Pesquisa Comunhão 2009

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Como se comportam e do que gostam os evangélicos da Grande Vitória

A Revista Comunhão torna o Espírito Santo referência em assuntos do meio evangélico mais uma vez ao divulgar pesquisa que traça o perfil de vida cristã, comportamento e consumo do segmento que mais cresce no Estado.

A Igreja Evangélica brasileira é um fenômeno mundial e o Espírito Santo, um fenômeno no cenário nacional. Não é apenas a Revista Comunhão quem faz essa afirmação, mas levantamentos realizados ao longo dos anos também mostram isso claramente.

O crescimento da Igreja é visível não apenas nos templos que surgem a cada dia nos bairros e avenidas. Basta conversar com o cidadão que está na fila do banco ou do supermercado para se perceber, pelos jargões ou por cantarolar o louvor da moda, que ali está mais um crente.

Há algumas décadas não era tão simples encontrá-los ou, pelo menos, vê-los professando sem qualquer timidez que são crentes. Nos últimos anos, a massa evangélica brasileira começou a ser destacada em pesquisas como os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outras de projeção, como o Ipea e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Pesquisa é uma ferramenta eficiente para mostrar à sociedade o peso participativo do segmento em nível nacional e estadual e em todas elas observa-se, nitidamente, o crescimento no número daqueles que se declaram evangélicos.

Escala do crescimento evangélico no ESComunhão vem, ao longo dos anos, esmiuçando e projetando o crescimento da Igreja a partir dos dados de 1991 até o ano 2000. No censo de 1991, havia 13,7 milhões de evangélicos no Brasil. Em 2000, este número passou para cerca de 26 milhões, isto é, 15% da população. No Espírito Santo, os crentes passaram de 448.053 em 1991 para 850.442 em 2000 – 27,45% da população.

O professor Ailton Pedreira da Silva, especialista do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), realizou um estudo analítico a pedido de Comunhão levando em conta a Taxa de Crescimento Exponencial (TCE) dos evangélicos no período 1991-2000.

A partir desse indicador, que foi de 7,12%, Ailton traçou a projeção de crescimento da população evangélica no Estado para os anos seguintes. Observando a taxa de crescimento exponencial, em 2002 haveria 1 milhão de evangélicos no Estado. Tendo ainda como base esse percentual, em 2009 se chegaria à marca de 1.562.698 evangélicos no Espírito Santo.

Em nível nacional, se o mesmo ritmo de crescimento constatado se repetir, não é exagero afirmar que até 2022 o Brasil terá se tornado 50% evangélico.

 

A importância de pesquisar

mrioPesquisa é um instrumento que ajuda o Brasil a se conhecer. Graças a ela, políticas públicas são definidas, tratamentos para doenças são descobertos, perfis populacionais são destacados e comportamentos de diferentes públicos são revelados.

O papel da Revista Comunhão, enquanto prestadora de serviço para o meio evangélico, é oferecer mais do que informação de qualidade para o leitor. É conhecê-lo em profundidade e ajudar no crescimento do Reino a cada edição.
Com esse objetivo, pelo segundo ano consecutivo, o segmento evangélico do Espírito Santo foi radiografado por uma pesquisa encomendada pela Next Editorial/Revista Comunhão ao Instituto Merccato Inteligência Competitiva, de Vitória.

O Instituto Merccato é parceiro da Next Editorial há mais de cinco anos. Na análise do diretor-executivo da Next Editorial, Mário Fernando Souza, todo veículo de comunicação precisa de parceiros que produzam informação e conteúdos que qualifiquem sua linha editorial. “Foi desta necessidade que nasceu a parceria entre a Comunhão e a Merccato, ou seja, um veículo respeitado parceiro de uma empresa que produz informação de mercado qualificada”.

O estudo contou com uma expressiva amostragem, 800 entrevistados, para levantar informações detalhadas sobre o perfil do evangélico capixaba, seus hábitos relacionados a vida cristã, comportamento, usos e costumes.

Foram abordados seis temas distintos e complementares sobre o comportamento do crente: lembrança de marca, vida cristã, consumo de mídia, hábitos de lazer, uso da internet e opinião política.

hudson---mercattoEntre os dias 17 e 23 de junho foram ouvidos 800 moradores dos principais municípios da Grande Vitória: Vila Velha, Vitória, Cariacica e Serra. O perfil dos entrevistados: evangélico, acima de 16 anos, ambos os sexos, todas as classes sociais.

Entre os participantes, as mulheres se mostraram mais receptivas, e por isso representam 62,84% das respostas, oferecendo subsídios que permitiram construir um nítido retrato do segmento. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, o que permite 95% de confiabilidade dos resultados.

As denominações que mais participaram da pesquisa foram membros da Assembleia de Deus (31,42%) e Maranata (13,34%). A faixa etária que prevaleceu nas entrevistas foi de 20 a 29 anos (28,93%), seguida da faixa de 30 a 39 anos (22,32%). Os casados formaram a maioria dos participantes (46,13%).

Os entrevistados, em sua maior parte (39,28%), são classificados como integrantes das classes sociais D e E, com renda familiar média de R$ 830. A segunda maior participação (31,67%) foi de integrantes da classe C, com renda média de até R$ 1.700; 25,19% estão na casa dos que têm renda familiar acima de R$ 1.701.

A pesquisa aponta que somente 36,66% dos entrevistados têm o ensino médio completo e que 21,95% possuem o ensino fundamental incompleto. Os que têm o ensino médio incompleto somam 16,71%. Os que possuem curso superior completo são apenas 4,61% – desses, 5,39% são moradores de Vitória.
Segundo Anselmo Hudson Siqueira, diretor da Merccato, a Revista Comunhão é pioneira na realização deste tipo de pesquisa, colocando no mercado capixaba informações sérias e confiáveis. “Trata-se de uma contribuição inestimável para o mercado local, tão carente de informações de qualidade”.

Ainda conforme Anselmo Hudson, a pesquisa é extremamente representativa do público evangélico da Grande Vitória. “Os entrevistados foram abordados em pontos de grande circulação de pessoas. Os pesquisadores explicavam o objetivo da pesquisa e a importância da opinião pessoal. Essa abordagem valoriza o público e qualifica as respostas, tornando o resultado da pesquisa mais representativo e confiável”.

Para o diretor do Instituto Merccato, é extremamente relevante pesquisar este segmento. “Não se trata apenas de um fenômeno religioso. Essa evolução no crescimento das famílias vem acompanhada de todo um crescimento no consumo de bens duráveis e não duráveis, na preferência por lazer e entretenimento, na escolha das escolas dos filhos e na complementação educacional dos adultos. A Revista Comunhão não apenas entende essa importância, até porque faz parte do meio, como contribui de maneira objetiva na qualificação do debate em torno dos hábitos e do consumo evangélicos”, disse Anselmo Hudson.

Na visãadilson-artcomo do publicitário Adilson Lourenço, diretor da Artcom, a importância de pesquisas como esta é indiscutível. “Diante do crescimento fantástico do número de evangélicos no Estado, não podemos ignorar a opinião, os hábitos de consumo e o comportamento desse público. As pesquisas comprovam também que seu nível social mudou bastante, envolvendo uma grande parcela da classe A e B, o que garante bons resultados nos investimentos voltados para essa abordagem”.
A fidelidade do público evangélico é reconhecida por Adilson em relação ao que ouvem e ao que leem. “Como cristão e publicitário não tenho dúvida de que esse fato possibilita uma margem de acerto infinitamente maior em relação à segmentação da comunicação. Na Artcom, não apenas eu, mas nossos profissionais de mídia e até mesmo por iniciativa de nossos clientes, temos acompanhado esse crescimento e contemplado as mídias gospel. A pesquisa só veio validar uma estratégia de que a Artcom vem lançando mão há algum tempo”.

Vida Cristã

Primeiro contato com a Igreja

A Pesquisa Comunhão 2009 perguntou: quem estimulou o seu primeiro contato com a Igreja?
E traz um dado importante quanto à conversão à fé em Cristo: 39,53% dos entrevistados tornaram-se evangélicos devido à influência dos pais; e 39,15% devido ao convite de amigos/parentes para ir a uma igreja. Apenas 10,10% decidiram espontaneamente visitar uma igreja evangélica para participar do culto. De forma prática, temos a oportunidade de entender como as pessoas são motivadas a irem a uma igreja.

pr.-eduardoA maioria dos 800 entrevistados (60,47%%) começou a frequentar a igreja antes dos 16 anos de idade e 12,97% passaram a ir entre 16 e 19 anos, mesmo percentual dos que foram com idade entre 20 e 29 anos.

A influência e autoridade dos pais para a caminhada cristã, desde a infância até a adolescência, são determinantes, de acordo com o resultado da pesquisa. “Um grande problema é detectado quando a criança frequentou a igreja durante anos e não teve um encontro pessoal com Jesus. Quanto ao adolescente, a tendência é que se afaste da igreja, para desfrutar dos prazeres mundanos”, disse o Pr. Eduardo Vieira, da Assembleia de Deus Nova Vida em Itapoã, Vila Velha.

Com que idade começou a frequentarSegundo ele, é fundamental que os pais orientem os filhos, desde cedo, no caminho que devem andar e que na igreja o trabalho com crianças e adolescentes seja realizado por pessoas capacitadas, que o façam por amor. “Crianças e adolescentes que são assistidos com programas criativos e espirituais no futuro serão jovens e adultos com firmeza de caráter e vida cristã frutífera. As igrejas precisam investir. Cada igreja vive uma realidade mas, no geral, todas as atividades que possam proporcionar crescimento espiritual e integração são fundamentais para uma juventude forte”.

O que você mais gosta na Igreja?

A música é, para a maioria, o grande motivo de atração para as igrejas evangélicas atualmente. A pesquisa aponta que 34,66% dos que responderam declararam gostar mais da parte do louvor no culto. Serra é a cidade que apresenta maior número de pessoas que apreciam mais a adoração (40,80%). A pregação da Palavra de Deus é apreciada por apenas 14,46%, e do culto por inteiro por 28,80%. Na pesquisa de 2008, a preferência pelo louvor ocupou mais de 50% das respostas.

Quando questionados sobre mudança de igreja, 77,93% disseram que não mudaram recentemente. Os que se mostraram insatisfeitos com a igreja ou mudaram por outros motivos representam 21,32%. A maioria daqueles que mudaram de igreja são de Vitória (24,51%).

Leitura da Bíblia e participação na igreja

O hábito da leitura bíblica é muito estimulado pelas igrejas evangélicas. Mas um dos pontos que se constata na pesquisa é a carência enorme com relação à leitura da Bíblia de forma completa. Ler a Bíblia toda é uma meta ainda não alcançada por 79,43% dos evangélicos; apenas 20,32% deles já a leram por completo. Em um ano, o resultado não mudou muito. Em 2008, a pesquisa mostrou que 81,88% não haviam lido a Bíblia toda e apenas 17,63%, sim.

Você já leu a Bíblia toda?

De acordo com o Pr. Simonton Araújo, da Missão Praia da Costa, Vila Velha, a leitura da Bíblia por completo é um dever do crente. “A Bíblia é a base da Igreja. Ela é nossa regra de fé e prática. Como podemos saber sobre a fé que professamos sem conhecer a Bíblia, os ensinamentos de Deus em sua totalidade? Em nossa igreja, temos estimulado os membros a levarem a Bíblia para aonde forem e oferecemos programas de leitura completa da Palavra para todas as idades”.

pr-kemuelO brasileiro, em maioria, é desinteressado pela leitura. Esse é o coro de muitos especialistas do mercado literário. E isso se reflete, também, no meio evangélico. “Mas não justifica, pois o crente deveria ter mais interesse pela leitura diária da Palavra de Deus”, falou o Pr. Kemuel Sotero, da Assembleia de Deus em Aribiri, Vila Velha.

O trabalho pastoral também foi medido na pesquisa: 82,42% dos entrevistados afirmaram já ter recebido a visita em casa de um pastor ou líder da igreja. Recebê-la ainda é o desejo de 14,04%. Vila Velha se apresenta como o município em que mais se visita (83,41%).

Para o pastor Kemuel Sotero, a visitação é importante não apenas por razões sociais. “Visita pastoral significa atenção espiritual, acompanhamento em caso de necessidades eventuais, conforto e estímulo à fé”.

Dízimo

Na visão do Pr. Simonton Araújo, a visitação deve ser feita com critério e todos os membros devem ser estimulados a fazer. “Não visitamos para preencher relatório. Geralmente, quem quer ser visitado e critica o pastor por não visitar não quer visitar seu irmão; isso sem contar que há ainda os que querem ser mimados. Visita-se aquele que quer compromisso com Deus, aquele que quer crescer na Palavra”.

OfertasA doutrina dos dízimos e ofertas é conhecida de todos os evangélicos. Entretanto, praticada fielmente por apenas 70,20% dos entrevistados. No total, 28,80% declararam não contribuir com o dízimo e 1% estão classificados entre os que não souberam ou não quiseram responder a esta pergunta. Ofertar é um hábito na vida de 79,05% e 20,20% disseram que não praticam a oferta.

Participação na igreja
O nível de participação nas atividades da igreja é um tema de alerta para todos os líderes cristãos. A partir do questionamento, a participação foi classificada como em alto, médio ou baixo nível. Os entrevistados de nível médio representam 40,02% das respostas e como baixo, 32,17%. Juntos, eles somam 72,19% das respostas.

Os que se classificaram com tendo participação ativa na igreja foram apenas 27,18%. A maioria dos entrevistados não possui nenhum cargo na igreja (58,23%). Os músicos fazem parte do universo de 7,86% dos participantes; professores, 5,24%.

Cargo na Igreja

Os dados apontam uma característica real da igreja moderna. Na visão do pastor adventista Paulo Falcão, a disponibilidade de tempo é cada vez mais escassa, levando o membro ao não envolvimento com as atividades da igreja. “Devido ao secularismo, associado aos constantes apelos que a mídia oferece e que hoje permeiam o meio cristão, vemos um distanciamento. Hoje as pessoas querem Deus, mas não querem compromissos com a Igreja. Religiosidade, sim; compromisso, não. Eis a síntese do que vivemos hoje”.

Ainda segundo o pastor, pesquisas denominacionais mostram que entre a membresia 3% são inovadores, 14% entusiastas, 34% conservadores, 34% relutantes, 15% resistentes. “Conclui-se, portanto, que devido a essa diversidade de atitudes não é fácil eleger membros, por causa da pluralidade de pensamentos e ideias existente na comunidade. Outro fato é que o membro precisa ter a conscientização de que tendo uma participação efetiva haverá ganho na relação de santificação para com o nosso Redentor”.

Vários fatores contribuem para a ausência dos fiéis aos cultos e nas atividades da igreja, conforme explica o Pr. Kemuel Sotero. “Mas temos que analisar sob a ótica do compromisso, do amor a Deus. Se o verdadeiro crente se impuser certas situações contrárias, fará o esforço necessário para desenvolver uma vida espiritual mais ativa e participante. Isso depende de dedicação e amor a Deus. Nada estimula espiritualmente, senão a ação divina no indivíduo”.

Até aqui a Revista Comunhão e a Merccato pretenderam traçar o perfil do evangélico observando seu comportamento na caminhada cristã. Nas páginas seguintes, você confere outros itens da pesquisa, como hábitos de lazer, uso de mídias e consumo.

Confira os resultados da pesquisa nas categorias abaixo: