A relação do pastor Lucas com o maior pintor do mundo

“Não consigo compor, cantar e tocar sem o espírito santo de Deus”

Por Priscilla Cerqueira

Conhecido como o pastor que canta, ele vem alcançando cada vez mais seguidores nas redes sociais pelo grande trabalho na música gospel. Aos 34 anos, cinco deles como músico profissional, Pr. Lucas tem atraído um público diversificado e apaixonado pelas suas mais de 30 composições.

Guiado pelo Espírito Santo, movido pelo sacrifício de Cristo na cruz do calvário, este mineiro nascido em Santa Vitória entende a necessidade de permanecer fiel. “Posso
fraquejar, passar tempos difíceis, mas a minha decisão de andar com Deus é permanente. Quero viver o resto da minha vida para servir esse Senhor, pois depois eu terei uma
eternidade para descansar nEle.”

Em entrevista exclusiva à Comunhão, o artista fala sobre a sua carreira, os sucessos, a importância de manter jovem unido ao Senhor, o papel dos líderes diante do Ide e o distanciamento do rebanho, entre outros assuntos. Confira!

Comunhão – Como iniciou sua carreira de músico e ministro do Evangelho? E como conciliar as duas atividades?

Pr Lucas – Minha carreira teve início na infância. Na adolescência, comecei a desenvolver o ministério na igreja local, eu já cantava e gostava de aprender as histórias da Bíblia. As duas coisas foram caminhando juntas. Sou tão apaixonado pela Palavra como pela música. Fui crescendo no Evangelho, até que Deus me deu a oportunidade de ser ministro da igreja, de poder pregar algumas vezes. E entendo que cantar é nada mais que pregar musicalmente. Então, para mim, as duas têm um peso muito forte. Quando escrevo as letras, procuro coisas de acordo com a Palavra. Conduzo essas funções de forma muito natural e paralela. Uma faz parte da outra. Sou um pastor que canta, e isso é bem simples para mim.

Qual é a importância da música em um ambiente cristão e como usá-la para atrair mais pessoas?

A música é a forma mais eficaz de se estabelecer uma cultura. Dificilmente você se lembra de uma pregação de 10 anos atrás, mas nós cantamos músicas que foram gravadas no mesmo período. Talvez a eficácia de consolidar alguém na fé não seja tão grande, mas a de destruir uma teologia na música é muito poderosa, pois ela tem o  poder de alterar a cultura, de abrir a alma da pessoa e de penetrar nos lugares onde frases não penetram. A música é a poesia de Deus.

De onde vem a inspiração para compor suas músicas? Qual mensagem procura transmitir com elas?

Minha inspiração é o que o Senhor fez por mim na cruz. Das minhas experiências com Deus extraio as letras que escrevo. Estou sempre tentando revelar para as pessoas aquilo que encon-trei em Jesus. Eu me considero um pregador e um escritor da graça, da nova aliança, e tento transmitir essa verdade para onde vou. Nunca sentei com o violão para tentar elaborar uma música ou um refrão comercial. Toda a minha escrita está conectada com algo que eu quero transmitir. Minha pregação é musical. Tento sempre revelar Jesus para que tanto o pecador encontre um conforto quanto o cristão encontre um conforto em Cristo.

“Pintor do Mundo” foi uma das canções que o consagraram e impactou a vida de muita gente. Qual a história dessa música?

Essa canção é muito especial. Ela surgiu de uma forma muito espontânea e simples; só fui surpreendido por Deus em cada momento. Uma rádio no Rio de Janeiro fez uma promoção e deu a um ouvinte um passeio de helicóptero comigo. Eu estava bem empolgado e, quando sobrevoávamos, via várias combinações de cores perfeitas sobre a cidade. Aí falei: “Alguém pintou o mundo!”. Quando eu disse essa frase, parei o passeio, abri o celular e comecei a escrever. A melodia tocava na minha cabeça. Comecei a mostrar como Deus era detalhista na Sua escolha de cor, naquilo que Ele desenhou. Quando terminamos o voo, olhei para a música e disse: “Está faltando eu trazê-la para a vida das pessoas”. Nesse momento, Deus me falou que o maior pintor do mundo estava pintando a minha história.

Como analisa a entrega tão grande do público durante suas apresentações?

Eu acho maravilhoso! É uma resposta múltipla para mim e para Deus, pois é para Ele que eu canto. Agradeço ao público que me acompanha, que é muito carinhoso com as minhas canções e tem um respeito comigo. Por outro lado, também fico feliz quando consigo conduzir esse povo ao Senhor, levá-lo a adorar e a chorar. Nos meus shows fazemos apelo, há conversões. Fico grato a Deus por ter um público tão versátil e múltiplo. Sei que o que consolida o nosso chamado é o povo. Estou feliz, crescendo aos pouquinhos, servindo às pessoas que me acompanham e à Igreja de Cristo.

“As ovelhas não são de uma denominação, mas do Senhor. Uma vez que transitem no mesmo pasto, só tenho de abrir a porteira para elas irem para o lado de lá, não vejo como amaldiçoá-las”

Qual a responsabilidade que sente no ministério ao trazer reflexão para as pessoas diante de um cenário tão conturbado de violência em que vivemos?

A Palavra do Senhor dá um modelo para a gente caminhar, e o amor é a fonte de tudo. O que não podemos confundir é que o amor tem os seus vieses, em que você abraça, acolhe e protege, mas também corrige, orienta com tom de amor. Era por isso que Jesus se diferenciava de tudo naquele período da religião, porque Ele falava verdades duras, mas a maneira como falava era tão amorosa e acessível que as pessoas percebiam que podiam se encaixar naquela verdade. Como voz e como influência para um grupo de pessoas, penso que preciso ter esse cuidado na hora de transferir essa informação, de mostrar que o Reino de Deus não é um reino de um juiz, mas de paz, de amor, daquele que guarda, que corrige, que protege e que dá destino.

Como avalia a mudança do mercado musical gospel com o surgimento das “plataformas digitais”?

Eu estou de mãos dadas com o digital. A internet democratizou todo tipo de conteúdo e possibilitou que qualquer pessoa pudesse revelar o seu talento, que a gente cante e pregue em outros lugares do mundo. Por outro lado, estamos vivendo uma troca de geração no país. Isso significa que o público acima de 40 anos não tem facilidade de manusear a internet hoje. Então, se o mercado migrar 100%, vamos deixar de abastecer um público mais velho. Outra realidade é que há lugares, como alguns do Norte e do Nordeste, que a internet não chegou. Mas o mercado digital no Brasil ainda é muito aberto, não temos ponto de controle, não há proteção dos direitos autorais.

“Eu me considero um pregador e um escritor da graça, da nova aliança, e tento transmitir essa verdade para onde vou”

O Brasil é um país laico e há muitos representantes evangélicos no Congresso. O que espera dos que foram eleitos recentemente com a força da Igreja?
O que eu espero de nossos irmãos que estão no poder é que eles não somente trabalhem para a Igreja, mas também que sejam honestos, verdadeiros, andem na verdade, honrem o nome de Jesus e atuem pelo bem comum. Não gosto da ideia de que a Igreja cons-trua dentro da política algo que vise somente a ela. A Igreja tem um interesse coletivo, que é o mesmo de Cristo, de alcançar as pessoas, de se preocupar com o próximo, de pensar nas viúvas, nos órfãos. Precisamos que o Brasil seja melhor. Que Deus trabalhe numa unidade no Senado e que esses homens que tenham esses princípios do Senhor, de como a bênção acontece, coordenem e possam ser voz dentro dos governos para que o Brasil receba uma visitação incrível de Deus.

Como avalia a disputa de denominações entre si, buscando crentes de um lugar para o outro em vez de ampliar o Ide?
Essa questão é terrível. Hoje temos um movimento grande de desigrejados, pois são pessoas queridas pela igreja, pelas disputas de poderio, pessoas com talento e que de repente estão num lugar e são vistas como concorrência, e não como agregadas ao Reino para potencializá-lo. Oro para que as igrejas entendam que o Reino é do Senhor, e não delas, e compreendam que as ovelhas têm um pastor e vários responsáveis aqui na terra. As ovelhas não são de uma denominação, mas do Senhor, e uma vez que elas transitem no mesmo pasto, só tenho de abrir a porteira para irem para o lado de lá. Não vejo como amaldiçoá-las ou como interferir nisso. Então, oro para que Deus trabalhe no coração dessas lideranças para que entendam que elas não têm poder sobre as ovelhas, que são do Senhor.

O que representa o Espírito Santo na sua vida?
É o amigo mais presente, que convence a gente do pecado, que revela Jesus pra gente todos os dias. Não existem igrejas e famílias que não sejam edificadas sem Ele. Não existe compreensão do Evangelho sem o Espírito Santo. Não consigo compor, cantar e tocar sem Ele. Esse é o grande diferencial entre o artista gospel e o secular, que se move apenas pelo talento, pela poesia e pela musicalidade. O cantor cristão se move, principalmente, pela unção. O Espírito Santo é o que tem movido a Igreja e está presente o tempo todo.

O que o move a continuar na presença de Deus e levar a Palavra a milhões de pessoas através da música?
Sou impulsionado pela paixão por pessoas e por um chamado. Olho para o meu filho e penso na Igreja, no Brasil e nos princípios que vou deixar para ele. Se eu parar, desistir e abandonar minha missão, vou deixar um péssimo exemplo para ele. Quero ser um imparável, gastar todos os meus dias para servir a esse Jesus. A minha vida aqui é temporária e tem propósito. Se eu perder isso, perco a razão de viver. Tenho total convicção de que nasci para servir ao Reino de Deus. Posso fraquejar, passar por tempos difí-ceis, mas a minha decisão de andar com Ele é permanente. Sei que nEle encontro perdão se eu falhar e, se eu cair, posso levantar. Quero viver o resto da minha vida para servir a esse Senhor, porque depois terei uma eternidade para descansar nEle.

“Sei que juventude é uma fase difícil
e que muitos jovens vão bater cabeça e errar muitas vezes, mas quero que entendam que o único lugar onde podem ser perdoados é dentro da Igreja”


Temos visto muitos jovens se desviarem. Está faltando “expertise” da Igreja em mantê-los na presença do Evangelho?

Não dá para culpar só a Igreja pelo erro de muitos jovens em saírem dela. A instituição precisa atualizar não somente a linguagem dela, mas também a didática e a maneira como trabalhamos essas coisas. Porém, temos uma geração muito vulnerável, instável, que não costuma criar raízes e fundamentos. É uma árvore frondosa, grande e bonita, mas sem raízes, derrubada por qualquer vento de doutrinas. É uma geração que tem dificuldade de se submeter a uma autoridade pastoral, caminha por si só, não gosta de prestar contas a ninguém, gosta de resultados rápidos e não tem paciência. Essa nova geração se alimenta de internet e entretenimentos e por isso há uma barreira para conservá-la na Igreja. Precisamos encontrar uma forma de incutir no coração deles a importância de serem firmes naquilo que falam e que confessam. Saímos da geração do “nada pode” para a do “tudo pode”. Então temos de analisar o que ela deve ou não fazer, com coerência e bom senso.

Qual a mensagem que deixaria para os jovens diante de tantas tentações no mundo?
A mesma de João: “Filhinhos, é bom que não pequeis, mas se pecares tens um advogado no céu”. O advogado faz um papel diferente do de um juiz, que sentencia e dá um destino final: ou você vai ser preso ou vai ser absolvido. Já o advogado luta pela absolvição, pela justificação. Baseados no sangue de Cristo, temos um advogado que pode nos justificar. Sei que juventude é uma fase difícil e que muitos jovens vão bater cabeça e errar muitas vezes, mas quero que entendam que o único lugar onde eles podem ser perdoados é dentro da Igreja. Então, permaneçam firmes debaixo do Pai, mesmo em tempo de erros e fragilidades, pois uma hora podem encontrar um momento certo.

“O que espero de nossos irmãos que estão no poder é que eles não somente trabalhem para a Igreja, mas também que sejam honestos, verdadeiros, andem na verdade, honrem o nome de Jesus e trabalhem pelo bem comum”

E para as pessoas que procuram um sentido em suas vidas?
Todos nós estamos numa estrada em direção a um destino. Mas a maneira como você viaja e vai passar por ela é você que escolhe. Eu escolhi passar na estrada com Cristo. A viagem para Jesus lhe garante chegar ao destino mais confortável. Se você passar por esta vida com Deus, ainda que tenha sofrimento e perdas, poderá ter 80 anos de plenitude, com vazio preenchido. Você vai chegar ao mesmo destino que eu, mas talvez quando chegar lá estará tão desgastado, ferido e machucado, que pode até desistir, de tão difícil que é. Mas aqueles que chegam ao final podem chegar de maneira confortável. Cristo é o veículo que vai conduzi-lo nesse percurso da vida e vai levá-lo ao seu destino de maneira mais completa e feliz.


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