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domingo, 14 DE julho DE 2024

Pastor: profissão, ministério ou os dois?

O pastorado é, primariamente, uma convicção de um chamado de Deus. Foto: Freepik

Estudo mostra que existem cerca de 2,2 milhões de igrejas evangélicas no mundo, sendo que 85% delas são dirigidas por pastores com pouca ou nenhuma formação teológica.

Por Cristiano Stefenoni

Com o avanço das igrejas evangélicas pelo mundo, cresce também a necessidade de pastores para comandá-las. O problema é que muitos não se preparam adequadamente para essa importante missão. São cerca de 2,2 milhões de igrejas no planeta, sendo que 85% delas são dirigidas por pastores com pouca ou nenhuma formação teológica, segundo dados do The Gospel Coalition (TGC). O estudo mostra ainda que seriam necessários mais de mil pastores formados por dia para atender ao crescimento evangélico.

A questão é que, com a alta demanda, pode-se correr o risco do ministério pastoral tornar-se apenas uma profissão como outra qualquer. Para o pastor Lisânias Moura, da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo, ser pastor é, antes de tudo, um ministério, pois serve independentemente de títulos, carreira ou resultados.

“O pastorado é, primariamente, uma convicção de um chamado de Deus. Mas podemos olhar como profissão se encararmos que no ministério pastoral existem responsabilidades definidas, prestação de contas, algumas vezes hierarquias para serem respeitadas e até salários definidos. Porém o pastorado é um ministério onde fazemos a princípio tudo na dependência de Deus para glorificar Deus e edificar a igreja local. Como profissão, nem sempre fazemos ou a desenvolvemos como algo que precisamos fazer na total dependência do Espírito Santo”, explica o pastor Moura.

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Por isso mesmo o pastor faz um alerta para que o pastorado não veja sua missão como um simples emprego para não correr o risco de sua atividade virar uma obrigação. “Ver o ministério como emprego gera no pastor o perigo de avaliar-se à luz do que ganha ou pelos índices de crescimento da igreja que nem sempre são os mais vitais. Mas, como ele é empregado, o pastor deste tipo tende a pôr em suas costas o peso que ele não tem como carregar e por isso costuma mudar de igreja continuamente”, justifica.

Pastor Moura diz que quando o pastorado age mais como profissão do que como ministério, ele apresenta algumas características: “Quando o pastor carece de afirmação ou aplauso para sentir-se bem no que faz e assegura-se que está fazendo seu melhor para Deus; quando o pastor olha para estatísticas da igreja em vez de olhar para pessoas sendo transformadas; quando tem medo mostrar-se vulnerável por medo de ser rejeitado pela igreja, entre outras evidências”, pontua.

A diferença entre teólogo e pastor

De acordo com pastor e professor acadêmico, Geraldo Moyses Gazolli Junior, que é mestre em Ciências da Religião e doutorando em Teologia, há diferença entre ser teólogo e ser pastor.

“Ser teólogo é essencialmente estudar sobre aquilo ao entorno de Deus. Isso pode ser feito por qualquer um. É uma das disciplinas acadêmicas mais antigas da humanidade. Você pode ser teólogo e ser ateu, por exemplo. O pastor, por outro lado, exerce influência espiritual no pastoreio. Se alguém está em crise espiritual. O teólogo poderá usar a teologia da teodiceia para explicar o sofrimento humano. O pastoreio está mais ligado a buscar a redenção daquela pessoa e usar seu sofrimento para a glória de Deus. Teologia e pastoreio jogam no mesmo time, mas em posições diferentes”, explica.

Por isso, o pastor Geraldo enfatiza que, o ideal, é que o pastorado vivesse exclusivamente do ministério para poder dar atenção total ao rebanho e as suas demandas.

“É claro que existem cenários onde isso não é viável financeiramente para o pastor e a igreja. Pastores que não têm condições de manter sua família por meio do ministério acabam optando por um outro trabalho em meio período, mas duvido que não gostariam de viver integralmente pelo e para o ministério. Paulo dizia em coríntios que ‘Assim, o Senhor também ordenou aos que proclamam o evangelho, que igualmente vivam do evangelho’ (1Co 9:14). Logo, se algum ministro não consegue ainda viver somente do Evangelho, deve orar e se planejar para tal”, sugere o pastor.

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