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Pandemia pode afetar a comunhão e a espiritualidade

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Pesquisa revela que cultos on line estão impulsionando ainda mais a pregação do Evangelho e que pastores relacionam a pandemia como um sinal do fim dos tempos

O mundo está passando por uma transformação inédita e a humanidade tem visto grandes mudanças. Muitos se perguntam como ficará o cenário pós-pandemia e como será o “novo normal”. Será que isso tudo vai abalar a fé das pessoas? E o que será que vai acontecer com a igreja?

A Revista Comunhão realizou uma pesquisa no mesmo de agosto de 2020 com pastores e líderes de diversos estados do Brasil e variadas denominações. Os resultados mostram que, embora seja difícil saber exatamente o que vai acontecer, a maioria relaciona os atuais acontecimentos ao campo escatológico.

Isso quer dizer que as profecias bíblicas estão se cumprindo, segundo eles, e que o avanço da tecnologia também é um sinalizador da aproximação do fim dos tempos. A pesquisa também mostrou que mais da metade (62%) da igreja no Brasil já realizava cultos on line. Essa porcentagem poderá aumentar significativamente pós-pandemia.

A igreja e a realidade do avanço tecnológico

Mesmo com certa resistência, algumas igrejas foram encaminhadas para um novo tempo – de transmissão de cultos pela internet, ceias on-line e orações à distância. Enquanto para 66% dos pastores entrevistados a transmissão de lives já fazia parte da rotina, para os outros 39% esse é um grande desafio, que a maioria se mostrou disposta a encarar.

Uma porcentagem pequena (6,82%) assumiu que não está se adaptando e que pretende interromper com as transmissões assim que for encerrada a quarentena por conta da Covid-19.

Algumas igrejas não têm condições financeiras (3,03%), não possuem condições técnicas (5,30%) e apenas 1,52% realmente não está transmitindo os cultos pela internet por não gostar da ideia.

Pregação do Evangelho no mundo

“Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.” (Marcos 16.15)
O grande avanço tecnológico por parte das igrejas está possibilitando que o Evangelho chegue onde pessoas não podem ser alcançadas fisicamente. Nem todas as nações têm a liberdade que o Brasil tem de pregar o Evangelho. Há mais de 60 países no mundo onde o cristianismo é considerado um crime e os cristãos são impedidos até de ler a Bíblia. Há notícias, porém, de que muitos se tornam cristãos através de programas evangelísticos transmitidos por rádio, TV e internet.

“Essa geração carregará esse medo por muitos anos, que é provocado pela incerteza de uma nova onda, um novo vírus, uma nova infecção”. José Ernesto Conti, pastor titular da Igreja Presbiteriana Água Viva (ES)

Para o ministro de música, Yuri Reis, da Primeira Igreja Batista em Goiabeiras (ES), a tecnologia possibilita estar perto das pessoas apesar da distância. “Usamos o Instagram para fazer os cultos diários, o Zoom para fazer a parte de capacitação e as células e, além do culto on line, estamos ligando para todos os membros da igreja e preparamos até um calendário de ligações, para que todos se sintam bem próximos”, contou.

Preocupado com a qualidade dos trabalhos via internet, Yuri revela que a equipe cresceu. “No início havia apenas três pessoas na equipe, hoje estamos com mais de 12 empenhados em fazer as transmissões”. Além da formação musical, o líder é formado em análise de sistemas e marketing digital, e conta que tem usado esses conhecimentos para contribuir na qualidade do que faz dentro de sua igreja.

“Apesar de ser uma igreja de bairro, hoje temos pessoas de várias partes do Brasil nos seguindo e até de outros países, como Portugal, Estados Unidos e México. Eles são membros da nossa igreja e estão nos acompanhando constantemente, apesar da distância”, explicou.

Avanço do alcance do Evangelho: sinal do fim dos tempos?

“E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” (Mateus 24.14) A Bíblia afirma que o último sinal para a chegada do “fim dos tempos” é a pregação do Evangelho de maneira global.

A geração atual está vivendo com a vantagem das pregações tecnológicas. Segundo o hebraísta e pastor da Igreja Batista Nações Unidas (SP), Luiz Sayão “em nosso século, pela primeira vez, o Evangelho ‘pode’ alcançar toda a terra, mas ainda não alcançou”, disse.
Ele explica que, apesar do grande esforço missionário da igreja de Cristo para que isso aconteça, nem todas as etnias já foram evangelizadas, e é por isso que o fim ainda não veio.

“Apesar do grande esforço missionário da igreja de Cristo, nem todas as etnias já foram evangelizadas, e é por isso que o fim ainda não veio.” Luiz Sayão, hebraísta e pastor da Igreja Batista Nações Unidas (SP)

“Devemos fazer de tudo para propagar o amor de Cristo”, disse Yuri. Segundo o músico, há muitos descrentes nos dias atuais. “Essa é uma geração debochada em relação ao que Deus é, e a forma como Ele opera. Eu acredito que a igreja deve sempre se levantar para atitudes de amor ao próximo. A forma prática de amar ao próximo é servindo a ele”, afirmou.

“Usando a tecnologia estamos unidos em amor e as nossas ações estão dando continuidade ao que já estávamos fazendo de forma presencial”, pontuou. Além disso, Yuri cita o texto bíblico de Daniel 12.4. “Acredito que estamos avançando para o fim.

O livro de Daniel fala sobre a multiplicação da ciência no fim dos tempos. E estamos vendo um avanço tecnológico muito rápido”, lembra.

O que vem depois da pandemia: avivamento ou apostasia?

A pesquisa revelou que a maioria (45%) dos pastores acredita numa igreja mais avivada logo após o período da quarentena, uma porcentagem menor acha que voltará a ser como antes (18%) e a outra parte acha que vai demorar muito para voltar ao normal (29%). Apenas um número pequeno de pastores (6%) acha que a igreja será mais fria e distante, por ter se afastado dos cultos presenciais.

“Eu acredito que a igreja será despertada de uma forma diferente. Aliás, ela já despertou para entender que pode cuidar das pessoas mais distantes. Então, não é a tecnologia que esfria a fé das pessoas. A nossa fé é construída através da Palavra, independente do meio pelo qual a mensagem chega”, resumiu Yuri Reis.

Quando a mesma pergunta foi feita focando somente no “esfriamento da fé” pela não participação de cultos presenciais, o resultado mostrou que há um número maior de pastores preocupados com a forma como a igreja vai retornar ao “novo normal”. Dos entrevistados, 39% responderam que “sim” – os cristãos já estão esfriando por não participarem mais de cultos presenciais, 43% respondeu “não” a esse esfriamento e 17% disse que “não sabe”.

O pastor José Ernesto Spinola Conti, titular da Igreja Presbiteriana Água Viva (ES), acredita que por trás dessa ideia de “esfriamento espiritual” se esconde outra coisa – o medo das pessoas em relação a uma nova pandemia.

“Toda a sociedade foi afetada por esse medo psicossocial que se manterá por muito tempo em nossa memória. Eu diria que essa geração carregará esse medo por muitos anos. E esse medo é provocado pela incerteza de uma nova onda, um novo vírus, uma nova infecção”, apontou.

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“Não tenho dúvida de que a espiritualidade em geral já foi afetada diretamente.” Magno Paganelli, pastor e professor de teologia

Segundo o pastor “a pandemia veio para ficar, mesmo que a vacina seja eficaz, essa geração estará sempre esperando uma nova pandemia”, disse. Mas, apesar disso, Conti acredita que a igreja vai superar esse trauma. “Uma igreja não sobrevive sem comunhão. Levará um bom tempo para recuperar o ritmo com que nossas programações aconteciam nas igrejas, mas quando chegar o natal creio que teremos nossas igrejas próximo do que éramos antes da pandemia”, disse otimista.

Ao ser questionado sobre os sinais da volta de Cristo, ele respondeu: “Há muitos sinais com respeito à volta de Cristo – a pregação do evangelho é uma delas, mas há muitas outras ligadas à natureza, como os terremotos, maremotos e pestes; às nações, incluindo Israel e às pessoas, sendo elas cristãs ou não-cristãs. E, apesar de estarmos no meio de uma pandemia mundial, tempestades de areia, e outras coisas assustadoras, ainda não é o fim”, assegurou.

Ele citou que a pregação do Evangelho em nossos dias “está muito fora daquilo que a Palavra nos diz”. Para Conti, “quem olha a igreja percebe que ela está ativa e crescendo, mas quando olha por dentro, a doutrina está ‘podre’ e não estamos sentindo o mau cheiro”, justificou.

“A Bíblia não fala de avivamento antes do fim, ela fala de ‘preservação’. Parte da igreja será guardada da contaminação. A Palavra de Deus siz que a igreja apóstata, crescerá e ameaçará as igrejas fiéis – ou a parte fiel de uma igreja. O maior inimigo virá de dentro das fileiras. Mas ainda não é o fim”, sublinhou mais uma vez.

“Não acredito que haverá um movimento que vai ‘salvar’ a igreja dos nossos dias. A igreja de hoje; já está distante daquilo que Cristo quer e não há caminho de retorno. Mas apesar de tudo isso, ainda existe um grupo fiel que mantem a EBD e que ainda consegue ter um culto bíblico. Quando esse grupo for ameaçado pela própria igreja, então virá o fim”, ressaltou.

“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mateus 24.12-13) “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios.” (1 Timóteo 4.1).

Mundo evangelizado no século I

A Bíblia tem alguns textos que afirmam que essa evangelização mundial já aconteceu no passado. No primeiro século, o apóstolo Paulo disse que o Evangelho havia sido pregado em todo o mundo.

“Antes de tudo, sou grato a meu Deus, mediante Jesus Cristo, por todos vocês, porque em todo o mundo está sendo anunciada a fé que vocês têm.” (Romanos 1.8) “A fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. Mas eu pergunto: Eles não a ouviram? Claro que sim: A sua voz ressoou por toda a terra,
e as suas palavras, até os confins do mundo.” (Romanos 10.17-18) Paulo também disse em sua carta aos colossenses: “Por todo o mundo este evangelho vai frutificando e crescendo, como também ocorre entre vocês, desde o dia em que o ouviram e entenderam a graça de Deus em toda a sua verdade.” (Colossenses 1.6)

Avanço da pregação do Evangelho no século XXI

Pesquisas realizadas pelas Sociedades Bíblicas no Mundo mostram que o Evangelho está sendo pregado globalmente, faltando pouco para que a profecia se cumpra. Para a sustentação desse ponto de vista, eles utilizam o número de idiomas existentes na atualidade e em quantos deles a Bíblia já foi traduzida.

De acordo com essas informações atuais, temos um total de 6,8 bilhões de pessoas no mundo que já tiveram acesso à Bíblia (em 3.380 idiomas). Isso equivale a 89% da população mundial. Quer dizer que 11% (menos de 1 bilhão) ainda não têm nenhum acesso à Bíblia neste século.

O desafio é grande, porque esses 11% representam 3.971 idiomas. Lembrando que não é necessário que a Bíblia seja traduzida para todos eles, isso porque muitos povos falam mais do que um idioma. Significa que essas pessoas podem ter acesso ao Evangelho em outra língua.

Para o pastor e professor de teologia, Magno Paganelli, autor de mais de 30 livros, entre eles cinco títulos escatológicos, a profecia sobre o alcance do Evangelho de forma global não deve ser considerada tão ao pé da letra. “Embora eu conheça o texto de Mateus 24.14, tenho dificuldade em acreditar que a volta de Jesus dependa da evangelização a nível mundial, pois há outros textos no Novo Testamento que precisam ser considerados em conjunto.

Em minha opinião, Deus não condicionaria uma ação dele a uma operação nossa”, disse. Em breve, o autor vai lançar uma edição ampliada de parte de seu livro “E então virá o fim”, de 1995, onde aborda os sinais da volta de Cristo, com base no texto bíblico de Lucas, capítulo 21. “Quando se consideram os fenômenos naturais como o terremoto, por exemplo, vimos que a partir do século 15 até agora o aumento do número de terremotos no mundo deu um salto, conhecemos os tsumanis e outros sinais aumentaram em intensidade e frequência, como as guerras e as pestes”, observou. Ao falar sobre o Covid-19, Paganelli aponta para a amplitude global da doença, entre vários outros sinais que, se não apontam para a vinda de Cristo, ao menos nos advertem para a sua proximidade.

Covid-19 como um sinal para o “tempo do fim”

Finalizando a pesquisa, quase 78% dos entrevistados associou o surgimento da Covid-19 com o período que a Bíblia chama de “fim dos tempos”. Cientistas, médicos e infectologistas têm afirmado repetidamente, nos noticiários, que após a pandemia o mundo nunca mais voltará a ser o que era. Eles acreditam que ainda vai demorar muito para que as pessoas circulem pelas ruas livremente, pelo menos enquanto não existir uma vacina contra o vírus.

Essa realidade pode gerar o medo na sociedade, esvaziar os templos e até mexer com a espiritualidade das pessoas. “Não tenho dúvida de que a espiritualidade em geral já foi afetada diretamente, assim como o modo de ‘ser igreja’ foi afetado quando consideramos a comunhão através de cultos presenciais”, relacionou Paganelli.

A reflexão sobre o “tempo do fim” e o tempo de pandemia está gerando um cenário bem diferente do que se esperava para o ano de 2020. “A lição que devemos levar de eventos assim é que os sinais propostos por Jesus e pelos apóstolos nas epístolas merecem a nossa atenção”, disse o escritor.

“Usando o exemplo ‘do fim dos tempos’ da época de Noé, Jesus disse que as pessoas ‘não perceberam’ (Mateus 24.39). E os próprios judeus e mestres da lei não compreenderam que estavam diante do Messias, naquela ocasião. Nós, sabendo dessas coisas, não podemos errar. Temos que considerar todos os sinais que nos têm sido dados, e a pandemia deve ser acomodada a esse quadro”, alerta e conclui Paganelli.

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