Estamos na expectativa de receber ainda mais ajuda de mantimentos dos países”, relatou o pastor João Tomocene à Comunhão, que mora em uma das regiões afetadas pelo ciclone.

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Ajuda humanitária

Segundo o pastor João, da Igreja Assembleia de Deus Bragantina, na cidade de Quelimane, Beira e Maputo, as instituições religiosas também foram devastadas com a passagem do ciclone. “Principalmente as igrejas do interior foram bastante afetadas. A situação do país está muito ruim. A única coisa que podemos fazer mesmo é orar pelas pessoas, pois ainda está muito difícil a ajuda”, disse.

Um grupo composto por 20 bombeiros brasileiros da equipe de busca e salvamento da Força Nacional de Segurança Pública e mais 20 militares mineiros que atuaram no salvamento e resgate de vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) estão em Moçambique. As equipes levaram veículos, botes e outros equipamentos fornecidos pela Força Nacional e pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. E devem ficar no país por 30 dias.

“Aqui, a extensão do desastre é muito maior que em Brumadinho, com uma extensão de aproximadamente 500 quilômetros de áreas atingidas. E ainda há muitas pessoas que precisam ser assistidas”, declarou o sargento Michel Santana, um dos integrantes brasileira.

Assim como outras instituições missionárias do mundo, a Junta de Missões Mundiais também tem enviado ajuda ao país em mantimentos e alimentos com a ajuda de várias igrejas evangélicas do Brasil. Uma equipe de profissionais voluntários, entre médicos, enfermeiros e psicólogos também vão atuar na região. O pastor João Marcos Barreto, diretor da JMM, foi ao país e relatou.

“Sou grato a Deus pela vida de cada missionário e pelo exemplo de fé e dedicação que têm dado no país. Foi emocionante ouvir seus relatos, mais ainda ver o quanto amam a Deus e estão comprometidos com o anúncio da salvação. A visita a alguns projetos foi marcante, pois pude ver o quanto espelham o amor de Cristo e são reconhecidos por isso. Peço que continue a nos ajudar em oração e doação para mostrarmos o amor de Deus através destas vidas preciosas”, declarou o pastor João Marcos Barreto.