Todo cristão deveria se envolver no processo político, seja como eleitor, seja como representante do povo para defender projetos nobres.
Por Cristiano Stefenoni
Há um ditado popular que diz “Política, futebol e religião não se discute”. Mas não é bem isso que se tem visto ultimamente nas redes sociais. O bate-boca por conta de temas ligados à política é constante, inclusive, entre irmãos de igreja. Apesar desse debate fazer parte da essência humana, é importante o cristão saber os limites ao se envolver nessa área, seja como eleitor, candidato ou crítico.
“A política não se resume a questões partidárias e às posições apaixonadas de defesa de agremiações, como acontece no futebol. Política tem a ver com ações coordenadas para que, por meio da influência, se alcancem objetivos. Neste sentido somos políticos contumazes”, afirma o empresário e teólogo, Fábio Hertel.
Ele cita, como exemplo, uma reunião de condomínio. “Se não estamos presentes para nos posicionar, no esforço de convencer os pares para nossos projetos ou iniciativas, certamente pagaremos a conta da influência exercida pelos ‘políticos’ presentes”, diz.
Cristão deve ter maturidade política
O teólogo explica que todo cristão deve se envolver no processo político, ora como cidadãos-eleitores que votam e acompanham seus representantes, ora como políticos vocacionados que, quando eleitos, defendem e influenciam seus pares na direção de projetos nobres.
“A cosmovisão de um cristão deveria contemplar a preservação das veredas antigas estabelecidas por Deus (normas, princípios, preceitos, questões éticas e morais etc.) e a preservação das próximas gerações. No contexto social, as políticas públicas são fundamentais para o exercício do nosso mandato cultural: ‘Então Deus os abençoou e disse: Sejam férteis e multipliquem-se. Encham e governem a terra’ (Gênesis 1:28)”, justifica.
Político cristão deveria agir como Neemias
Fábio Hertel enfatiza a importância de haver políticos cristãos, pois eles podem trazer transformação e impactar positivamente a sociedade. Ele cita o exemplo de Neemias, que se indignou com o opróbio do povo, chorou, orou, jejuou, agiu com interações políticas e construiu obras de alto valor e impacto social, tudo isso com verbas públicas.
“Um cristão que ocupa um cargo público pode trabalhar para implementar políticas públicas que reflitam valores cristãos, como justiça social e proteção aos mais vulneráveis. Na prática o político cristão é um soldado que se posiciona e enfrenta a guerra ideológica e cultural que foi arquitetada por uma mente brilhante e diabólica que tem como alvo neutralizar as famílias tradicionais”, afirma Hertel.
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O que os cristãos devem avaliar antes de votar
Para o teólogo, antes de votar, todo cristão deveria buscar informações sobre a plataforma de governo do candidato, de cada partido, a postura e o histórico dos candidatos, mas principalmente no que diz respeito à ideologia que se defende. “O cristão então deveria enfatizar menos a politicagem (práticas nem sempre ortodoxas e desejáveis) e mais a defesa da ideologia que representa o Reino de Deus”, afirma.
Hertel lembra que, no tempo bíblico, o povo de Senhor sofreu por causa de líderes políticos tiranos que perseguiam e matavam quem se identificava com os valores do Reino de Deus. “A partir dessa realidade social e pública revelados na Bíblia o tema política deveria ser amplamente discutido em nossas comunidades”, diz.
Crente não deve ter político de estimação
Outro alerta feito pelo teólogo é quanto a idolatria política. Ele explica que a política se torna prejudicial à vida do crente quando as paixões às agremiações ou aos políticos de estimação se sobrepõe ao mandamento “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Marcos 12:30).
“Nenhum candidato político deveria ser idolatrado. Na verdade, quando fazemos isso prestamos um desserviço ao próprio candidato. Todo político deve prestar contas e ser cobrado por seus votos e postura. Quando concordamos, apoiamos cegamente ou defendemos indiscriminadamente qualquer político, possivelmente estaremos cometendo algum tipo de idolatria”, alerta Hertel.
Púlpito não é lugar de bajulação política
Hertel finaliza dizendo que o púlpito da igreja não deve ser utilizado para exaltação de políticos e candidatos. “Com relação ao púlpito penso que deve ser utilizado única e exclusivamente para a pregação da Palavra de Deus. E que todos os candidatos podem ser apresentados e receberem orações, independente das cores partidárias”, resume.

