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segunda-feira, 19 outubro 2020

Perdão: o cristianismo de fato

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Você já pensou no que seria da humanidade se não houvesse perdão?

Imagine uma família em que os membros não se olham e que mágoas são constantemente colocadas à mesa.  Imagine uma casa onde irmãos não conversam entre si e marido e mulher aparentam ser desconhecidos um do outro.

Imagine um ambiente de trabalho em que não há companheirismo. Pense em um país que não se relaciona com outros. Pare e pense ainda em uma igreja em que os membros não se falam. Em ambientes assim, a certeza é uma só: não há espaço para consertar o que um dia se quebrou e, por isso, não há espaço para erro.

O perdão é uma ação recomendada por Jesus para todos e, sobretudo, para os cristãos. No Sermão do Monte, Cristo dá uma das lições mais profundas a respeito do perdão ao final da oração do Pai Nosso: “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas” (Mateus 6:14 e 15).

Em grego, perdoar significa remir, liberar ou cancelar uma obrigação. Por isso, por muitas vezes, essa palavra foi usada na Bíblia no sentido de perdoar um débito financeiro. Mas, seja no caso de dívidas, ofensas pessoais, trapaças ou traições, perdoar nunca é fácil. O grande desafio imposto, então, é como fazer para perdoar alguém.

De acordo com o pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva, em Vitória (ES), José Ernesto Conti, o perdão não é uma ordenança de Deus, mas uma orientação para o bem de quem perdoa. “Por mais que seja um chavão evangélico, a palavra certa é ‘liberar o perdão’. Jesus diz que se não perdoarmos, Deus não pode nos perdoar (Mateus 6:15). O perdão não é uma ordenança do ponto de vista teológico – ordenanças são a ceia e o batismo -, entretanto, Paulo recomenda que, como eleitos de Deus, devemos nos revestir de misericórdia, perdoando-nos mutuamente. Perdão é, antes de tudo, uma atitude cristã. Só podemos dizer que somos cristãos se somos capazes de perdoar”, destacou.

O pastor explica ainda que não há uma condição específica para perdoar alguém. Ao contrário, ser incondicional é um atributo do perdão. “Se o perdão de Deus a nós é incondicional, nosso perdão também precisa ser. Se exigirmos uma condição, deixa de ser perdão e passa a ser um ‘acordo de paz’, sujeito a ser quebrado a qualquer momento”, afirmou Conti.

Só podemos dizer que somos cristãos se somos capazes de perdoar.

O problema começa por você

Infelizmente, não há um manual para que uma pessoa perdoe outra com rapidez e de coração, mas alguns pontos importantes podem indicar o “caminho das pedras”. Deve-se, antes de tudo, admitir os próprios erros.

Não há nenhum homem sem pecado e que não tenha causado dor em outra pessoa. Reconhecer isso é difícil, mas, por incrível que pareça, é um dos pontos cruciais quando se quer pedir perdão.

“Na verdade, o maior de todos os problemas com relação ao perdão é a dificuldade da pessoa de perdoar a si mesma. As pessoas carregam culpas por longos anos e não conseguem tratar o problema. Elas deixam de evoluir, de crescer, ficam paradas no tempo, sofrendo por coisas do passado que não conseguem resolver. Daí a grande procura nos consultórios por ajuda psicológica. Por trás do problema aparente, há uma grande necessidade de perdão próprio”, explicou a psicóloga da Igreja Batista da Mata da Praia, em Vitória (ES), Rosane Castilho.

Posso perdoar e não esquecer?

Essa é uma das principais dúvidas quando se fala em perdão. Uma traição conjugal pode simplesmente sumir da memória da pessoa após ela aceitar perdoar o cônjuge? As ofensas de um amigo podem desaparecer da mente de um dia para o outro? Uma dívida financeira pode ser esquecida ao se liberar o perdão para o devedor?

O pastor e psicanalista Edson de Oliveira, da Igreja Presbiteriana do bairro Aparecida, em Cariacica (ES), resume em uma frase a resposta para esses questionamentos: “Perdoar não é esquecer, é lembrar sem sentir dor”. E complementa: “Perdoar e esquecer são coisas distintas. Esquecer uma ofensa é tão difícil quanto esquecer um acidente de carro que aconteceu quando éramos crianças, por exemplo. Entretanto, assim como o acidente do passado, é só uma lembrança. O perdão tem essa capacidade de evitar que um erro, uma mágoa ou uma ofensa não influencie no meu relacionamento com aquela pessoa. Se aquele ato contra mim ainda influencia a minha vida, é porque não houve perdão de fato”.

Um exemplo bíblico disso é José, que era rejeitado por seus irmãos e chegou a ser vendido como escravo por eles (Gênesis 37). No entanto, Deus foi fiel a ele e alguns anos depois José se tornou liderança no Egito. Quando seus irmãos foram ao seu encontro para comprar comida, porque passavam por necessidades, ele os perdoou (Gênesis 45) e ao final do texto há a concretização do perdão entre irmãos: “E José beijou a todos os seus irmãos, chorando sobre eles” (Gênesis 45:15).

Assim como aconteceu com José, o pastor da Faculdade Teológica Unida, Wanderley Pereira, explica que não há como esquecer o que foi feito, ainda mais quando isso marca profundamente, mas o amor supera o erro praticado. “Não há como apagarmos o fato de nossa memória num passe de mágica. Contudo, com o perdão, aquela experiência já não nos afeta. Lembramos do que aconteceu, mas essa lembrança não causa mágoa nem ira. Não nos deixarmos afetar por lembranças do ocorrido é uma prova de que houve, de fato, perdão”, declarou.

As cicatrizes da consequência do erro

Engana-se quem pensa que basta pedir perdão para ficar livre das consequências do erro. É como se as marcas ficassem expostas no corpo e que, por isso, podem frequentemente ser lembradas pelos outros como exemplo negativo ou positivo de superação.

“Uma jovem ou adolescente que tem relação sexual antes do casamento pode até pedir perdão aos pais e também a Deus, mas pode engravidar. Não que a gravidez seja uma punição. Ao contrário dos homens, Deus perdoa e esquece. Mas a consequência se dá pelo erro da pessoa. Da mesma forma acontece com a infidelidade conjugal. O marido ou a esposa pode perdoar, mas o relacionamento não será como antes. O erro é como uma cicatriz, fica para lembrarmos o que ocorreu”, exemplificou o pastor Celso Godoy.

Assim como o pastor destacou, o único que consegue perdoar e esquecer por completo é Deus. Há vários textos na Bíblia que comprovam isso, como em I João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. Em Miquéias 7:18 e 19 está escrito: “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar”.

Há, sem dúvida, algo divino nos nossos corações quando perdoamos. É como se experimentássemos a prova do amor de Deus para com os seus filhos.

“Errar é humano, perdoar é divino?”

Essa expressão popular retrata bem como funciona o coração do homem, que está sujeito a pecar e que, frequentemente, ao ser ofendido, quer pagar com a mesma moeda. Se alguém nunca me perdoou, por qual motivo devo perdoá-la? Se uma pessoa sequer pede desculpas por pequenos equívocos, por que perdoar grandes mágoas causadas? Se alguém me causou dor, tem que sofrer também, nem que seja só um pouco.

“Jesus chamou isso de ‘dureza de coração’ (Marcos 10:5 e Hebreus 4:7). Só podemos perdoar verdadeiramente com o auxílio de Deus se pedirmos a Ele que nos ensine a perdoar. É impossível perdoarmos por nós mesmos. Talvez o nosso maior erro e dificuldade em perdoar e ser perdoado é a ideia de que somos capazes disso por nossas forças”, disse a psicóloga Rosane Castilhos.

O pastor José Ernesto Conti ressalta que o ditado acaba se tornando uma verdade na vida do ser humano. “Por um lado, essa frase popular mostra que todos pecam. Mas, de outro, mostra que aqueles que receberam o perdão de Deus aprenderam a perdoar seus semelhantes. Logo, ser cristão é perdoar”, destacou.

“Quando alguém perdoa é algo divino. Um grande exemplo contemporâneo foi o que fez Nelson Mandela, depois de 27 anos de prisão, ao perdoar seus algozes e promover um movimento de perdão que envolveu toda a nação para curar as feridas do apartheid”, acrescentou o pastor Wanderley Pereira.

Há, sem dúvida, algo divino nos nossos corações quando perdoamos. É como se experimentássemos a prova do amor de Deus para com os seus filhos. Se Deus nos perdoa das nossas inúmeras falhas, como podemos nos colocar em uma posição de superioridade diante do próximo, como se não estivéssemos sujeitos a erros?

Como cristãos, devemos nos lembrar da frase de Jesus dita na cruz após ele ser blasfemado, humilhado, açoitado e crucificado: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).


Aprenda a perdoar com estes 6 passos:

1. Admita o erro
Antes de começar a pensar em perdoar uma pessoa, admita também os seus erros.

2. Converse com o Pai
Dobre os joelhos e peça perdão a Deus. Ele vai te dar forças para pedir perdão ao próximo.

3. Reavalie a ofensa sofrida
As grandes mágoas são resultados da nossa mania de supervalorizar a ofensa sofrida. Temos o hábito de transformar um copo dágua num rio e, como conseqüência, vivemos magoados, ressentidos e infelizes. Precisamos reavaliar a ofensa.

4. Tenha convicção de que todo ressentimento é destrutivo
Quando não liberamos perdão, introjetamos em nosso coração toda espécie de sentimento maléfico – ansiedade, angústia, amargura, raiva e ódio – que desestrutura o nosso ser bio-sócio-psíquico-espiritual. Como diz o Salmo 73:21 e 22: “Quando o coração se amargou e as entranhas se me comoveram, eu estava embrutecido e ignorante…”.

5. Busque por uma postura mental equilibrada
Toda pessoa magoada desenvolve uma postura mental rígida, extremada e desequilibrada. Com isso, passa a se sentir a grande vítima. Enquanto continuar assim, estará alimentando a dor e o sofrimento. Então, a única maneira de superar esse desconforto é fazendo uma mudança de postura mental, ou seja, ter uma postura mental equilibrada.

6. Peça perdão
Dentro da possibilidade da circunstância, procure a pessoa que você magoou e peça perdão. Se for de coração, o sentimento de raiva vai desaparecer.

Fonte: Pastor Celso Godoy e livro “Transformando derrota em vitória através do perdão”, do pastor Edson Oliveira


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“Perdão Total na Igreja” – um livro para feridos
Perdão é a atitude mais importante no relacionamento

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