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domingo, 16 junho 2024

Pais orientadores, filhos realizados

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Na era do "pode tudo", pais têm papel importante como orientadores, a fim de que os filhos sejam pessoas de caráter e tementes a Deus - Foto: Reprodução

Na era do “pode tudo” e do “tudo é fácil”, pais têm papel importante como orientadores, seja na escolha de faculdade, carreira ou casamento, com o objetivo que os filhos sejam pessoas de caráter, retos e tementes a Deus

Por Regina Silva

“Hoje eu entendo melhor os conselhos dos meus pais, mas quando era adolescente era mais difícil”, conta a universitária em Relações Internacionais Carol Freitas, de 20 anos.

Quando criança e adolescente, ela achava que os conselhos dos pais eram muito antiquados. “Eles não queriam que eu postasse fotos no Orkut, mas todos postavam”, conta. Mas depois de passar 10 meses estudando na Alemanha e tendo que se virar sozinha, a jovem vê as orientações de outra forma.

“Eu, quando era criança, tentava resolver tudo sozinha, sem ouvir ninguém, e quase sempre me dava mal. Depois de morar sozinha e acatar os conselhos, aprendi que são valorosos e hoje acho que eles me veem mais como uma adulta, e aí mudou a relação”, afirma Carol.

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Orientar os filhos e prepará-los para a vida inclui ensiná-los, mas isso não é uma tarefa fácil. Requer disposição, sabedoria e paciência. Um dos princípios aplicados pela capitã da Polícia Militar Marilda Suely Pereira dos Anjos é que a influência que os pais têm sobre os filhos não deve ser uma imposição, e sim uma orientação que esteja sob a dependência de Deus.

Marilda é mãe de Daniel, de 20 anos, estudante de Economia, e Juliana, 17, vestibulanda de Design. Ela afirma ter sido um pouco mais difícil a questão da escolha das carreiras dos filhos. “Preocupei-me bastante com as decisões, mas busquei não entrar nos dois extremos, ou seja, nem faça o que você quiser, nem o que queremos”. A militar conta que foram dias de decisão na questão da carreira do mais velho, porque havia certa preocupação com relação ao sustento.

“Influência é exercida por meio do diálogo franco e aberto” – Pastor Sérgio Araújo de Freitas, membro da Igreja Morada de Camburi, Vitória

“Ele já estava meio que convencido a fazer o que achávamos melhor, mas no último momento se viu mais feliz na carreira que está cursando”, lembra Marilda. Para ela, a profissão boa é aquela que faz a pessoa feliz. A capitã acredita que consagrar os filhos a Deus dá mais tranquilidade quanto ao futuro, pois crê que serão abençoados.

“Trabalhei muito tempo com casais e via que algumas escolhas equivocadas quanto à profissão serviram como empecilhos no bom relacionamento do casal”. Outro ponto que destaca é a paz que os filhos tiveram ao escolher as carreiras. “Essa tranquilidade que sentem leva-nos a ver a resposta de Deus às nossas orações”. Na sua opinião, os pais têm todo o direito de colocar limites aos filhos, e se os jovens seguirem as orientações, têm grandes chances de se darem bem. “Em um determinado momento na vida, os pais devem deixar os filhos seguirem seus próprios passos, confiando no que foi ensinado, até mesmo quando o assunto é relacionamento. Orientamos com clareza e mostramos que confiamos que vão observar os ensinamentos morais e espirituais que passamos a eles. E lembramos que eles devem reter o bem e desprezar o que não edifica”.

Orientando seu filho segundo a Bíblia

  • Conhecer seus filhos – Provérbios 27:23.
  • Ouvir seus filhos, antes de falar – Tiago 1:19.
  • Mostrar a importância de se obedecer aos pais para uma vida longa e feliz. Provérbios 3.11,12; Hebreus 12:7 e Provérbios 4:1-4
  • Passar um tempo junto, passeando, brincando e conversando – Deuteronômio 6:6-7
  • Ser paciente, não irritar os filhos – Colossenses 3:21 e Efésios 6:4
  • Ensinar seus filhos a temer a Deus e desviar-se do mal – Provérbios 13:20 e Hebreus 1:9.
  • Fortalecer as qualidades dos filhos – 2 Pedro 1:5-8.
  • Valorizar os esforços deles – Filipenses 1:10
  • Levar os filhos a valorizar o que Deus fez por ele – Apocalipse 4:11.
  • Levá-los a desfrutar de uma amizade individual com Cristo – Provérbios 3:1-2 e Romanos 12:2.
  • Ser sábio – Tiago 1:5 e 3:17.
  • Participar com seu filho de uma igreja onde se pregue a Palavra de Deus – Salmos 119.63 e 84:10.
  • Encorajar seus filhos a uma vida de oração e de estudo bíblicos – Atos 6.4; Efésios 6.18 e Tiago 5:17-18.

Respeito às individualidades

Mas não é só sobre carreiras e relacionamentos que os pais precisam orientar seus filhos, mas em todas as decisões, até mesmo na hora saber qual festa ou divertimento escolher. O advogado Jaasiel Marques lembra que seus três filhos, hoje adultos, sempre tiveram sua permissão para sair, mas com recomendações. “Podiam sair, mas recomendava que se conduzissem com cautela. Insisti bastante quanto ao horário”. Ele conta que deu certo, mesmo os acompanhando de longe, pois estudavam em outras cidades.

Jaasiel relata ter acreditado que os filhos não iriam querer sair para certas festas, porque ele não cultivava esse hábito. “Busquei deixar clara a minha opinião sem, contudo, impor o que eu achava. Apostei no senso de responsabilidade deles, e pela minha ótica deu certo. Estamos bem, alegres e em harmonia”.

Quanto à profissão, os três escolheram carreiras diferentes da do pai. Rafael é engenheiro agrônomo, Patrícia, comerciante, e Camila, fisioterapeuta. “Eu nunca interferi na decisão deles em relação à carreira profissional, pois impor ao filho uma opinião pessoal, para induzi-lo na escolha profissional, pode gerar consequências ruins”, afirma. Seja qual for a situação, carreira, relacionamento ou festas, o advogado vê que alguns pais fazem imposições “reprováveis”: “Muitas ‘imposições’ são para atenderem interesses particulares dos pais. O melhor argumento são sempre exemplo e franqueza”, afirma.

“A opinião dos pais deve ser propositiva e não impositiva” Jaaziel Marques Silva, advogado, membro da 2ª Igreja Batista de São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul

A vida dos pais pautada pelo Evangelho é o melhor e mais eficaz argumento. “Os pais devem opinar sobre relacionamento e profissão dos filhos. A opinião deve ser propositiva e não impositiva”. Ele vê como um bom caminho a ajuda aos jovens no momento de ponderarem os prós e os contras de qualquer opção, com base em experiência pessoal e avaliações. Quanto às escolhas como relacionamentos com pessoas de outras religiões, Jaasiel alerta que é necessário evitar a desarmonia familiar. “Vejo que, nesse caso, o melhor do relacionamento dos pais com os filhos é um recíproco respeito às individualidades”.

E acredita que a criação de uma expectativa pessoal em relação aos filhos, seja qual for a área da vida, pode gerar frustração e, em alguns casos, a animosidade. “O relacionamento deteriorado no seio da família tende a afastar os seus membros do padrão bíblico da convivência. Porém, ao contrário, se o relacionamento familiar estiver construído sobre a amizade, o amor e as demais virtudes cristãs, as eventuais escolhas dos filhos em desconformidade com os padrões tradicionais não serão obstáculos a uma convivência harmônica, para o bem de todos”.

Realização

Mas e quando a carreira dos filhos vai por caminhos não tão tradicionais? Como lidar com esta situação? Silvia Landim, auditora fiscal da Receita Federal e mãe de uma bailarina profissional, assegura que dá à filha todo o apoio necessário, embora não seja assim no restante da família. “A cobrança da sociedade, da família, é muito grande”. Ana Isabel é bailarina do Ministério Nissi, que utiliza a arte para ganhar pessoas para Cristo. Para Silvia, ela se encontra no melhor lugar que poderia estar, falando do amor de Deus pela dança. “Eu lido com a escolha dela muito bem. Eu sei que não é fácil viver da dança, tem um investimento muito alto de tempo, dedicação, ensaios e dinheiro, mas para mim o mais importante são a felicidade e a realização dela”.

Silvia relata que antes da decisão da filha de viver da dança, o pai ofereceu à jovem uma série de opções, que as recusou. “Eu brinco com ele que o sonho dele já se realizou, agora é a vez dela. Há cobrança sim, mas não entendem que viver o que ela está vivendo não tem preço”. Hoje, a bailarina está em um projeto missionário, mas se decidisse no futuro usar sua arte em outros palcos, como teatros, teria novamente o apoio da mãe. “Nós temos que estar preparados para novos voos dela. Acho que ela pretende dançar fora do país, tipo Europa, pois sempre teve esse sonho. Não é fácil administrar a distância, não só a saudade, mas os cuidados e o zelo que temos por ela, mas é possível ser cristão e fazer a diferença”.

“Os pais devem orientar, aconselhar, mas não fazer imposição” – Marilda Flores, capitã da Polícia Militar, membro da Igreja Batista da Orla, Vila Velha

Silvia defende que pais devam orientar os filhos em todo o momento, mas respeitando as escolhas deles. “Tanto a Ana Isabel, de 17 anos, como a Maria Clara, de 10, sabem que buscamos o bem delas. No caso da Ana, acredito que se fôssemos totalmente contra a dança, provavelmente ela não seguiria, mas viveria triste”. Embora a falta de tempo seja um problema para alguns pais, Silvia entende é necessário dedicar momentos exclusivos para os filhos. “É fundamental ter tempo para comer juntos, nem que seja uma refeição ao dia, conversar sobre os problemas da casa, levá-los a participar das decisões da família, férias juntos. Nós sempre priorizamos estar juntos. Sempre priorizamos a Escola Bíblica aos domingos, todos juntos. Creio que não existe fórmula, mas a participação dos pais no dia a dia deles é fundamental para que cresçam equilibrados e saibam fazer suas escolhas de forma conscientes”.

Influência e diálogo

O pastor, professor e psicanalista Sérgio Araújo de Freitas, membro da Igreja Morada de Camburi, Vitória, afirma que os pais têm um compromisso diante de Deus de serem orientadores dos filhos, conforme está escrito em Gênesis 18:19. “Porque Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor, e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito”.

Segundo Freitas, ao ouvirem os pais, o filho ou a filha adquirem o entendimento e o temor do Senhor. “Os pais exercem grande influência na vida dos filhos, em quaisquer decisões que venham a tomar no futuro. Essa influência deve ser exercida por meio do diálogo franco e aberto como convém aos lares bem ajustados que seguem instruindo os filhos no caminho em que devem andar. O exemplo e o diálogo criam a atmosfera que influenciam os filhos, à luz do que vivem, a tomarem com mais segurança os seus caminhos”. O pastor destaca que os pais devem mostrar, em todas as áreas da vida, que nem tudo que parece ser possível. “Quando há diálogo no lar, normalmente, pais e filhos já falam sobre o assunto. Agora interferir dizendo com quem os filhos devem se casar ou não, ou quando e onde devem se casar, nem pensar, a não ser que sejam convidados a opinar, é claro”.

“É mais fácil entender os pais, quando se tem mais idade” Carol Freitas, estudante, membro da Igreja Batista da Praia da Costa, em Vila Velha

Quando há uma relação amigável e estreita uma orientação sem imposição é de grande valia. “Alguns pais fazem essa interferência com maestria, outros não. A Palavra nos ensina que, se não temos sabedoria, devemos pedir a Deus; acredito que diante de uma escolha, pais e filhos devem falar com Deus a respeito do que fazer, para só depois decidam. Lembrando sempre que deve ser dos filhos a escolha final”.

Outra questão levantada é com relação às mudanças destes tempos modernos. “Quer queiramos ou não as mudanças acontecem; e os pais devem preparar os seus filhos para o avanço desenfreado da tecnologia e, dentro do possível avançar com eles. É bom sempre lembrar aos filhos que ‘o que está em nós é maior do que o que está no mundo’ e que todos avanços tecnológicos e mudanças que ocorrerem precisam ser creditados na ‘conta de Deus’. Por isso Ele deve vir sempre em primeiro lugar, e tudo o que se fizer deve ser para a Sua honra”. E o pastor Sérgio ressalta que filhos bem orientados pelos pais saberão o que fazer ou deixar de fazer. “Geralmente os filhos que recebem a orientação devida em lares bem estruturados crescem responsáveis e saudáveis (Provérbios 8:32-36). Na verdade, crescem com maior capacidade discernimento, inclusive no que diz respeito a namoro, noivado e casamento O lar deve ser um ambiente que gere total confiança. O lar deve ser sempre um porto seguro”.

Saiba mais

  • Criando filhos O modo de Deus – D. M Lloyd-Jones
  • Pais santos filhos nem tanto – Carlos e Dagmar Grzbowski
  • O desafio de amar para os pais – Stephen e Ale

Esta matéria foi publicada originalmente na edição 207 da Revista Comunhão, de Novembro de 2014. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então.

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