Líder das Assemblies of God é investigado por acusação grave de abuso sexual prolongado
O Pastor Rod Loy, presbítero executivo das Assemblies of God e líder de uma das maiores congregações da denominação, afastou-se de suas funções e será investigado após uma ação judicial movida por uma ex-membro que o acusa de abuso sexual por 20 anos, iniciando quando ela tinha apenas 16 anos.
“Rod Loy voluntariamente afastou-se de suas funções como presbítero executivo durante a investigação do distrito”, informou o escritório nacional das Assemblies of God ao Christian Post nesta segunda-feira.
Função e influência do presbítero executivo
O presbítero executivo é um dos 21 membros do Conselho Executivo Nacional das Assemblies of God, responsáveis por definir políticas e governança da denominação. Eles supervisionam a integridade doutrinária, as políticas de comunhão e assuntos regionais, incluindo a liderança ordenada, e são eleitos para mandatos de quatro anos.
Rod Loy atua como pastor sênior da First Assembly of God em North Little Rock, Arkansas, desde 2001. Em agosto de 2023, foi eleito presbítero executivo da região do Golfo. Em 2017, sua igreja foi considerada a terceira maior congregação das Assemblies of God nos Estados Unidos, com mais de 16.500 membros, segundo registros oficiais da denominação. A First Assembly of God também é responsável pelo plantio de mais de 1.350 igrejas em 63 países.
Detalhes da denúncia e processo judicial
A denúncia foi formalizada em 26 de janeiro, em uma ação civil apresentada por Suzanne Lander, de 45 anos, no Tribunal do Condado de Pulaski, Arkansas. Lander nomeia Rod Loy e a First Assembly of God como réus na ação.
Representada pelos advogados Keith L. Langston e Basyle ‘Boz’ Tchividjian — neto do falecido evangelista Billy Graham — Lander acusa Loy de agressão sexual, abuso e crime de ultraje.
“A conduta do réu Loy foi extrema e ultrajante, ultrapassando todos os limites da decência e absolutamente intolerável em uma comunidade civilizada. Loy explorou sua posição como líder espiritual confiável para manipular, preparar e abusar sexualmente de uma jovem vulnerável de 16 anos, que já havia sofrido abusos sexuais e tráfico parental por anos”, afirma o processo.
Segundo a denúncia, Loy usou ensinamentos religiosos e passagens bíblicas para convencer a vítima de que Deus queria que ela se submetesse a seus desejos sexuais, repetindo que atos sexuais agradavam a Deus e a tornavam melhor aos olhos Dele.
Lander relata que, poucos meses após começar a frequentar a igreja em 1996, quando ainda era adolescente, Loy — então pastor executivo — iniciou o abuso sexual.
“Loy demonstrava afeto físico por meio de abraços, algo inédito para a vítima. Em seguida, usou um controle de videogame Nintendo para tocar suas partes íntimas sobre a roupa”, descreve a queixa. O abuso evoluiu para toques com as mãos por cima e por dentro das roupas, além de contato genital enquanto assistiam televisão na casa do pastor.
Loy teria usado passagens bíblicas, como Hebreus 13:17 — “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se a eles, pois eles cuidam de suas almas como quem terá de prestar contas” — para justificar e forçar a vítima a aceitar o abuso.
O processo alega que os abusos ocorreram entre 1996 e 2016, inclusive após o casamento da vítima. Durante os primeiros dois anos, enquanto Lander ainda era menor, Loy teria forçado atos sexuais em vários locais da igreja e em sua casa.
“Loy dizia constantemente: ‘Deus quer que você faça sexo comigo porque eu sou seu pastor’”, afirma a denúncia.
Lander afirma ter sido controlada pelo pastor durante seus primeiros 18 anos de vida adulta, com manipulação mesmo após seu casamento e o nascimento de filhos. Ela conseguiu romper com o domínio de Loy ao se mudar com a família para Jonesboro, em 2016.
A vítima só percebeu a extensão do abuso após iniciar terapia há três anos para tratar transtorno de estresse pós-traumático complexo (TEPT), ansiedade severa, depressão e comprometimento neurológico.
“Antes dessa terapia, sua capacidade de reconhecer o abuso como tal havia sido destruída por anos de manipulação espiritual, condicionamento psicológico e vulnerabilidades decorrentes de seu trauma infantil”, diz a queixa.
Resposta da denominação e postura do pastor
A First Assembly of God em North Little Rock não respondeu ao pedido de comentário do Christian Post na segunda-feira. Já a Assemblies of God do Arkansas afirmou que investigará as denúncias.
“A Assemblies of God do Arkansas leva a sério todas as reclamações contra nossos pastores e credenciados. Nosso estatuto, assim como o do Conselho Geral das Assemblies of God, estabelece um processo rigoroso para tratar essas questões”, declarou a organização.
“A investigação será conduzida separadamente de processos judiciais ou informações divulgadas pela mídia. Seguiremos o mesmo padrão de todas as investigações, incluindo conversas com o denunciante e o acusado”, acrescentou.
Durante o culto em sua igreja no domingo, Loy não mencionou o processo judicial. Foi recebido com aplausos e manifestações de apoio da congregação enquanto conduzia orações e louvores.
“Confiamos em Ti, Jesus. Nossa confiança está em Ti. Obrigado por sempre ser fiel, capaz e digno da nossa confiança. Não confiamos em um Deus fraco e impotente, mas em um Salvador forte e poderoso, que salva, cura, liberta e tira as pessoas do cativeiro”, disse Loy. “Nossa confiança está em Ti, Senhor. Amamos você em nome de Jesus.”
Este caso segue em investigação, enquanto a denominação e as autoridades avaliam as alegações e buscam garantir justiça e proteção às vítimas. (Com informações de Leonardo Blair – Christianpost)


