18.8 C
Vitória
sábado, 20 agosto 2022

Pais que desejam ser “moderninhos” jogam os filhos na escuridão

Mais Artigos

Ser conservador é lidar com o presente e mirar o futuro, carregando bons ideais dos antepassados e não faltando com seus princípios

Por Marisa Lobo

Apesar dos prognósticos negativos sobre os efeitos da cultura pós-moderna na família, confesso que não imaginava, no começo da minha vida, ver tantas crianças e adolescentes literalmente abandonados pelos pais, no que se refere aos cuidados com a formação humana em vários aspectos

Com isso, quero chamar atenção sobre o que tenho observado em algumas famílias, e tem contribuído drasticamente para que os filhos terminem caindo na escuridão: a confusão entre ser “moderninho” e liberal.

Os pais “moderninhos”

Em primeiro lugar, não estou condenando os pais que desejam se manter atualizados em relação ao mundo, conhecendo as novidades e até mantendo um estilo de vida jovial. Eu mesma sou assim! Além de não haver nada de errado, essa atitude também ajuda na relação com os filhos, inclusive em nossa saúde física e mental.

Contudo, ser moderna não implica, necessariamente, ser liberal. Posso ser uma mãe “moderninha”, sim, mas no sentido de estar antenada sobre o que acontece no mundo, trazendo para meu estilo de vida o que é bom, inovador, mas sem me deixar contaminar pelos modismos ruins.

Perceba que isso tem tudo a ver com o conservadorismo, pois diferentemente do que alguns imaginam, ser conservador não é sinônimo de estagnação, tal como alguém que encalha no tempo e vive em função do passado. 

Ser conservador é lidar com o presente e enxergar o futuro, mas sempre carregando as boas referências dos antepassados. Em uma entrevista para o jornal Gaúcha Zero Hora, por exemplo, em 2019 o grande Roger Scruton assim resumiu: “Conservadorismo significa uma constante consciência da sua herança e da história da sua nação”. É isso!

Os pais liberais

Assim como fiz uma ponderação no tópico anterior, faço nesse: não confunda liberalismo com a capacidade de agir de forma compreensiva, tolerante, acolhedora e até flexível com os seus filhos. São coisas completamente diferentes.

O liberalismo, comportamental e moralmente falando, é a ausência de definições em nome de algo que normalmente pretende se passar por moderno. É justamente o pai ou a mãe que, desejando ser “moderninhos”, confundem atualização de vida com falta de princípios e valores impostos.

Na vida dos filhos, o liberalismo é trágico porque ele resulta em indisciplina e ausência de referenciais, visto que os pais costumam achar que os filhos precisam ser “eles mesmos” e ter total “autonomia” para agir, pensar e decidir sobre tudo. Aqui temos outras confusões, mas que podemos abordar em outro artigo.

O que você deve entender, hoje, é que parte do que os filhos são, mesmo na fase adulta, é fruto do que aprendem por imitação ao longo da vida, sendo os pais os seus principais modelos.

Portanto, se mãe e pai deixam de exercer a responsabilidade de orientar (ensinar), exigir (impor) e cobrar (responsabilizar) dos filhos, o que vai acontecer é que eles ficarão sujeitos a todo tipo de influência externa, do mundo, caindo numa completa escuridão de incertezas sobre a vida.

É isso o que você deseja para a vida dos seus filhos? Então, a hora de mudar é agora. 

Marisa Lobo é escritora, psicóloga, teóloga, especialista em direitos humanos, pós graduada em saúde mental. Com 12 livros publicados, sobre família, infância, sexualidade e saúde mental.

- Publicidade -

Comunhão Digital

- Continua após a publicidade -

Fique Por Dentro

Entrevistas