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terça-feira, 21 setembro 2021

O papel da Igreja no cuidado das famílias fora do templo

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Será que nós, como igreja do Senhor atualmente, conseguimos exercer esse cuidado, ou ainda vivemos como se estivéssemos na época da fé institucionalizada dentro das quatro paredes do templo?

Por Marisa Lobo

Durante séculos, a concepção de cristianismo aos olhos da sociedade em geral, precisamente do senso comum, foi sinônimo de igreja. E a igreja, por sua vez, foi sinônimo de templo. Esse último ainda perdura até hoje, muito embora com menos implicações práticas. Isso ocorreu por causa da institucionalização da fé, algo que só passou a ser desconstruído com a Reforma Protestante.

Felizmente, como disse, a Reforça nos ajudou a resgatar a verdadeira concepção de cristianismo ensinada nos evangelhos de Jesus Cristo, de modo que, com o passar do tempo, o conceito de Igreja também passou a se desvincular do templo físico no entendimento dos cidadãos mais simples.

Com isso, atualmente compreendemos a importância e a necessidade do local de culto, ao mesmo tempo em que visualizamos e reconhecemos a amplitude da igreja como noiva de Cristo para além das quatro paredes do templo, sendo esta um corpo vivo composto por pessoas como eu e você. A Igreja, em sentido prático, não é mais sinônimo de edifício, assim como o cristianismo, em sentido religioso, não é mais sinônimo de instituição.

A igreja é uma entidade viva fundamentada na observância dos ensinos da Palavra de Deus, de onde surge o cristianismo. É aqui onde entra uma das grandes características da práxis cristã, possível de ser compreendida e vivenciada apenas após o resgate dos sentidos bíblicos desses conceitos: o cuidado mútuo praticado no seu cotidiano.

A dimensão do cuidado

Cuidado é o mesmo que cuidar, o que também significa dar atenção àquilo que se cuida. Como a igreja de Cristo, consequentemente nós somos o alvo do cuidado. Mas esse cuidado possui duas dimensões. A primeira diz respeito ao cuidado de Deus para conosco, enquanto a segunda diz respeito ao cuidado mútuo da igreja para com os seus e a sociedade.

O cuidado de Deus para com a igreja é um exemplo para a própria igreja. Quando Jesus, por exemplo, entregou a sua vida na cruz do calvário, ele abriu mão de si em prol do cuidado de Deus para conosco. É o que ensina João 3:16. Essa passagem, conhecida por trazer o conceito de amor divido incondicional, também traz a lição do cuidado, visto que quem ama, cuida!

A passagem de Atos 2:42-47, por outro lado, nos ensina a segunda dimensão do cuidado, que é justamente a implicação prática do exemplo de Deus no meio do seu povo. O verso 42 diz que a igreja primitiva perseverava “na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”, assim como, no verso 45, que “vendia suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia necessidade.”

A passagem de Atos não está falando da igreja enquanto edifício, muito menos do cristianismo como instituição. Está falando de vida cotidiana, da práxis cristã sendo implementada na forma de cuidado entre irmãos e irmãs fora das quatro paredes do templo. Isso não é fantástico?

Essa é a dimensão do cuidado que o Senhor deseja de nós; o que vai além da liturgia e da instituição, pois é o tipo de cuidado que reflete o mesmo amor de Deus traduzido no sacrifício de Jesus na cruz, quando pessoas como eu e você nem existíamos para reconhecer os pecados que cometemos ao longo da vida inteira.

Portanto, será que nós, como igreja do Senhor atualmente, conseguimos exercer esse cuidado, ou ainda vivemos como se estivéssemos na época da fé institucionalizada dentro das quatro paredes do templo? Que Deus venha trazer sobre nós, diariamente, a consciência sobre a importância do cuidado de modo que sejamos não apenas alvos dessa prática, mas também produtores dela.

Marisa Lobo. Psicóloga, escritora e pesquisadora de gênero. Autora dos livros: “A Ideologia de Gênero na Educação” e “Famílias em Perigo”.

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