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domingo, 12 julho, 2020

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Quem não perdoa fica com uma ferida aberta, liberando hormônios do estresse que podem fazer mal para o coração

Por Priscilla Cerqueira

“Ahhh, eu perdoo, mas é ele lá e eu aqui!” “Por que eu vou perdoar se foi ele que me magoou?” Certamente você já ouviu frases como essas e, provavelmente, tenha passado por uma situação parecida de desentendimento com alguém. Por isso mesmo todos nós sabemos que perdoar não é uma tarefa fácil.

Nessas horas, uma grande batalha emocional e espiritual é travada, afinal, ninguém é perfeito. Somos humanos, nascemos na transgressão. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós” (1ª João 1:8-10).

O ruim é quando “esses erros” vão deixando cicatrizes e feridas na alma. É que a falta de perdão é como um veneno capaz de tirar a alegria da pessoa e impedi-la de levar a vida abundante que Deus deseja para ela. Tem quem passe ano após ano com determinada mágoa ou rancor aprisionando quem a feriu em uma cela que está dentro de si mesmo.

“Deus me perdoou e me ensinou a perdoar, isso me revigora e me trouxe vida novamente” – Elizângela Cirino, advogada

“O que faz uma pessoa não perdoar são uma rigidez interna, um perfeccionismo exagerado e um senso de justiça desproporcional à realidade. São extremamente rigorosas consigo mesmas e sofrem quando não acertam. Com isso, são infelizes, magoadas e ressentidas”, declarou o pastor Antônio Maspoli, psicólogo clínico há 38 anos.

Amargura, ferida da alma

De todas as tempestades que assolam a família, talvez nenhuma seja responsável por mais destruição que as mágoas. A amargura é um sentimento muito ruim, de sofrimento, tristeza e ressentimento. Algumas situações podem tornar a vida amarga e a falta de perdão é uma delas, destaca o pastor Daniel Neves, da Igreja Presbiteriana de Jardim Bonfiglioi, São Paulo.

A pessoa magoada experimenta ira contínua, guarda uma ferida aberta que o tempo nunca cura. Talvez até fique adormecida por um tempo, mas mata a pessoa física e espiritualmente aos poucos, até que seja curada pelo poder de Cristo.

Na Palavra, temos o exemplo clássico de Caim, que ao alimentar a amargura em seu coração, matou o próprio irmão Abel. “Toda vez que guardamos sentimentos de mágoas, tristeza e decepção, ficamos adoecidos e somos levados a tomar atitudes como a de Caim”, afirma o pastor Daniel.

As mágoas corrompem as fontes da vida. E têm causado muitos sofrimentos na igreja e na sociedade. “Uma raiz amarga produz um fruto amargo. Quando uma pessoa tem uma amargura no coração, suas atitudes e palavras serão amargas também, e isso fará mal aos outros que convivem com ela”, complementou.

A mágoa e o ressentimento geram melancolia, tristeza, abatimento. E tudo isso junto afeta o organismo, ocasionando o enfraquecimento do sistema imunológico. “A falta de perdão pode se transformar em doenças psicossomáticas como câncer, problemas cardiovasculares e paradas cardíacas. As doenças autoimunes mais comuns são hipotiroidismo e reumatismo, entre outras”, detalhou Maspoli.
A receita para se livrar desse sentimento corrosivo é o perdão, “esse é o único caminho para resolver as mágoas”, acrescentou o psicólogo.

O Perdão

Perdoar é um dos mais nobres gestos do ser humano, é ter a capacidade de se regenerar. É também liberar-se de uma obrigação, reconhecer o erro, se redimir e reconciliar, mas também é deixar querer de punir. No entanto, poucos estão preparados para sentir essa serenidade no coração.

“O perdão é uma atitude que a pessoa toma diante daquele que a ofendeu e magoou. Significa assumir a dívida do outro como a minha, rasgar e nunca mais cobrar a atitude da pessoa que me feriu, me ofendeu e me magoou”, argumenta Máspoli.

A Bíblia cita exemplos de personagens que exerceram o perdão. Jacó e Esaú eram irmãos gêmeos, que viviam em disputas, até o dia em que Jacó traiu Esaú, que decidiu matá-lo. Jacó precisou fugir de casa e essa fuga durou mais de vinte anos. O tempo não foi suficiente para curar a ferida. Jacó voltou rico e com família numerosa, mas temeu encontrar o irmão. Mas Deus mudou o coração de Esaú e no caminho de volta para a casa, o reencontro foi uma reconciliação. Eles se abraçaram e restauraram a relação (Gn 33:4).

A dor e a cura

Honestidade, inspiração e discernimento. Essas palavras foram cruciais na vida da advogada Elizângela Cirino, 40 anos, que após nove anos de casamento, descobriu a traição e foi preciso passar por um caminho doloroso de sofrimento até entender que a cura para a ferida da alma era o perdão.

De berço cristão, conhecedora da Bíblia, Eizangela acreditava no casamento duradouro, mas se afastou dos caminhos do Senhor, até que se surpreendeu com o inusitado, e o caminho foi o divórcio. “Quando descobri a traição, foi uma decepção para mim, meu mundo desabou, tentei suicídio. Cheguei a culpar Deus pelo fracasso do meu casamento e do estado que eu me encontrava. Tentei por várias vezes restaurá-lo, mas as tentativas foram frustradas”, contou.

Foram várias tentativas de reconciliação. Nenhuma deu certo, “e com isso desenvolvi uma mágoa tão grande, que virou raiz de amargura. Eu só pensava em vingança. Era uma dor insuportável”, explicou. Dois anos depois de tanto sofrer, Elizângela, que também é psicóloga, encontrou o caminho da reconciliação. O primeiro passo foi com Deus.
“Quando meu espírito não conseguia mais se mover, voltei ao Senhor, consegui o perdão dEle, me perdoar e perdoar meu ex-esposo.

As lembranças ficaram, mas abri mão da dor e fiquei mais leve. Olho para tudo o que vivi com gratidão em meu coração, pois vi a mão do Senhor me protegendo diante da dor, da tentativa de suicídio, e mesmo que as minhas escolhas fossem contrárias ao que Ele escolheu para mim, me dava novas chances para me libertar do rancor, raiva e vingança que sentia. Deus me perdoou e me ensinou a perdoar. Isso me revigora e me trouxe vida novamente”, relatou.

“Se eu perdoo, libero graça, amor, misericórdia e compaixão da parte de Deus” – Antônio Maspoli, psicólogo clínico

Liberdade e recomeço

Pedir perdão não é fácil, muito menos perdoar. É desafiador! Mas faz bem para a saúde, é libertador. Especialistas afirmam que quando perdoamos, o estresse associado ao ressentimento diminui a ponto de suas consequências serem notáveis fisicamente. Estudos mostram redução da pressão arterial, da frequência cardíaca, da tensão muscular.

Quem perdoa experimenta maior relaxamento, mais bem-estar e sensação de controle. O perdão aumenta oxitocina, hormônio do relacionamento, melhora a imunidade, eleva a liberação de serotonina e dopamina e neurotransmissores que melhoram o humor.

“O ato do perdão traz reequilíbrio para as emoções e o sistema imunológico, porque mágoa consome muita energia. O sistema nervoso precisa de perfeito equilíbrio para funcionar. O perdão libera a sabedoria congelada de nossas feridas. A vida já é frágil, dura e difícil, se você carrega uma mágoa grande ela desequilibra o sistema, que por sua vez pede ajuda através dos sintomas psicossomáticos. Espiritualmente você se liberta e ainda liberta o outro”, explicou Máspoli.

Como qualquer emoção, a raiva dá e passa. Pode durar minutos e horas, mas nunca dias. Tudo bem sentir raiva e esperá-la passar para conversar e se reconciliar, “mas não podemos ficar remoendo a raiva por dias”, lembrou pastor Daniel. A pessoa que perdoa libera o perdão de Deus sobre si mesma.

“Mas exige a compreensão de que somos fracos, limitados e dependentes de Deus e do próximo. Não conseguimos ser irrepreensíveis pelos nossos próprios esforços. Quando entendemos quem somos e a fragilidade que temos, torna-se mais fácil o perdão próprio”, pontua o pastor.

Além do autoperdão, a reconciliação com o outro. Jesus disse que quando trouxer a tua oferta perante o altar e lembrar que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta no altar, vai e reconcilia com o teu irmão.

“O perdão liberta e cura aquele que perdoa e o que é perdoado. Se eu exijo justiça de Deus sobre aquele que me causou um dano, me magoou e me feriu, Deus vai fazer justiça não só sobre ele, mas sobre mim também. Mas se eu perdoou, libero graça, amor, misericórdia e compaixão da parte de Deus”, acrescenta Máspoli.


A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.


Dicas de leitura

 

O poder sobrenatural
do perdão
Kris e Jason Vallotton
Editora Vida

 

 

 

Faces do Perdão
F. LeRon Schuts e Steven J. Sandage
Editora CPAD

 

 

 

Perdão Total
Maurício Zágari
Editora Mundo Cristão

 

 

 


 

Para Máspoli, não perdoar pode deixar o sistema de alerta sempre ligado. A constante liberação de hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol, no nosso corpo faz mal, atrapalha o sono, aumenta a pressão arterial, a frequência cardíaca e a glicemia.

Deus é o maior exemplo de perdão, que enviou Seu único filho para morrer em uma cruz justamente para nos perdoar e nos dar o privilégio de sermos chamados filhos de Deus. É preciso primeiro aceitar o perdão incondicional de Deus. “O perdão bíblico só é possível quando reconhecemos que Deus foi misericordioso e já nos perdoou de pecados maiores que fomos atingidos”, frisou pastor Daniel.

O segredo da vitória está em permanecer em Cristo, mesmo sendo injustiçado e humilhado. Um grande exemplo é José que, aos 17 anos foi jogado pelos irmãos numa cisterna com o propósito de ser exterminado pelos inimigos (Gn 37:20). Ele foi vendido como escravo, a um oficial do Faraó, interpreta sonhos do rei, que o coloca como governador do Egito. Ao reencontrar seus irmãos, José os perdoa.

“Vamos ficando como ameixas secas por dentro, tudo vai perdendo o brilho e o encanto. Mas hoje consigo ver beleza em coisas simples e sou grata a Deus com coisas que antes nem percebia. O Senhor é a minha retaguarda sempre”, concluiu Elizângela.

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