Pedofilia

A pedofilia é um assunto que parece distante da igreja. Mas, ao contrário do que se imagina, as estatísticas revelam que esse mal pode estar em qualquer parte, ataca em silêncio e está se espalhando na sociedade, indiferente ao nível social, credo, raça ou profissão. Na maioria das vezes, o inimigo está oculto no próprio lar das vítimas, destruindo a família. Mas as igrejas ainda preferem ignorar a realidade. A pedofilia não escolhe local para se manifestar. Ela pode acontecer dentro dos lares, das escolas, das igrejas e em qualquer outra instituição social. Não exclui país, cor, credo ou religião. Durante muito tempo, o tema foi ignorado pela sociedade brasileira, e só recentemente passou a figurar nos noticiários nacionais. Entre os envolvidos com esse terrível problema há, inclusive, pessoas que teriam a obrigação de proteger as vítimas, como pediatras, educadores, policiais e até mesmo os próprios pais e líderes religiosos.

As estatísticas revelam que é no lar que a pedofilia mais frequentemente se manifesta. O local que deveria ser o porto seguro da criança, onde a família deveria funcionar como uma escola de formação e dar a ela os primeiros princípios para a vida. Mas, infelizmente, a pedofilia transforma em pesadelo a instituição sagrada criada por Deus. E a igreja precisa estar atenta para o papel de restabelecer a família.

Segundo o pastor e diretor do Curso Crescer “Especialização em ministérios com crianças”, Eber da Cunha Mendes, uma das estratégias de enfrentamento do problema da pedofilia é a educação sexual infantil adequada e bíblica. “A educação sexual deve começar no lar, desde os primeiros anos de vida. A criança deve ser ensinada a contar para os pais sobre qualquer toque ou contato estranho que tenha provocado maus sentimentos”, enfatizou.

“Um pai que abusa sexualmente de sua filha a corrompe. E esta pode se irar contra o pai e contra sua mãe, conivente, sofrendo a perda da inocência. Provavelmente abusará de seus filhos ou agredirá a si mesma com a ingestão de grandes quantidades de álcool, ira, ativismo ou outras compulsões. Levará para o casamento suas frustrações e marcas o que, em muitos casos, culminará em divórcio ou novos casamentos”, argumenta.

Ele destaca que o pecado é o maior problema da humanidade. “Ao se infiltrar na humanidade, o pecado se tornou a fera que sempre rosnará à nossa porta. Mas cumpre a cada um de nós dominá-lo. As estatísticas revelam que a maioria dos pedófilos sofreu em sua infância alguma forma de abuso sexual. É a semente que se reproduz”, esclareceu.
A especialista em Medicina Psicossomática Margarete Fila destaca a omissão dos pais. Conta que em seu consultório atende muitos cristãos que são pais e não abrem suas vidas nem para pastores de sua confiança, nem mesmo para amigos ou a família. Muitos estão passando pelo problema e têm medo de serem rejeitados pela igreja e pelos parentes. “É preciso procurar ajuda profissional caso não queira expor o caso a outro, pois se a criança não for tratada, poderá ter graves seqüelas, muitas vezes não conseguindo resgatar o que se perdeu”, conclui, alertando aos pais que é preciso vigiar e orar.

Internet propaga a pedofilia no Brasil
A violência sexual contra¬ crianças e adolescentes não é nova no Brasil, porém o problema só ganhou maior visibilidade com a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia pelo Congresso Federal e, com ela, a triste constatação de que o país é o maior consumidor de materiais pornográficos pela Internet do mundo.
Dados da ONG Safernet Brasil, que monitora a rede mundial de computadores, destacam que entre janeiro e final de junho de 2009, das 636.350 denúncias recebidas pela organização, quase 94 por cento (596.738) referem-se a perfis ou comunidades do site de relacionamentos Orkut. Cerca de 40% desse total dizia respeito à difusão de pornografia infantil.

O pastor e presidente da CPI da Pedofilia, Magno Malta, destacou que os pedófilos acharam que a rede era um lugar seguro, mas, com a quebra de sigilo foram descobertos. Os criminosos revelados vão de empresários a pastores.
“A pedofilia acontece em todas as regiões do país e em todas as classes sociais. Muitas vezes os agressores estão dentro das próprias casas e, na maioria dos casos, são pessoas próximas e de confiança das crianças e adolescentes”.
Ele lamenta que, apesar de vítimas de todas as classes sociais sofrerem abusos, a maioria dos casos ocorre nas classes menos privilegiadas, em que as crianças são manipuladas com presentes dados pelos agressores para ganhar a sua confiança.
Magno Malta destaca o papel da igreja, que é uma entidade que deve se dedicar a cuidar das famílias e do ser humano. Mas alerta para que a atenção esteja em todos os lugares, desde o lar até as igrejas.

Punição existe
Pornografia infantil é crime, passível de multa e pena de reclusão de dois a seis anos. Segundo o artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), é válida para quem apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive na rede mundial de computadores (ou internet), fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente. No ano passado, a lei aumentou de seis para oito anos a pena para quem praticar pornografia infantil na rede.