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domingo, 24 outubro 2021

Pesquisa: evangelismo não é prioridade para as igrejas canadenses

Os canadenses estão em busca de significado e propósito, lutando contra a solidão e lidando com as tragédias trazidas pela Covid-19

Por Patricia Scott

Aproximadamente 65% dos líderes de igreja no Canadá dizem que o evangelismo não tem sido uma prioridade para as congregações nos últimos anos. O dado é da pesquisa conduzida pelo Alpha Canada e o Flourishing Congregations Institute, que revela ainda que as denominações cristãs não equipam os cristãos para o compartilhamento da fé. Mais de 2.700 religiosos responderam, entre maio e julho de 2021, à pergunta: “Qual o nível de prioridade da sua igreja para o evangelismo?”.

Cerca de 20% disseram que o evangelismo era uma preocupação moderada. No entanto, apenas 9% responderam que era uma alta prioridade para os membros de sua congregação.

A maioria dos entrevistados é de igrejas evangélicas, como batistas e denominações pentecostais. A tendência de não enfatizar o evangelismo, de acordo com o estudo, parece generalizada.

Steven Jones, presidente da Fellowship of Evangelical Baptist Churches no Canadá, ressaltou que está “profundamente preocupado” com os números. Ele analisa os dados da pesquisa como reflexo do declínio contínuo do cristianismo evangélico no Canadá.

Cerca de 10% dos canadenses, historicamente, se consideram evangélicos. Hoje, segundo o censo quadrienal da Evangelical Fellowship of Canada, apenas 6% dos canadenses são evangélicos. O que significa que estes são os números mais baixos já registrados. O desafio número um ao evangelismo, ressaltaram os líderes, é “o antagonismo percebido em relação aos valores cristãos e à igreja cristã”.

Fé em ação
Segundo David Koop, pastor da Coastal Church, uma grande congregação urbana em Vancouver, British Columbia, muitos cristãos mais jovens aceitaram as críticas canadenses seculares à fé. “A próxima geração tem uma narrativa realmente diferente que eles estão ouvindo”.

A sociedade enxerga a igreja como um problema, de acordo com o pastor David. “Muitos cristãos se esquivam de compartilhar sua fé. No mínimo, eles são mais avessos aos métodos tradicionais de evangelismo”. Durante grande parte do século 20, evangelismo significava distribuir folhetos ou bater na porta das pessoas. Hoje, afirma Koop, há mais ênfase nos relacionamentos e em mostrar às pessoas a fé na prática.

Foto: Reprodução

Quando os participantes do levantamento foram solicitados a listar os três métodos mais comuns de evangelismo incentivados na sua igreja, a resposta mais comum foi “mostrar a fé por meio de suas ações”. “A maneira mais eficaz ainda é fazer o que Jesus disse em Lucas 10”, frisa Koop e pontua: “Vá para as casas das pessoas. Conheça-os. Viva em um relacionamento comunitário. Ore por eles”.

O pastor Jeff Eastwood, que vive e lidera uma igreja no extremo oposto do país em Charlottetown, Ilha do Príncipe Eduardo, considera que amplas mudanças culturais tornaram mais difícil falar sobre fé quando a retórica antirreligiosa é abundante.

“Quando a maioria – ou parece que a maioria – está concordando com essa ideologia, fica mais difícil para os cristãos falarem sobre isso, especialmente de uma forma diferenciada”, enfatiza Eastwood, que pastoreia a Grace Baptist Church.

Ele incentiva os cristãos a fazerem o que Jesus fez: conectar-se com as pessoas, envolvendo-as e falando sobre suas situações específicas. “O melhor evangelismo vem de relacionamentos”.

Pandemia
Vale destacar que pesquisa foi feita durante bloqueios generalizados no Canadá por causa da pandemia da Covid-19. O momento adverso pode ter exacerbado o problema e dificultado o evangelismo. O alcance tornou-se mais difícil, com reuniões proibidas e muitas pessoas limitando o contato a uma pequena “bolha” de pessoas. A igreja de Eastwood, por exemplo, teve que cancelar seu Estudo Bíblico de Férias.

Além disso, os líderes da igreja que já estavam trabalhando o máximo que podiam, ficaram sobrecarregados tentando se adaptar às mudanças impostas pelo momento. “A Covid deu uma ótima desculpa para ser muito egoísta”, diz Vijay Krishnan, que pastoreia a The Well, uma igreja no subúrbio de Toronto.

O pastor acredita que essa tendência é algo contra o qual os crentes têm lutado desde o período do Novo Testamento. “A Igreja Primitiva se contentou em ficar em Jerusalém, em vez de cumprir a Grande Comissão”. Foi preciso perseguição, cita Vijay, para espalhá-los até os confins do mundo, como Jesus ordenara.

Ao mesmo tempo, segundo Krishnan, a pandemia criou oportunidades para as pessoas serem mais abertas sobre suas lutas. “A maioria das pessoas foi afetada de alguma forma pela pandemia. Essa experiência cultural compartilhada pode abrir portas para falar sobre assuntos mais pessoais”, pondera e pontua: “É como se você os estivesse convidando para um encontro espiritual com um Deus que você conhece”.

Os dados da pesquisa revelam que a necessidade de evangelismo no Canadá é urgente. Os canadenses estão em busca de significado e propósito, lutando contra a solidão e lidando com as tragédias trazidas pela Covid-19.

Com informações Christianity Today 

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