Pequeno terremoto pode ter abalado barragens em Mariana

Abalos sísmicos aconteceram na região de Mariana, em Minas Gerais, antes do rompimento das barragens do Fundão e de Santarém, da mineradora Samarco, na tarde desta quinta-feira (05/11). A informação foi dada pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB).

Dois deles puderam ser sentidos, o primeiro às 14h02, com magnitude 2,5 graus na Escala Richter, e o segundo às 14h03, com 2,7 graus de magnitude. Os demais abalos próximos à região tiveram magnitude inferior aos 2,5, como informou o professor do observatório, George Sand França.

Segundo ele, não há informações que comprovem a ligação entre os abalos e as causas do rompimento das barragens. “É uma região que tem atividade sísmica”, disse, explicando que aspectos como detonações para extração de minérios ou eventos naturais podem causar os abalos. 

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais faz buscas no local da tragédia e já informou que estão confirmadas 17 mortes e 75 feridos. A Prefeitura de Mariana informou que são mais de 500 pessoas desalojas, sendo que 150 estão recebendo auxílio na Arena Mariana, todos perderam suas casas com o rompimentos das barragens.

O balanço do número de vítimas está sendo difícil, segundo informações da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, por conta do difícil acesso ao local da tragédia.

Um funcionário de uma empreiteira da Samarco que conseguiu fugir na correria confirmou ter sentido tremores antes do rompimento da barragem. Andrew Oliveira, que trabalha como sinaleiro, contou que na hora do almoço houve “um abalo”, mas os empregados continuaram trabalhando normalmente. “Por volta das 16h30, por aí assim, começou a praticamente ter um terremoto, mesmo, um terremoto”, afirmou assustado. 

O trabalhador conseguiu se salvar pulando de uma altura de quatro metros. “Acho que foi Deus, Deus que deu coragem mesmo de a gente não parar de correr e de acreditar que eu podia ficar vivo”, salientou.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana (Metabase), Valério Vieira dos Santos, afirma que somente entre os trabalhadores que estavam no local a estimativa é de que haja 15 e 16 pessoas mortas, mas que 45 estão desaparecidas.

Mais de 200 pessoas da Guarda Municipal, dos bombeiros, das polícias Civil e Militar, da Defesa Civil e da mineradora trabalham na busca dos soterrados. O secretário de Defesa Social de Mariana, Brás Azevedo, disse que a situação no local é muito grave e há riscos de mais desmoronamentos.

A barragem de Fundão está localizada na unidade industrial da mina de Germano, a cerca de 25 km de Mariana – distrito localizado a 100 km de Belo Horizonte (Veja mapa). O tsunami de lama provocado pelo rompimento percorreu um raio de 60 quilômetros atingindo o distrito de Bento Rodrigues que tem pouco mais de 200 casas e cerca de 600 moradores.

O diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, publicou um vídeo em suas redes sociais na quinta-feira. Segundo ele, o rompimento foi identificado à tarde e, imediatamente, foi acionado o plano de ação emergencial de barragens para priorizar o atendimento às pessoas que trabalham no local ou que vivem próximo às barragens. “Lamentamos profundamente e estamos muito consternados com o acontecido, mas estamos absolutamente mobilizados para conter os danos causados por esse acidente”, finalizou. 

Confira um vídeo com a vista aérea da tragédia de Mariana clicando aqui.