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quinta-feira, 18 agosto 2022

Para Samuel Alito “a liberdade religiosa está sob ataque em todo o mundo”

Cúpula da Liberdade Religiosa de 2022: Juiz da Suprema Corte dos EUA Samuel Alito. (Captura de tela/YouTube/Notre Dame Law School)

Discurso feito pelo Juiz da Suprema Corte dos EUA e abriu a Cúpula de Liberdade Religiosa de Notre Dame de 2022, realizada em Roma

Por Ivi Rafaela

Juiz da Suprema Corte dos EUA, Samuel Alito afirmou que a liberdade religiosa está sob ataque no mundo em discurso principal no jantar de gala na Cúpula de Liberdade Religiosa de Notre Dame 2022 em Roma. Na fala, observou que o cenário romano também trouxe à mente como a liberdade religiosa foi desafiada e defendida ao longo da história.

 Ele afirmou que se pega pensando na orgulhosa civilização que estava centrada aqui dois milênios atrás. “Quando penso no passado, também penso no futuro, e me pergunto o que os historiadores podem dizer daqui a alguns séculos sobre a contribuição dos Estados Unidos para a civilização mundial. Uma coisa que espero que eles digam é que nosso país, depois de muitos trancos e barrancos, e altos e baixos, acabou mostrando ao mundo que é possível ter uma sociedade estável e bem-sucedida em que pessoas de diversas religiões vivam e trabalhem juntas de forma harmoniosa e produtiva, mantendo suas próprias crenças. Esta foi realmente uma conquista histórica” refletiu.

Alito também acrescentou que a justiça é remanescente do Império Romano, que com sua queda deixou claro que nenhuma conquista humana é permanente. “Portanto, não podemos presumir levianamente que a liberdade religiosa desfrutada hoje nos Estados Unidos, na Europa e em muitos outros lugares sempre perdurará. A liberdade religiosa é frágil, e a intolerância religiosa e a perseguição têm sido características recorrentes da história humana”, disse ele.

Um encontro sobre liberdade religiosa no local onde Pedro, Paulo e inúmeros outros cristãos primitivos foram martirizados desperta muitas reflexões. “Se olharmos ao redor do mundo hoje, vemos que pessoas de muitas religiões diferentes enfrentam perseguição por causa da religião”, disse Alito, observando que a liberdade religiosa é uma questão de vida ou morte em muitas partes do globo e citou grupos que foram vítimas de violência. E ainda destacou os desafios para futuros.

 “A liberdade religiosa está sob ataque em muitos lugares porque é perigosa para aqueles que querem manter o poder total”, disse o juiz. “Provavelmente também surge de algo obscuro e profundo no DNA humano – a tendência de desconfiar e não gostar de pessoas que não são como nós”. É difícil convencer as pessoas de que vale a pena defender a liberdade religiosa se elas não acharem que a religião é uma coisa boa que merece proteção. O desafio para aqueles que querem proteger a liberdade religiosa nos Estados Unidos, Europa e outros lugares semelhantes é convencer as pessoas que não são religiosas de que a liberdade religiosa merece proteção especial. Isso não será fácil de fazer”.

Para o Juiz, um alerta é o número crescente de pessoas que rejeitam a religião ou não acham que a religião é importante e a maneira de encontrar um terreno comum com pessoas não religiosas sobre o tema da liberdade religiosa é enfatizar os benefícios relacionados que as sociedades desfrutam quando a liberdade religiosa é protegida. Uma vez que a liberdade religiosa promove a tranquilidade doméstica e fornece uma maneira para que diversas pessoas floresçam juntas. “Outro benefício é o enorme trabalho de assistência social realizado por grupos religiosos e pessoas de fé. Além das vezes que alimentou a reforma social, como os grupos religiosos que lideraram o movimento pela abolição da escravidão nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo. E não é coincidência que o Dr. Martin Luther King Jr. foi um pastor”, citou.

“Se a liberdade religiosa for protegida, os líderes religiosos e outros homens e mulheres de fé poderão falar sobre questões sociais. Pessoas com profundas convicções religiosas podem ser menos propensas a sucumbir a ideologias ou tendências dominantes, e mais propensas a agir de acordo com o que consideram verdadeiro e correto. A sociedade civil pode contar com eles como motores de reforma”.

Para concluir, Samuel descreveu a forte relação entre a liberdade religiosa e outros direitos, como a liberdade de expressão e a liberdade de reunião. “A liberdade religiosa e outros direitos fundamentais tendem a andar juntos”, disse ele. E ainda contou uma conversa memorável que teve com um estudante da Universidade de Pequim. A jovem cresceu em uma cidade chinesa onde, por causa de sua história, várias igrejas estavam localizadas. A Igreja Católica ali era conhecida como “a igreja que deu razões”, disse ela.

“Isso realmente me impressionou. A Revolução Cultural fez o possível para destruir a religião, mas não teve sucesso. Não conseguiu extinguir o impulso religioso. Nossos corações estão inquietos até que descansemos em Deus. E, portanto, os campeões da liberdade religiosa que saem tão sábios quanto as serpentes e tão inofensivos quanto as pombas podem esperar encontrar corações abertos à sua mensagem”, concluiu.

*Com informação Guiame

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