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Poder do exemplo: você está sendo um bom espelho?

4 min de leitura

A Bíblia destaca a importância da referência para o aprendizado e para o desenvolvimento humano, sendo bastante evidenciada em Jesus 

Por Patricia Scott 

A vida cristã é fundamentada pelo exemplo. Jesus ensinava a partir das atitudes dEle, para que o povo pudesse aprender de maneira mais eficiente e fosse multiplicador para as próximas gerações. Assim, Ele unia a mensagem verbalizada a atitudes.

Em 1 Coríntios 4.6, Paulo escreveu: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro”. O apóstolo destacou ainda: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1 Co 11.1).

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Dentro desse contexto, o pastor e psicólogo Marcelo Aguiar, da Igreja Batista da Mata da Praia, em Vitória (ES), destaca que o cristão não pode minimizar o poder do exemplo. Isso porque “está comprovada a influência do ser humano no comportamento dos seus semelhantes, para o bem ou para o mal”.

Ele explica que o homem é uma criatura social, que não nasce sabendo das coisas, mas que é guiado pelo aprendizado e não pelo instinto. “Isso se dá, em grande parte, através da observação e da convivência. É por isso que todos nós podemos falar de pessoas que nos marcaram de alguma maneira, que se tornaram uma inspiração para nós”.

Segundo Marcelo, a vantagem do exemplo é que ele é de natureza prática, fácil de entender e de imitar, ou seja, é diferente de um conceito abstrato. “Todos os grandes vultos do cristianismo tiveram uma vida exemplar, seguindo o modelo do maior de todos os exemplos, o Senhor Jesus Cristo”.

Gerações futuras

O exemplo é uma das coisas mais importantes quando se fala de geração, expõe o teólogo Tiago Brunet, na ministração “O Poder do Exemplo”. Ele salienta que a nação de Israel foi mantida por dois mil anos em diáspora [espalhada pelo mundo] com o mesmo idioma, cultura, religião, escrita e livro, justamente pelo exemplo que os pais passavam para os filhos. “Independentemente de onde moravam, o hebraico era falado, e a leitura da Torá era realizada”.

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Assim, de acordo com Brunet, o exemplo treina as próximas gerações. “Ele precisa ser visto para que fique claro para as pessoas de qual lado estamos”, observa, acrescentando que ser exemplo é um desafio, justamente “porque não dá para fingir”.

Tiago pontua que, para ser exemplo, é preciso agir não do jeito que se deseja, mas do que está certo conforme as orientações bíblicas. Na prática, isso significa que “se eu não der meu tempo e meu exemplo agora para os meus filhos, a partir de problemas traumáticos na adolescência, eles tomarão meu tempo”.

Parentalidade positiva

Na atualidade, em vez de meramente impor regras, os pais deve ser encorajados a se tornarem modelos de comportamento, na opinião da pediatra francesa Catherine Gueguen, especialista em parentalidade positiva. Nessa abordagem, que não é sinônimo de permissividade, os pais são guias amorosos na jornada dos filhos em direção à independência e à autoconfiança. Envolve definir limites claros e consistentes, sem recorrer à violência física ou psicológica.

“Demonstre os valores que deseja ensinar por meio do exemplo. Cultive um ambiente familiar em que o respeito mútuo e a cooperação são valorizados. Promova a resolução pacífica de conflitos através do diálogo aberto”, orienta Catherine, autora do livro “Por Uma Infância Feliz”, da nVersos Editora.

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Ela aconselha ainda o desenvolvimento da segurança afetiva. “Esteja verdadeiramente presente e disponível, ofereça apoio nos momentos difíceis. Crescer cercada de carinho desenvolve a inteligência emocional e social e evita a emergência de perturbações fisiológicas cerebrais, que, uma vez instaladas, são a origem de dificuldades afetivas na idade adulta”.

Já o psicólogo Filipe Colombini adverte os pais a estarem atentos às próprias emoções. De acordo com o especialista, não adianta apenas falar, é preciso mostrar, por meio de ações, a partir do gerenciamento dos próprios sentimentos.

“Os pais são referências para os filhos, portanto, é fundamental que eles vivenciem suas próprias emoções, sejam elas boas ou não, e compartilhem esses momentos com os filhos, no sentido de orientá-los”, destaca Filipe, finalizando que “Pai e mãe devem estar abertos a falar sobre os sentimentos e estarem sempre dispostos a escutar o filho quando ele quiser contar algo, apoiando-o em momentos de dúvidas”.

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