Com crescimento acelerado de ferramentas tecnológicas em igrejas, Ray Miller diz que busca espiritual em aplicativos pode substituir a fé e criar dependência por respostas instantâneas
Por Patricia Scott
A popularização da Inteligência Artificial (IA) entre cristãos tem despertado entusiasmo e também preocupação. O pastor Ray Miller, da Primeira Igreja Batista de Abilene, no Texas (EUA), vem chamando atenção para o que considera um risco espiritual crescente: transformar aplicativos e assistentes virtuais em fonte primária de orientação, relegando a fé e a comunhão cristã a segundo plano.
Dados recentes indicam que o uso de IA em ministérios e atividades de igreja saltou 80% nos últimos dois anos. Aplicativos que simulam conversas com personagens bíblicos ou oferecem conselhos espirituais têm atraído cada vez mais fiéis. Em alguns países, experiências como o “Jesus de IA”, criado por uma igreja suíça, e plataformas de oração automatizada nos EUA, acenderam debates teológicos e éticos.
Para Miller, a tecnologia não é inimiga da fé — mas pode ocupar um espaço que não lhe pertence. Ele reflete que a sensação de interatividade e conhecimento ilimitado oferecida pela IA pode ser confundida com atributos divinos. “Quando uma ferramenta promete conversar com Jesus, entramos em território perigoso”, afirmou. O pastor teme que a rapidez das respostas leve pessoas a buscar conforto digital em vez de convívio comunitário, orientação pastoral e confronto espiritual.
A preocupação não surgiu do nada. Miller conta que, quando atuava como professor na Universidade Belmont, viu estudantes recorrerem à IA para resolver questões teológicas complexas. “Era prático, mas percebi que a tecnologia molda respostas conforme as preferências do usuário. Ela conforta, mas pode não trazer disciplina ou transformação”, observou.
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Mão de obra acelera inflação da construção em janeiro - A alta nos custos da mão de obra impactou a inflação da construção, refletindo a pressão sobre o setor, segundo a FGV Outro alerta vai para possíveis usos mal-intencionados da tecnologia. Golpes e falsas promessas envolvendo supostas interações com figuras bíblicas podem explorar emocional e financeiramente crentes mais vulneráveis. “Muitos recorrem à IA porque não têm com quem conversar. É conveniente — e isso me preocupa”, disse.
Apesar das críticas, Miller acredita que a tecnologia pode ser uma aliada se usada com discernimento, como ferramenta auxiliar para estudos, pesquisa e desenvolvimento da fé. O desafio, segundo ele, é garantir que ela não substitua a experiência humana, o discipulado e o relacionamento com Deus.
O pastor vê o momento atual como uma virada histórica comparável à invenção da imprensa, que permitiu o acesso popular à Bíblia. Agora, afirma, a igreja precisa responder a uma nova pergunta: o que significa ser humano e imagem de Deus em uma era digitalizada?
Para ele, caberá às comunidades cristãs orientar o uso responsável da IA e fortalecer práticas de discipulado presencial. “Precisaremos investir mais na formação espiritual. A tecnologia muda rápido, mas Deus continua nos guiando”, concluiu. Com informações The Christian Post

