19.9 C
Vitória
quarta-feira, 25 maio 2022

Pesquisa: França e Polônia são os países mais antissemitas da Europa

Manifestação que ocorreu em 2019, na França - Foto: Thibault Camus/AP Photo

Os pesquisadores ouviram homens e mulheres, com 18 anos ou mais, que representam a população adulta israelense formada por judeus e árabes

Por Patricia Scott

O Fórum Europeu da Universidade Hebraica de Jerusalém (HUJI) divulgou o resultado de uma pesquisa sobre as percepções dos israelenses sobre a taxa de antissemitismo na Europa. O estudo também revela se eles veem o antissemitismo como a força motivadora por trás das políticas da União Europeia e das críticas a Israel. Isso acontece às vésperas do Dia Internacional em Memória do Holocausto, nesta quinta-feira (27).

Participaram da pesquisa 1.006 pessoas, entre homens e mulheres. Os pesquisadores foram à casa dos entrevistados, que são judeus e árabes, com 18 anos ou mais, sendo uma amostra aleatória e representativa da população adulta israelense. O Instituto PORI realizou o trabalho de campo, parcialmente financiado pela Fundação Hanns-Seidel em Jerusalém.

Uma das principais descobertas está que os judeus enfrentem mais hostilidade no futuro na Europa. Significativamente 53% dos entrevistados judeus acredita que a situação dos judeus na Europa vai piorar, com apenas 25% crendo que as coisas permanecerão as mesmas. Vale salientar que quanto mais velho o entrevistado e quanto mais religioso, o pessimismo quanto à situação era maior. Já entre os entrevistados árabes, a percepção da maioria foi de que a situação dos judeus na Europa permanecerá a mesma (52%) ou até melhorará (20%).

De um modo geral, a França (39%) e a Polônia (33%) lideraram o grupo entre os países europeus percebidos como os mais antissemitas. A Alemanha surge em terceiro lugar, 15%. No entanto, a pesquisa aponta que a Alemanha ficou em primeiro lugar entre os judeus ultrarreligiosos (haredi). Já entre os judeus religiosos e tradicionais, a França foi a mais alta, e a Polônia liderou a lista entre os judeus seculares. No entanto, entre os entrevistados árabes, eles classificaram a Polônia e a Alemanha em primeiro lugar.

Dra. Gisela Dacha, principal autora da pesquisa – Foto: Universidade Hebraica

Parece que criticar Israel não é um ato de antissemitismo em si. Enquanto apenas um terço dos judeus pesquisados estabeleceu uma ligação direta entre as críticas a Israel e o antissemitismo, a maioria dos entrevistados judeus acredita que “às vezes” existe uma ligação entre os dois.

Judeus e árabes ficaram divididos sobre se as políticas da União Europeia são antissemitas. Um terço (27%) dos entrevistados judeus rejeitaram a noção, enquanto um número igual (27%) acredita que as políticas são antissemitas; 40% disseram que alguns são e outros não. A taxa de árabes que não via qualquer ligação entre as políticas da UE e o antissemitismo foi significativamente maior (53%).

A professora Gisela Dachs, do Fórum Europeu do HUJI e principal autora da pesquisa, analisou que “enquanto a maioria dos israelenses vê uma ligação entre as críticas às políticas israelenses e o antissemitismo, os entrevistados eram muito mais sutis do que os políticos de Israel. Os israelenses que estão familiarizados com a Europa também sabem distinguir entre os vários países e isso se reflete aqui na pesquisa.”

Segundo Dachs, “a percepção da França no topo da lista de nações europeias antissemitas não me surpreendeu. Por muito tempo, foi um segredo aberto que a França está repleta de antissemitismo, e não apenas entre os políticos e populações de extrema-direita. Desde a segunda Intifada de Israel em 2000, os judeus franceses começaram a sentir que pode não haver futuro para a geração mais jovem na França, e muitos emigraram para Israel para manter sua identidade judaica”.

Para o professor Gili Drori, sociólogo e diretor do Fórum Europeu do HU, “a pesquisa revela a urgência de estudar a multidimensionalidade das relações israelo-europeias. Vemos que, ao lado das relações comerciais muito fortes e dos acordos formais entre Israel e a Europa, os israelenses observam o aumento do antissemitismo e o crescente poder da direita política na Europa com grande alarme.”

Com informações Israel 365 News

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Comunhão Digital

- Publicidade -

Fique Por Dentro

- Publicidade -

Plugue-se