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quinta-feira, 6 maio 2021

Pastor Antônio Júnior: simplicidade ao explicar a Bíblia

Como um jeito simples, prático e cativante de explicar a Bíblia, fez do pastor Antônio Júnior, o maior pregador do evangelho na internet do mundo

Por Priscilla Cerqueira

Mais de seis milhões de seguidores ouvindo a Palavra no Youtube. Esses números fizeram dele o maior pregador da internet do mundo. Aos 37 anos, pastor Antônio Júnior, como é conhecido, conta com mais de sete milhões de seguidores nas redes sociais e alcança, em todas as plataformas, 14 milhões de pessoas, com suas mensagens de aconselhamento, fé e cristianismo.

Casado com Tais Reis, pai de dois filhos, Lorena, 6 e Daniel, 3 anos, pastor Antônio Júnior, que é de São Sebastião do Paraíso, interior de Minas Gerais, é formado em Publicidade e Propaganda, escritor com quatro obras publicadas, e membro da Igreja Presbiteriana do Brasil.

O jovem pastor que ganhou o público com suas pregações curtas sobre temas variados da vida cotidiana, na internet, tem uma audiência muito maior do que a alcançada tradicionalmente em um templo religioso.

“As pessoas não querem saber de religião, é por isso que o meu ministério na internet cresce tanto, pois eu falo de Jesus, que mudou a minha vida, falo da Bíblia e de um relacionamento com Deus”, afirma.

Convicto da importância da internet na divulgação do evangelho para o mundo, pastor Antônio Júnior afirmou, em entrevista à Comunhão que as ferramentas de pregação na internet precisam acompanhar o crescimento das redes sociais e que diante da pior crise humanitária que estamos vivendo, as igrejas precisam sair do comodismo, se reinventar para alcançar as pessoas. Confira!

Fale um pouco do pastor Antônio Junior, sua vida, conversão, propósito e ministério?
Eu era espírita, tinha uma banda de rock, queria me tornar hippie, mas me converti aos 18 anos, porém, antes de me converter, Deus falou comigo, dizendo ao meu coração: ‘Meu filho, você tem muito valor para Mim e você ainda verá a grande obra que farei na sua vida! Aquilo ficou guardado no meu coração.

Na verdade, nem sabia como encontrar esse Deus. Passaram-se dois meses, eu ouvi o evangelho através do meu primo e foi ali que me converti. Comecei a frequentar a igreja e no início, como gostava de cantar, participei do ministério de louvor, mas eu tinha muito sonho. Dois anos depois da minha conversão, estava participando do Congresso do Diante do Trono. Foi então que resolvi estudar Teologia e quando terminei o seminário voltei para a minha cidade, em São Sebastião do Paraíso (MG).

Recebi o convite do pastor da minha igreja para dirigir os jovens, mas me decepcionei quando a liderança me falou que os jovens achavam que eu não levava jeito para pregar e que não tinha chamado para pastorear. Comecei a buscar a Deus para saber o que Ele tinha pra mim e um dia Ele me chamou para pregar na internet, que muitas pessoas iriam ouvir minhas mensagens. Foi aí que eu comecei pelo Facebook, depois para o Instagram e depois no YouTube.

As redes sociais exerceram um papel muito importante na sua vida. Quando percebeu que era uma ferramenta que poderia servir como trabalho e também na vida ministerial?
Eu tinha um perfil no Facebook e procurava postar mensagens da Bíblia para ajudar as pessoas de alguma forma, mas ninguém interagia, então decidi dar um tempo. Naquela época atuava como pastor de jovens na igreja, mas não me reconheceram como pastor, tive uma decepção muito grande, então fiquei triste, pois não estava conseguindo atingir meus objetivos.

Mas decidi falar com Deus e pedir uma direção. Então criei uma página no Facebook e comecei a usar o dom que Deus me deu e comecei a escrever mensagens cristãs que tinham a ver com o dia a dia das pessoas. E desta vez, para a minha surpresa, deu certo. Obedeci a voz do Senhor e lancei as redes, confiando na Palavra que Ele me deu e Ele foi provendo tudo, abrindo as portas. Acabei rompendo com o meu pai, pois na época trabalhava com ele, para me dedicar totalmente à obra. E hoje são 14 milhões de pessoas que me acompanham nas redes sociais.

Você é dono do maior canal de pregação hoje no mundo, o que significa isso para você? Sua conexão com as pessoas que estão do outro lado da tela foi o diferencial?
Em termos de números na internet, só estou abaixo de canais de música. Nunca imaginei que chegaria nesse número de seguidores, mas as pessoas querem cada vez mais esse tipo de mensagem. Fico muito feliz, mas essa felicidade nem é tanto pelos números em si, mas pelos frutos que ele tem gerado para o Reino de Deus. Eu me preocupo em ajudar as pessoas, me faz bem. Mesmo sem ter contato eu sinto amor pelas pessoas e elas sentem isso. Também busco trazer exemplos da minha vida pessoal, tanto que escrevi quatro livros, me identificando com as dificuldades das pessoas no dia a dia, sempre mostrando que não sou diferente delas, nem melhor. Acredito que o meu diferencial é que eu estou disposto a servir as pessoas. Através do meu ministério, muitos tem relatado mudanças e transformação. É algo inexplicável. Só posso agradecer, porque sei que isso tudo só está acontecendo porque Deus é que é o dono dessa obra. Sei que Ele poderia ter escolhido outra pessoa, mas me chamou para essa obra.

Com a pandemia do coronavírus e isolamento social, as tecnologias passaram a exercer um papel fundamental para a igreja? Para você, o que mudou?
Desde quando eu comecei na internet, em 2013, já percebia isso, inclusive que as igrejas estavam mais vazias e as pessoas estavam mais o tempo todo na internet. Claro que nada substitui a comunhão com a igreja, a proximidade com os irmãos na fé e juntos ouvirmos a Palavra. Não podemos ficar só na internet, porém, ao mesmo tempo, reconheço que muitas pessoas estão frustradas com a igreja, muitas pessoas não vão à igreja por algum motivo ou porque moram longe. Busco incentivar a pessoa na igreja, mas ao mesmo tempo, não paro de pregar na internet, porque é onde todo mundo está. Graças as tecnologias que muitas pessoas que não podem ir à igreja conseguem ouvir a Palavra de Deus e são abençoadas por ela. É por causa da internet que eu consigo alcançar pessoas do mundo inteiro sem sair da minha casa.

Estamos vivendo a pior crise humanitária do mundo e as igrejas precisaram se reinventar, a internet virou ponto de pregação e as transmissões de cultos se intensificaram. Levando em conta uma pesquisa do Barna Group, que constatou que uma em cada 5 igrejas pode fechar permanentemente, pregar na internet é uma ferramenta que veio para ficar?
Realmente acredito que cada vez mais as pessoas vão perder o hábito de ir à igreja, principalmente agora com a pandemia isso se intensificou muito e as pessoas estão perdendo o hábito de sair de casa. Infelizmente muitos vão deixar de receber a bênção, pois a Bíblia diz: ‘Ó quão bom e agradável quando os irmãos se reúnem’, porque ali o Senhor ordena a bênção. Então, precisamos ter contato com pessoas, e essa ausência nas igrejas pode prejudicar muito na comunhão.

Porém, a internet veio para ficar e a igreja que não se despertar para isso vai perder muito. E muitas delas ainda não estão preparadas ainda, acham que é só ligar a câmara e colocar para transmitir o culto. Existem técnicas, estratégias, para alcançarmos as pessoas. Temos que pregar a verdade, mas torná-la atraente. Não adianta simplesmente eu colocar um título básico, tenho que chamar a atenção da pessoa para querer assistir o vídeo, ler o meu post.

Temos que estudar como as pessoas se comportam e como alcançá-las. A igreja precisa se reinventar, sair do comodismo e atingir as pessoas que estão na internet, pois, por traz de cada número, existe pessoas com necessidades e sonhos, então temos que saber atingir o coração delas.

Uma outra pesquisa apontou que a pandemia pode acelerar a perda da fé na próxima geração: 22% dos jovens deixaram de frequentar a igreja. Diante disso, como as igrejas podem fazer para discipula-los e mantê-los conectados com Deus?
Infelizmente essa é outra tendência porque a Bíblia diz que, no fim dos tempos, o amor vai se esfriar, vai haver apostasia e muitos vão abandonar a fé mesmo. Então as igrejas precisam também aprender que a mensagem tem que ser do evangelho, de arrependimento. Não podemos apenas ser psicólogos, temos que pregar a palavra, porque o que converte uma pessoa e faz ela não querer sair dos caminhos do Senhor é o temor a Deus, ela ser liberta verdadeiramente por Jesus. A igreja não deve pregar só mensagens que agradam o coração do homem, mas a verdadeira palavra de Deus e assim vamos conseguir discipular as pessoas e mantê-los conectados com o Senhor.

Qual a lição que podemos aprender nessa pandemia?
Deus está dando oportunidade para nós, crentes, de pararmos de olhar para o líder, para a igreja e focar no reino de Deus. O Senhor permitiu essa doença, pois a igreja estava desviada, com foco errado, então, aqueles que souberem ouvir a voz de Deus vão se conectar, se alinhar com Ele. É nos tempos de crise que o Senhor levanta os profetas. Como igreja precisamos remir o tempo que estamos vivendo, não é hora de ficarmos criando contendas e discórdias.

Não quero fazer as pessoas ficarem desanimadas, decepcionadas com igreja, pelo contrário, quero uni-las, então, é hora do corpo de Cristo acordar mesmo e parar com essa concorrência. É um querendo mostrar que tem mais seguidores que o outro, mas isso nos faz perder o foco e a oportunidade de falar do evangelho. Se a igreja souber discernir o tempo em que ela está vivendo, vai poder ser eficaz no nosso tempo.

 


Veja uma das pregações do pastor Antônio Júnior

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