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sexta-feira, 24 maio 2024

Polêmica na Lagoinha de Guarulhos alerta lideranças

Após ex-líder da Lagoinha em Guarulhos, Joilson Freitas, acusado de abuso sexual a crianças e adolescentes, ser preso, Igreja enfrenta polêmicas alarmantes para a comunidade evangélica

Por Carolina Leão

Nas redes sociais, o pastor André Valadão com frequência dialoga com o público no Instagram por meio do recurso de “caixa de perguntas”, uma ferramenta interativa. Nas últimas semanas, após polêmica envolvendo um ex-líder da Lagoinha, acusado de abuso sexual a crianças e adolescentes, em uma dessas ações interativas uma pessoa enviou a seguinte frase para o pastor: “A igreja não deve colocar qualquer pessoa no altar, tem que filtrar, pelo amor de Deus”.

Em vídeo, Valadão respondeu: “A minha fala para você é a seguinte: você nunca foi enganado? Você nunca foi trapaceado? Nunca feriram a sua confiança? Infelizmente, estamos todos sujeitos a isso. Eu concordo que a igreja tem que ser muito prudente e filtrar aqueles que se envolvem na vida da igreja. Mas quem nunca foi enganado ou sofreu alguma forma de traição que atire a primeira pedra”.

A fala do pastor André Valadão abre caminho para um alarde, inclusive levando em consideração diversas situações ao longo da história em que membros ativos em igrejas, de diferentes denominações, foram afastados por condutas criminosas e pecaminosas. Agora, em junho em 2023, a igreja Lagoinha tem enfrentado uma situação como tal, que serve como um alerta para todas as igrejas.

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Entenda o caso

A liderança da Igreja Batista da Lagoinha desligou um ex-lider da igreja de Guarulhos, em São Paulo, Joilson da Silva de Freitas Santos das atividades. O homem foi preso no dia 7 de junho, suspeito de abuso sexual a crianças e adolescentes que frequentavam a igreja. A Lagoinha Global, convecção que reúne as centenas de congregações da Lagoinha, representada pelo presidente pastor André Valadão, disse ter tomado conhecimento do caso entre os dias 5 e 6 de junho.

De acordo com o portal Estado de Minas, a polícia informou que um jovem de 16 anos denunciou a violência sexual em 1º de junho na portaria do prédio onde reside Joilson. A partir daí, um boletim de ocorrência foi registrado. Outras duas possíveis vítimas, de 17 e 13 anos, foram apresentadas posteriormente, o que levou o delegado responsável pelo inquérito, Dr. Fulvio Mecca, 5º DP de Guarulhos, a requerer a prisão do pastor.

Assista o vídeo do momento da prisão de Joilson Freitas e continue lendo

Polêmica

No dia 8, a Lagoinha Global havia informado que o homem era apenas um membro comum ativo na igreja. No dia 10, porém, o pastor André Valadão, face a informações contraditórias, teve que emitir uma nota de retificação. Isso porque, segundo ele, no dia anterior (9), a Lagoinha Global tomou conhecimento de que Joilson era um líder ativo na igreja. “Assim que soube ontem [dia 9] que ele era um líder ativo, eu venho aqui retificar e falar com vocês, como eu falo sempre na internet, respondo perguntas e não tenho dificuldade nenhuma de falar com vocês sobre nenhum assunto”.

André Valadão manifestou o posicionamento da igreja no mesmo vídeo: “Venho dizer como Lagoinha global […] que nós excluímos ele e sua esposa da igreja, que estamos juntos com as famílias nessa situação e com a polícia para aquilo que for necessário e que o pastor local da igreja de Guarulhos […] também está em busca com as famílias e com a polícia daquilo que for necessário para que se cumpra”.

Nesse esclarecimento, André Valadão explicou que não é o pastor local em Guarulhos, mas sim de Orlando, na Flórida, EUA. E o pastor local de Guarulhos é o Marco Túlio Costa.

O pastor Marco Túlio foi mencionado na nota de esclarecimento. “(…) soubemos apenas na última sexta-feira, dia 9, por meio do pastor responsável pela Lagoinha Guarulhos, Marco Túlio Costa, que o acusado exercia um cargo de liderança ativa na comunidade”, registra a nota.

No instagram, o perfil “@up.lagoinhaguarulhos”, ministério de jovens adultos da Lagoinha, referenciava Joilson Freitas como líder desse ministério, em uma publicação feita no mês de maio. Esse ministério era para jovens entre 27 e 39 anos.

Diante desses acontecimentos, houve uma polêmica discutindo se Joilson era realmente considerado um pastor na Igreja Batista da Lagoinha. A instituição, em nota de esclarecimento, reforçou que Joilson não era pastor: “(…) Apesar disso, não é um pastor consagrado e nem reconhecido na Lagoinha. Conforme as informações apuradas, os crimes ocorreram exclusivamente em sua residência”.

Alerta às lideranças

Diante da repercussão desse caso, que aponta para uma necessidade maior, a Comunhão conversou com o Presbítero, membro da Igreja Presbiteriana Praia de Itapuã, em  Vila Velha (ES), e Coronel da Polícia Militar, Marcelo C. Muniz. O Coronel compartilhou orientações com base em sua experiência tanto no âmbito de liderança religiosa quanto profissional e destacou a importância, de modo geral, não somente no caso da Lagoinha, de se ter lideranças sábias. “Fatos dessa natureza são inaceitáveis. É importante que as igrejas, especialmente as evangélicas, tenham cuidado na formação e preparo dos seus líderes para lidar com situações que ocorrem e para evitar que esses mesmos lideres sejam pessoas não adequadas para o exercício dos ministérios nas igrejas”, alerta o coronel.

“A ideia da vocação, do chamado, é a primeira questão a se analisar, obviamente. Mas a vocação não pode ser destituída da preparação, da formação adequada da liderança evangélica. Mas, acontecendo isso, as igrejas devem ser firmes. A igreja não serve para encobrir pecados, ela precisa descobrir pecados e não aceitar esse tipo de atitude”, detalha.

Além disso, vale lembrar da responsabilidade cidadã. “Qualquer pessoa, tomando conhecimento de um fato criminoso, precisa colaborar com a polícia, com a justiça e imediatamente informar às autoridades. Existem canais oficiais e sigilosos para isso. No estado do Espírito Santo, por exemplo, temos o 818 e o Disque 100 (Nacional), para denúncias de crimes dessa natureza”, informa o coronel.

Com isso, Cel. Muniz chama a atenção para o fato de que a igreja deve, desde a eleição do líder à resposta à ocorrências como tal, estar atenta e cumprir sua responsabilidade. “As organizações cristãs não podem, sob o argumento de que foram adotadas medidas no campo da disciplina bíblica, deixar de informar o cometimento de crimes dessa natureza ou de qualquer natureza”, conclui.

O Coronel comenta que chama a atenção, sem desmerecer a seriedade do delito, a polêmica envolver a Lagoinha (enquanto instituição) em determinada proporção, justo em um período em que a Igreja é alvo de outras polêmicas.

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