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segunda-feira, 6 dezembro 2021

Pesquisa revela opinião de líderes sobre conduta de abusadores

Pesquisa americana aponta que o afastamento das atividades é a primeira medida tomada contra líderes suspeitos de abuso sexual nas igrejas

Por Patricia Scott 

Um estudo da Lifeway Research, de Nashville, nos Estados Unidos, revelou que uma maioria significativa de pastores nos Estados Unidos acredita que “qualquer pessoa que comete abuso sexual é permanentemente desqualificada para ocupar o cargo pastoral”, seja a vítima uma criança ou um adulto.

Aproximadamente 83% dos pastores afirmam que, se um líder comete abuso sexual infantil, ele precisa se retirar permanentemente do ministério. Para 2%, o tempo de afastamento deve ser de pelo menos 10 anos, enquanto 3% dizem no mínimo cinco anos e 3%, dois anos. Poucos apontam para um período de tempo mais curto: 1% pelo menos um ano e menos de 1%, de seis a três meses. Outros 7% afirmam que não têm certeza de quanto tempo o prazo deve ser.

A grande maioria dos pastores (74%) também apoia a retirada permanente do ministério para qualquer líder que cometer agressão sexual e abuso de qualquer membro adulto da congregação ou equipe. Um em cada 20 diz que o tempo de afastamento deve ser de pelo menos 10 anos (5%), pelo menos cinco anos (5%) e pelo menos dois anos (5%).

Na opinião do Pastor Márcio Ramos, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), toda acusação precisa ser apurada. “Todos são inocentes até que se prove ao contrário. É o que consta na Constituição. Se ainda não há nada concreto, os fatos precisam ser levantados em profundidade”, assegura. No entanto, segundo ele, se realmente ficar comprovado que o pastor é o autor ou participante do abuso sexual, ele deve ser afastado. “Esse líder precisa, inclusive, de tratamento. Não adianta querer excluir e não tratar. A liderança precisa ser trabalhada, tratada”.

O psicólogo Paulo Maurício Peixoto salienta que a exclusão é uma praxe no meio do pastoreio. “Se o líder caiu, é excluído imediatamente. Todos eles têm momentos de queda, mas, ao mesmo tempo, Deus ensina que nessas situações surge quem é o verdadeiro cristão. Aquele que dará a mão e que tentará colocar essa pessoa em tratamento”, analisa. De acordo com o especialista, o líder necessita de acompanhamento psicológico. “No entanto, é mais fácil excluí-lo do que tratá-lo”.

Nara Célia: “é preciso afastamento do cargo, mas com acompanhamento especializado”. (Foto: Arquivo Pessoal)

A assistente social Nara Célia Batista de Santana de Araújo Santos concorda que a liderança precisa ser tratada com profissionais especializados.

“Não podemos desistir de resgatar a imagem de Deus do plano original da criação”, acredita. Entretanto, ela afirma que enfrentar a denúncia faz parte da responsabilidade de quem pratica esse tipo de ato. “Toda ação gera uma consequência. Então, a pessoa precisa assumir o que fez também perante a justiça”.

Por outro lado, Nara diz que excluir não resolve o problema, mas afastar do cargo é necessário. “Será que esse líder chegou saudável ao ministério? Ou já tinha indicadores que foram negligenciados? São questões que precisamos refletir”.

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